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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Da cartilha certificada

 Anda a Republica Popular de Abril para cima de cinco anos sem alphabetização de adultos (Armando Loureiro, «Não há cursos de alfabetização para adultos desde 2010», in Antena 1, 26/II/16).
 Sem, sem, não será bem, pois sei ainda mais gravemente da noticia que elle ha cursos dispersos, por associações voluntariosas — não curando até de mães, filhos ou netos extremosos com ensinar as lettras á familia. — Que é,  não teem direito a certificação. Esta notavel realidade da cartilha (não) certificada, sem a qual as lettras ensinadas não valem como aprendidas nem valem á escripta ou ao leitor que as leia, é reflexo d’uma intelligencia cultural enorme que ultrapassa o mais fundo analphabetismo. Quem duvida?


João de Deus, Cartilha Maternal, 3.ª ed. Lisboa, Impr. Nacional, 1878.


João de Deus, Cartilha maternal ou arte de leitura, 3ª ed., Lisboa, Imp. Nacional, 1878.

1 comentário:

  1. EU! Julgo que existe aqui alguma confusão de conceitos. Uma coisa é 'alfabetização' outra, completamente diversa, é ensinar/aprender a ler e escrever. Cumprindo-se a extensão do conceito 'alfebatizado/alfabetizar' e 'saber ler e escrever' ou, como vulgarmente se usava no Portugal interior, 'saber assinar o nome'. Estou convicto que num estudo sério, a partir de uma amostra representativa e com um questionário cuidadoso ao enviesamento, se chegaria, hoje, a percentagens de analfabetismo estonteantes. Quanto a certificação do ensino ministrado por entidades não reguladas pela legislação a coisa é bem mais fácil do que parece. É suficiente a realização dos exames oficiais. O Povo é rico em Cultura, e cada povo tem a sua estrutura cultural e civilizacinal mas não é isso que está implícito num Sistema Educativo de um país ou região... O mesmo não se pode dizer, ou supor, nas Organizações... Mas isto dava pano para muitas 'mangas'...

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