Não tendo havido Benfica ontem nem sendo o Australopitégui já notícia, a emissora nacional abriu esta manhã o noticiário das 8h00 com uma novidade em lata — tamanho familiar — da central makro das notícias: o passamento do David Bowie.
Levaram 4-minutos-4 (meio noticiário, para aí...), na dita emissora nacional, em gabos e louvaminhas ao finado artista mais completo de sempre — jucunda rotulagem esta, de ração enlatada que se presume nutrir as monas lisas de aviário que se procuram cultivar do lado de cá do noticiarismo radiofónico a cada hora certa. E logo com anúncio de reportagem de enfardadeira — já a seguir — imediatamente depois daquele espaço informativo e antes do próximo, para reforço chouriceiro do morto mito em venda.
Tem graça que ainda anteontem as mesmas charcutarias a retalho destes enlatados noticiosos apregoavam a marca Bowie na volta dos seus provectos 69 Invernos — que marco!... — e com a edição dum novo disco. Na altura nem um acorde soou de que o defunto ainda por findar estaria por dias, nem do mal que o consumia — ou calhando fui eu; a publicidade distrai-me tanto que acabo sempre por fugir-lhe com a atenção... — De maneira que, hoje, o passamento do defunto foi-me verdadeiramente novidade. Mas, caramba, metade do noticiário com a promoção do morto mito! Que grande fé no rótulo grandioso que os da central das notícias põem no produto!...
Pois bem, não se tratando do Benfica e fora de ironias, caio na conta de, nestes dias que vivemos, só alguém ser homossexual ou maçon justifica tão empolado necrológio. Ou parafraseando Plúvio a propósito dum desses: o que certas obediências, o corporativismo sodomita (lobby gay, há quem prefira) e a morte não fazem por uma pessoa... e pela mitologia popular!
Última nota: a notícia do infausto acontecimento corria em rodapé às 9h e picos na Radiotelevisão (que é a outra-mesma emissora nacional) e dizia textualmente: David Bowie morre com a família vítima de cancro, sem vírgulas nem nada. Literalmente, uma desgraça nunca vem só...
Imagem captada da página da Radiotelevisão onde se massacra o bárbaro (Blackstar/BlackStar) e se autoreinventa... [?] autoreinvenciona... [?] o português.
Revisto.
Em boa verdade, apenas música ligeira.
ResponderEliminarFosse um grande compositor de Música e passaria despercebido. A base é levada ao topo, a hierarquia natural inverte-se.
É isso e admirarem uma Joana Vasconcelos. Dizem que é arte. Para mim, é lixo.
Assisti alguns minutos à Quadratura do Círculo. Pacheco pedia ao usurpador Costa que deitasse no lixo o aborto ortográfico. O pateta recusava. Chegámos a isto. Vergados a uma ex-colónia ao ponto de mudarmos a língua. Mas suspeito: isto mete aventais. Há uma dimensão esotérica da gramática e da ortografia. Com a República, não se apressaram logo a alterá-la? Faz parte do processo revolucionário e da morte de Portugal.
ResponderEliminarÉ triste, mas está carregadissimo de razão. Há muito que se comenta à boca pequena que sim, que há aventais. Ultrapassa a morte de Portugal. É J á decomposição.
ResponderEliminarNão seria compreendido.
ResponderEliminarA ordem há muito que foi subvertida pelas centrais dos mitos certos. A cultura de aviário impõe-se pela tábua rasa que a preparou. A tal Vasconcelos amesendada e propalada aos sete ventos é bem o paradigma do lixo feito requinte.
É isso que o verbete aflora: as trombetas da propaganda e a mitificação do lixo por arte.
Cumpts.
O Bowie era dado aos aventais. Por isso agrada à máquina jornaleira estrangeira. Os que estão cá, deslumbrados, copiam o que dizem lá fora. Foi dos primeiros artistas «pop» a fazer propaganda aos fanchonos. Um vanguardista revolucionário...
ResponderEliminarO que é que isso interessa.
ResponderEliminarO Bowie era uma maravilha. British até à medula.
Queriam compará-lo com o Mozart? esse é que era dos aventais.
ResponderEliminareeehe
Era um artista pop inglês que fica na história. Pode-se comparar com outros do género. O resto é treta ao lado.
Agora se não gostam, isso é problema vosso.
Pode comparar-se com carradas doutros do género. Daí a vulgaridade.
ResponderEliminarA História dirá se o guarda ou se o esquece. Mas treta ao lado é mesmo o Bowie, mero pretexto no que escrevo sobre a fabricação de mitos e a reles propaganda a um disco pop em cima dum cadáver. É mais que uma cultura, é toda uma civilização.
Cumpts.
De certo modo era britânico, era. Mas de subcultura. O caso é que se tornou uma cultura, justamente pela propaganda desmedida que aponto. É disso que trato.
ResponderEliminarCumpts.
Também creio. E em cima disso toca de facturar.
ResponderEliminarCumpts.
Mas que tem o britânico a ver connosco? pode obviamente gostar-se, mas não exageremos, ou querem pôr a bandeira a meia haste?
ResponderEliminarQue descanse em paz!
Eu não disse que era genial nem exagerei em homenagens.
ResponderEliminarO que achei palerma foi comparar-se música pop e rock com clássica.
Isso era na URSS onde só dançavam ao som de Bach
":OP
(se fosse o Elton John, sim, o que disse aplicava-se. Ao Bowie não.)
Quanto ao mito, já existia, não foi pela morte nem pela venda do último disco em cima de aniversário e morte.
Por boa fé, eu acredito que ele não morreu de propósito para ficar famoso.
Realmente...
ResponderEliminarConnosco têm a ver os pauliteiros de Miranda e mesmo assim nem é coisa totalmente nossa. Tal como o fado.
Eu eu adoro os pauliteiros. Já o fado, passo; excepto a Amália que foi outra coisa.
Mas falar de Bowie é mais isso- falar de espectáculo e sem comparar o cu com as calças porque há fenómenos mundiais.
Felizmente, porque contribuem para nos tornar a vida menos chata.
Pouco. Nada que justifique tamanha publicidade. Salvo o critério comercial da emissora .
ResponderEliminarQue a terra lhes seja leve, sim, ao cançonetista e ao jornalismo.
Cumpt.
Publicidade portuguesa?
ResponderEliminarNão sei porque não tenho tv.
Publicidade exagerada e personagem sobrevalorizado foi o Michael Jackson.
O Bowie nem sequer teve por cá exageros de cultos massificados porque ele não era a vulgaridade de que o caro Bic Laranja fala.
Era um fenómeno estético completamente britânico. Nunca poderia ser americano.
Dentro disso foi bom e eu lamento a sua morte.
Era lindíssimo e a beleza também é um detalhe que torna a vida dos outros mais agradável.
Mas era mesmo um fenómeno british e na tradição desse tom dandy e iconoclasta que se pode alargar a muitos mais campos e a séculos de tradição.
Neste caso, na cena pop e rock mas também na teatralização em video, no palco e até no teatro.
Não se pode falr do Bowie como se fala de um mero compositor do qual se conhecem uns discos.
ResponderEliminarPara isso tem o Paul Mc Cartney com melodias espantosas.
Mas o Bowie era espectáculo de palco porque tinha esse dom de se teatralizar dentro de uma tradição iconoclasta com raízes que misturam o popular com o erudito.
E era dandy, como o Wilde.
Ponto de ordem.
ResponderEliminarA chamada à comparação com um compositor clássico foi pela contraste de antena a um e a outro. Daí Zazie puxou Mozart pelo avental comparável.
Estamos falar de quê?
Contra a morte só o mito pode alguma coisa. Não podendo deixar de morrer deixou feitores a tratar dele. Os idiotas úteis propagam-no.
Não discuto a «vedeta» além das aspas.
Cumpts.
Ahahahaha!
ResponderEliminarA Zazie deu a chave. Ser lindíssimo explica o phenomeno. No seu caso, e no meu caso.
(Por favor não se ofenda!)
🌹🌹
Nessa linha tem também a Kate Bush, que fez letras dedicadas a obras da literatura britânica.
ResponderEliminarO caro Bic Laranja menciona isto: a atenção exagerada que fez títulos de primeira página nos jornais «online», abriu telejornais e, subitamente, surgiram dezenas de comentadores especialistas na obra de Bowie.
Ainda sou do tempo em que os telejornais abriam com peças jornalísticas de temáticas nacionais. Seguia-se a informação internacional. Para a última parte, desporto cultura e ciência. Na TVE 1, aqui ao lado, ainda funciona assim.
eheheheeh
ResponderEliminarPode crer. É mais que meio caminho andado
":OP
A estética é uma coisa muito importante e dominante e talvez a mais democrática de todas as questões que tocam a espécie humana.
ResponderEliminarPor muito até que a anti-estética da moda o negue.
Ainda no outro dia pensava nisso por estar com vontade de trocar os pcs por macs
eehhe E paga-se a peso de ouro essa natural empatia pelo que é superiormente bonito.
No caso do espectáculo a questão é ainda mais curiosa porque permite que tanto homens como mulheres se deixem cativar pelo facto, sem ter de entrar nisso algo sexualmente explícito.
É sublimado. Eu gosto de todos os fenómenos artísticos e seria incapaz de fazer essas divisões entre o que é do nível A por ser clássico e o que é do nível B por ser popular.
A ópera sempre foi popular.
Ah, e gosto de dançar. Acho que é mesmo a única cena de massas que me agrada ao ponto de não perder carnavais de rua.
Quem não gosta de dançar não entende fenómenos destes e depois despreza e diz que é coisa de variedades e sem a seriedade de um Bach ou de um Beethoven
ResponderEliminarehehehehe
A Kate Bush, sim, aplico com propriedade aquele «lindíssimo» do Bowie (ou melhor, da Zazie).
ResponderEliminarCumpts. :)
Pudera- v. é homem e eu sou mulher
ResponderEliminarAdmito mas disso nem sei porque deixei de ouvir ou ver media.
ResponderEliminarMas, nesse caso, também teve por cá o exagero com a morte do Bernardo Sasseti.
Nao queria discutir o Bowie, mas cá vai.
ResponderEliminarNão nego o estímulo estético nos comportamentos, seria estulto. Intriga-me é a anti-estética que se sucede. E quem na impõe. Será a publicidade em doses cavalares e mascaradas do que seja — notícias seria, por exemplo?
Será isso que impõe a estética do feio? — e a representação do Bowie é feia (horripilante até), como a iconoclastia e a amálgama de popular mais o erudito caótica e a granel.
Dançar. Tenho pés de chumbo. Mas para pregões publicitários há os Bee Gees e o John Travolta com fartura. Como estética gay (cacofonia deliberada) tem ingredientes com fartura para soarem nas trombetas do regime. O Elton John também.
Cumpts.
Notícias sérias, digo.
ResponderEliminarTeve sim senhora. É tudo mesmo.
ResponderEliminarHá um comentador desportivo (Pedro Guerra, um muito gordo) que diz que era preciso ter jogado futebol (com jogou ele) para entender aqueles penalties que foram ou deixaram de ser bem ou mal assinalados pelos árbitros.
ResponderEliminarV. não tem T.V.; nem sabe o que perde.
Cumpts.
Os pauliteiros de Miranda são nossos! O fado é que é mundial. Como o chocalho.
ResponderEliminarCumpts.
O/A zazie é uma cavalgadura. Paz à sua alma
ResponderEliminarA estética do feio deve ter começado com o Loos e o ornamento é crime.
ResponderEliminarO Bowie nunca teve nada a ver com a estética do feio. A publicidade actual é que é nojenta.
Quanto a dança e para lavar a alma, também prefiro o eterno Renato Carosone.
Pois é.
ResponderEliminarMas ainda danço
":OP
Cumps
Só ficando entrevadinha de todo é que deixo de dar o meu pezinho de dança.
Pois é. O Raymond Queneau também era outra cavalgadura.
ResponderEliminarO que nos vale é a existência de xptos.
E vou indo porque pior que publicidade exagerada são os grunhos armados em eruditos.
ResponderEliminar(Nada tem a ver com o simpático anfitrião).
O/A xpto é um cadáver mal-cheiroso. Guerra à sua alma, se é que existe.
ResponderEliminarNão estaria tão certa disso, no sentido em que existem danças do género (tipo guerreiro) de tradição celta.
ResponderEliminarMas sim, gosto muito dos pauliteiros, como de todo o folclore, em geral.
É pena é que, em Portugal, não haja já, infelizmente, carnavais de rua; e haja apenas brasileiradas...
ResponderEliminarCompletamente verdade. Por isso é que vou aos londrinos.
ResponderEliminarÓ Caríssimo bic laranja esse gordo está de quarentena...(por enquanto ainda cheira mal).
ResponderEliminarO Lopetegui nos últimos tempos tinha um tempo de antena, no mínimo, exagerado :P
ResponderEliminarSão nossos e não abdico deles. Nem que venha a lá a U.N.E.S.C.O. com todos os chocalhos do mundo.
ResponderEliminarCumpts.
E no máximo também.
ResponderEliminarCumpts.