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segunda-feira, 28 de setembro de 2015

De Espanha nem bom vento nem bom casamento

Martí Bas, Front de Victoria i de Libertad (1936)  A alternadeira semanal do Nicolaço — a emissora nacional agora alterna o Nicolaço com uma outra nas Contas do Dia — anunciou esta manhã pràticamente a independência da Catalunha; nem sei, do tom, se a não proclamou mesmo, à revelia de castelões e catalães: — Já nada vai ser como antes! — quereis recado mais peremptório?!… — Nem importa lembrar a revolta da Catalunha de 1640 que levou a que tudo tornasse exactìssimamente a ser como antes (que pena!...) com o fim da monarquia dual, a restauração de Portugal e a subjugação da Catalunha, pois claro. Mas exemplos da História importam só ser contados com o devido jeito. Já lá vamos...
 Ao depois, então, a alernadeira do Nicolaço distribuiu avisos sérios a Madrid e a Bruxelas, que devem cuidar dos sonhos dos povos. — É preciso não deprezar o povo e os sonhos dos cidadãos — e lembrou que há modelos federalistas que podem satisfazer os sonhos das populações...
 Ora bem! Cá está! Já me havia cheirado o velho propósito iberista por via duma federação de nações da Espanha que para aí se aloja nalgumas irmandades. Para isso há-de-se escavacar primeiro o reino de Espanha e derrubar-lhe a monarquia, desbravando assim caminho a uma república federal. O corolário será encavar Portugal na tal federação das espanhas resultante.
 Delírio?
 Algum irmão que assome por aí à soleira da loja e mo desminta enquanto limpa as mãos ao avental.
 Ou algum iniciado arrependido que no-lo confirme.
 O caso com que esta alternadeira do Nicolaço, com seus modelos federalistas de algibeira, bons recados a Madrid sobre os sonhos de autonomia dos povos espanhóis e sinecura… Lusófona… é que tem currículo muito ajustado a doutrinadora de povos, nomeadamente do português: — A falta de inteligência em gerir os sonhos dos povos pode ser dramática — pelo que, inteligentemente, o Ultramar havia de ter sido descolonizado de mão beijada ao primeiro sopro dos ventos da (pré-)história. — Só não esclareceu, do exemplo dado, se era com abandono e generosa dádiva da gente portuguesa que lá houvesse ou se era em debandada como, em fim, a descolonização exemplar
 E o caso de ontem com a Catalunha é que, ao contrário do que troa em toda a imprensa portuguesa — e esta jornalista alternadeira disse-o, mas só entredentes (que gozona!) —, os separatistas não tiveram metade sequer dos votos expressos (v. resumo da coisa). Convenço-me da nossa imprensa e da sua agenda doutrinária que os sonhos de autonomia dos povos se hão-de contar também em votos... sonhados.
 Do que se não parece já sonhar em Portugal, porém, é que convulsões em Espanha nunca nos trouxeram cá bom vento. Sei de ser o jornalismo de alternadeira avesso à História, mas nem precisaria estudá-la; bastava-lhe tão só a noção dela pelo ditado. Pois nem isso.

(Front de victoria i de llibertat!, Marti Bas, 1937, in Loja cartazes de História Social[ista].)

10 comentários:

  1. Pois. E se fosse assim, de caminho, ainda os castelões nos poderiam desde logo de levar um pedaço de mar como justa compensação ora! - que a gente até tem muito, enquanto terra tem já pouca e, assim como assim, à cautela era preferível, que os peixes não desencantam condestáveis... (não que se veja grande sinal de surgir por aí algum, mas nunca fiando)

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  2. Sem navios consegue senhorear-se algum mar?
    Isto cá não passa duma naviarra de tolos.
    Cumpts.

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  3. P.S.: mandei-lhe já dois recados depois da sua resposta do Lince; não nos recebeu?

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  4. Não acredito que este reizinho filipe e seus conselheiros, cheguem aos tacões do seus antecessores em 1640.
    Eles viram logo que Portugal de nada valia, comparado com Catalunya. Veja-se como, agora, eles compraram toda a av da liberdade e logo a venderam.
    A revolta da Catalunya, apoiada pelos franceses, foi esmagada.
    A nossa, apoiada pelos ingleses, não os fez esforçar, excepto com uma guerra de desgaste económico, durante 40 anos (e levaram porrada), e influências papais para não reconhecer os bragança. O que até fez jeito porque o pilim, em vez de ir para a santa sé, ia para o esforço de guerra.

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  5. O lacinho, é a assinatura de um fraco que arma em forte ao usar um adereço made in USA.
    Nos meus tempos, Fernando Archer Moreira Paraíso de Pádua (sobrinho de uma Professora Paraíso que era importante no Estado Novo), veio dos EUA com um lacinho — pago pelo Instituto para a Alta Cultura.
    O que não o inibiu, no seu acto de doutoramento, de não dizer uma palavra de gratidão ao Professor Eduardo Coelho que lhe tinha proporcionado a aprendizagem nos EUA e caucionar o doutouramento. Antes, optou por dar loas aos outros profs de medicina que não lhe tinham dao um chavo.
    Os cobardes são assim.

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  6. Pode parecer...
    O menosprezo dos portugueses não abona os penúltimos Habsburgos. Olivares tentava-o e não foi capaz. E como eles, o novo Filipe de Bourbon perderá se se acanhar e não ganhar força.
    Havemos de ver.
    Cumpts.

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  7. Calhando veio dos E.U.A. com avental a compor o lacinho (cheira-me que o mesmo sucedeu ao Delgado). Daí a obediência aos donos de lá.
    Cumpts.

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  8. Inspector Jaap2/10/15 12:47

    Deixe lá, caro Bic, que com esta cáfila não adianta pôr-lhes debaixo do focinho textos com esta categoria literária e de conteúdo; são complicados, não prestam, nem os pudera tragar, como diriam estas raposas, perdão, toupeiras, dos me(r)dia nacionais.
    Valha a verdade que, dentro de dias,subitamente e como que por passe de mágica, deixará de se ouvir falar em tal, como já aconteceu com a Grécia e o Syrisa e raio dos "migrantes", donde, daí não virá grande mal ao mundo.
    Cumpts

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  9. É. São salpicos da espuma dos dias.
    Cumpts.

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