Imagine o benévolo leitor que por qualquer razão lhe haviam de escrever uma carta e, recebendo-a ou não, lhe atribuíam o ónus de pagar o sêlo.
Recebi da companhia das águas uma carta rezistada avisando-me duma factura por liquidar, de Maio, que nunca recebi. Paguei-a ao depois em Julho, em sabendo que se extraviara, ainda antes de receber agora, não já uma factura, mas uma nota de crédito: meses de sobrefacturação por estimativa (o consumo real é zero há 7 meses) e finalmente acertaram-me a conta. -- Enquanto durou a preguiça de me mandarem alguém ler o contador paguei à companhia as facturinhas de consumo estimado que recebi, a troco de nenhum consumo.
Pois bem! Além do crédito do (não) consumo de água, vim a conferir agora na nota de crédito recebida uma curiosa parcela de 2,00 €, debitados por -- lá dizia -- «serviços prestados: envio de correspondência». -- Há-de respeitar àquela cartinha rezistada que me enviaram avisando-me da factura em dívida que nunca recebi, mas... Não quereis lá ver os marotos: enviar uma carta rezistada é algum «serviço prestado»?!
E é ele algum «serviço» do âmbito do contrato ou algo do objecto comercial duma companhia municipal de abastecimento de água à gente?!!...
Presumia sòmente fornecimento de água a uma habitação, foi o que contratei, não o envio de cartas rezistadas ou cartões de Natal!... Admira-me, por conseguinte, como na mesma ordem de ideias me não cobram o serviço postal das facturas ordinárias – extravie-as ou não o correio -- ou quiçá, de futuro, os bits e bytes dos emílios (e-mails) com facturinhas electrónicas em atarrache (attach)!
Qual a moral de alguém que envia correspondência no seu próprio interesse, de cobrar ao depois ao destinatário o envio de correspondência que ele não pediu para receber?
E qual o justo comércio, afinal, duma companhia das águas municipal -- e monopolista -- que se apresenta como mesquinha credora duma «prestação de serviços» de «envio de correspondência» a um cliente, quando descura o seu trabalho de leitura atempada dos contadores, acabando por financiar-se assim por via de sobrefacturação ou facturação antecipada de quem não consumiu sequer água por mais de seis meses?
Ontem pedi-lhes cordatamente o reembolso dos 2,00 € que se não justificam e disse do abuso à Direcção Geral do Consumidor. Hoje dou-o aqui à praça porque lhe adivinho o mesmo desfecho que vós.
Aguadeiros, Cacilhas, [s.d.].
José Arthur Leitão Barcia, in archivo photographico da C.M.L.
(Revisto às 20 para as 11 da noute.)
Que bela fotografia.
ResponderEliminarTempos difíceis!
Quanto ao pagamento do rezisto, é o vale tudo...
ResponderEliminarA propósito de água...
ResponderEliminarISTO SIM, É ROUBAR:
Valor do consumo da água, com IVA: 53 cêntimos.
Valor a pagar, 17,13 Euros!!!
Onde??? Em Cascais.
Eram tempos de boas imagens. Não haver água canalizada nas casas era simplesmente tão natural como a sede. Hoje muitos se convenceram que foi culpa do Salazar.
ResponderEliminarCumpts.
É descaro.
ResponderEliminarCumpts.
Sobre a água, se a coisa dá para o torto havemos de ver gente a matar-se. Eles andam aí a arranjá-lo...
ResponderEliminarCumpts.
Hoje muitos se convenceram que foi culpa do Salazar.
ResponderEliminarÀ semelhança de SN (e igualmente em Cascais), também cá tenho um ror de continhas dessas: uns cêntimos de água de um total de muitos Euros na factura. No meu caso, ainda não percebi porquê, ao certo, já que "isto" aqui tem a pomposa designação de "escritório" mas não passa de uma simples cave com duas janelas alçadas, a coisa é bem mais desproporcionada: cerca de 40 cêntimos para 40 € de factura, em média.
ResponderEliminarPorém, no que toca a cobrança de "despesas postais" à má-fila , igualmente tenho cá disso mas não das águas "públicas". Em tempos recebi determinada continha de certa advogada que, muito competentemente, arrolou todos os (meus) encargos por sua inestimável e laboriosa prestação de "serviços" (os quais, abreviando, consistiram em absolutamente nada). De uma das parcelas, na dita continha, constava este misterioso serviço: "abertura e leitura de e-mail".
Perdão? Mas como assim, "abertura e leitura de e-mail"?
Fui ver. Do vento não era certamente e a chuva não bate assim. Ah, pois, cá está: a "causídica" enviara-me em tempos determinada alegação a remeter a tribunal, continha erros factuais (e alguns de Português, vá, fingi que não vi, corrigi-os substituindo todo o texto), por conseguinte devolvi o texto dela substituído pelo meu. Era, por conseguinte, isto: estava ela cobrando-me X por ter tido de abrir e ler o email em que eu corrigia o péssimo trabalho dela.
Haja paciência.
Paciência? qual paciência? - é desmascarar essa gente e não andar com paninhos moles, agachados cheios de submissão que é o que são e parece que sempre foram os Portugueses.Levantem-se em vez de continuarem amochados.
ResponderEliminarAdmira-me a tal advogada não ter facturado, alínea por alínea, o serviço de abrir o código e ler os artigos.
ResponderEliminarEke há cada uma.
Cumpts.
Haja paciência.
ResponderEliminarAinda acerca do tema:
ResponderEliminar- 1 m3 de água 0,25 + 6% de IVA, importa no fim da conta em 19.90 euros, sendo
- consumo de água ... 0,25
- várias taxas ... 19,13
- iva 6% ... 0,52
EPAL/CML Julho2015
Obrigado.
Manel.
hehehehe... afinal ainda há coisa que me surpreendem!!
ResponderEliminarPois é! Paga-se tudo menos a água,
ResponderEliminarCumpra.