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quinta-feira, 30 de julho de 2015

Da locomoção sustentada a pão de ló

 O ambiente... Melhor, o Ambiente é uma religião.
 O ministro do culto rezou ontem o catecismo da «mobilidade sustentável». Do sermão e homilia tirei que o rito era gastar 41 milhões em 1200 popós novos, eléctricos (quiçá encalhados no fabricante...) para, com fervorosa devoção numa «gestão partilhada de frota» e devotada fé na conversão do gentio funcionário ao ciclismo e à «condução mais sustentável» (seja lá o que isto quer dizer) se haver de poupar 50 milhões.
 (Ou 50 melões, acreditam os cépticos).
 A ladainha publicada numa folha de couve como se fora notícia (André Cabrita-Mendes, «Governo quer [*] poupar 50 milhões de euros com automóveis do Estado», Negócios, 29/VII/2015) não se explica mas proclama profecias como:



  • a mobilidade eléctrica irá gerar uma poupança de 9 milhões de euros no espaço de cinco anos;

  • a maioria da poupança -- 29 milhões de euros -- irá ter origem numa gestão global da frota pública;

  • 12 milhões de euros de poupança irão ter origem na promoção de uma condução mais sustentável e na redução de emissões de dióxido de carbono.


 Bom, se a mobilidade locomoção é eléctrica, o natural é, não que gere, mas antes que seja gerada e... se dissipe. Mas admitindo que comprar electricidade venha a ser mais em conta do que comprar gasoil, o que me vem logo à ideia é que se aprazerão dele muito mais os chins da E.D.P. que os amorins da Galp ou o portuguesito comum que (ainda) possui 7% dela por meio da Parpública.
 Depois, se se numa «gestão global da frota» de automóveis do Estado houver de poupar tanto como 29 milhões, ou se se mais 12 milhões pouparem pela lavagem ao cérebro do gentio com algo tão bizarro com «uma condução sustentável», então, ámen!
 O que me deixa intrigado é como se alcançará a poupança «na redução de emissões de dióxido de carbono». Só se o ministro do culto deixar de respirar...

image001.jpg
(Imagem de Negócios.)




[*] A notícia tem sofisma: «quer», não significa «garante».


 


(Revisto.)

9 comentários:

  1. e logo agora que o xô ministro acabou c'os sacos de plástico onde podia guardar a pópança...

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  2. Pois é. Tanta sustentabilidade e tão pouca proactibibilidade.
    Cumpts.

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  3. Enviei outro recado para biclaranja[no]sapo.pt

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  4. Capcréus31/7/15 14:41

    Muito bom!
    Melhor ainda é saber que querem gastar 3 milhões dele a fazer um estudo sobre os FP e suas origens. (parece quase um estudo para o tgv ou afins).
    Eu que venho todos os dias de bicla para o trabalho gostava de ver estas ideias peregrinas no terreno, mas isto não é mais do que enganar os papalvos e ajudar um qualquer amigo que tenha um "stander" de binas. :-)

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  5. Seria muito útil que se soubesse quanto já ganharam certos interesses à custa do «ambiente». Aposto esses canalhas nunca estiverem numa área protegida nem sabem o que é um Quercus robur.

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  6. Muita conversa. Sempre conversa. Estudos sem consequência nem prestação de contas.
    Cumprs.

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  7. Lá saberão que seja quer-cus, ambiente típico desta gente.
    Cumpts.

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  8. Caro,

    em boa verdade, por muito avessos que sejam aos sacos de plástico, e por muita soja que comam, se são dessa qualidade de homens, ferem uma das leis mais básicas do Cosmos. Ambientalistas? Leiam Dante: o plano da esterilidade, onde nada medra. Na política, são portanto um perigo. E todo o Príncipe deve colocá-los bem longe dos cargos de decisão.

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  9. Não há príncipe. Não seria democrático...
    Há muito que a confraria tomou o Poder. Os cargos de decisão estão tomados.
    Cumpts.

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