É muito conhecido aquele feliz enlace da História de Portugal entre o Mestre de Avis e a princesa inglesa Philippa de Lancaster (*) (Pippa nos salões do high-life). O popularucho Camões até lhe epigrafou a prole com algo terra-a-terra como Ínclita Geração (ou melhor, Illustrious Generation)... De tão feliz enlace nem só as crónicas sociais rebrilharam com o novo onomástico português, chic a valer, que dali saiu. O pobre, periférico, atávico e provinciano reino de Portugal viu-se logo ali, numa geração, esplendidamente ilustrado com o sucessor do Mestre, o rei Edward, um rei filósofo, o único do género que Portugal alguma vez veio a ter. -- Não menos notável foi a história do seu irmão Prince Henry, que lhe valeu ser cognominado Navigator pelo empreendedorismo náutico e, mais importante, pelo papel de fotocópia premium. Cuido que lhe só faltou visão no papel de jornal...
(*) Nada de confusões com a família dos duques de Aveiro que descenderam do filho bastardo de D. João II, D. Jorge, que consta era anão e que, por se querer mais agigantar em grande fidalgo adoptou o apelido da bisavó Pippa de Lancaster sem conseguir mais que abastardá-lo em Alencastro. Tudo uma desgraça sem direito a crónicas sociais...
Caro Bic
ResponderEliminarNeste caso concreto, não haverá um excesso de rigor de sua parte?
Pessoalmente, aprendi que não devem ser traduzidos os nomes (próprios e apelidos) estrangeiros, bem como as denominações toponímicas estrangeiras, se porventura estas últimas forem as habitualmente utilizadas na linguagem corrente portuguesa (por exemplo, ninguém diz Tolosa em vez de Toulouse; Oxónia em vez de Oxford; ou Bons Ares em vez de Buenos Aires).
Se lhe parece.
ResponderEliminarE a rainha Isabel II? E o príncipe Carlos?...
Os nomes traduzem-se, sim senhor, sempre que haja formas vernáculas, antigas e consagradas. «Londres», «Inglaterra», «Reino Unido» não no demonstram?
Cumpts. :)
Haverá, como em quase tudo, acredito, um ponto algures entre os dois extremos e onde estará um equilíbrio bondoso. O equilíbrio entre a adopção da forma do idioma original, a da sua tradução (cuja dignidade não se discute, mas onde se arriscará por vezes, é de temer, um entendimento reservado a eruditos) e a do uso efectivamente consagrado, quando não seja corruptela indefensável.
ResponderEliminarDepois convirá manter um mínimo de coerência num mesmo texto, procurando evitar o recurso - dir-se-ia aleatório - a uma ou outra.
Costa
Verdade. O algures do ponto entre os extremos que refere, porém, deve existir mas como cisão onde os jornalistas por cá despegaram do príncipe Carlos para pegar os príncipes Guilherme e Henrique por William e Henry. Daí em diante a regra espelha o critério (e o ensino nas escolas de jornalismo), que é nenhum; como vê, anda à vontade do freguês. -- Viva a liberdade!
ResponderEliminarCambrígia (que o editor deste texto nem reconhece como português) por Cambridge no quinau do recorte (o corrector também não conhece «quinau») pode parecer exagero, mas -- e já que fala nela -- 1.º, é coerente com os nomes em português e; 2.º enquanto houver português não haveríamos de ceder a barbarismos. Pode contrariar esta segunda razão o uso não consagrado de «Cambrígia», que vem referido em quase todos os prontuários. Aceito, mas, e a consagração pelo uso não serve aos nomes dos príncipes a partir do príncipe Carlos porquê?
Obrigado pelo comentário. :)
No que concerne ao topónimos, é como V. diz e concordo em absoluto: "(...)sempre que haja formas vernáculas, antigas e consagradas" - Londres, Inglaterra, Reino Unido.
ResponderEliminarNo que respeita aos nomes, especialmente os nomes próprios, pendo para a opinião do comentador precedente, isto é, para um equilíbrio entre a forma original e a forma traduzida, atendendo à prática costumeiramente admitida. Por exemplo, usa-se Papa Francisco e não Papa Francesco para nomear o corrente Sumo Pontífice da Igreja católica; porém, não se utiliza Francisco Holanda para referir o actual Presidente de França, mas sim François Hollande.
O caso é que com a realeza o uso consagra a tradução. O Papa é um príncipe da Igreja.
ResponderEliminarCumpts.
Eh! Eh! Eh!
ResponderEliminarCumpts.