Quem ouça hoje a emissora nacional parece que brotou só agora aí a novidade do caco gráfico: informam que a partir de hoje é oficial: é obrigatório escrever torto e -- acrescentam -- o assunto é polémico.
Este jornalismo de coro canta de cor a agenda oficial. Botar-lhe pitadinha de polémica ajuda ao tempero da oficialidade de toda a treta porque a legitima em tom democrático sem infirmar a doutrina a impor, além de alimentar os foros de prós e prós sem os quais a jornalistagem estilosa não acharia como brilhar. O pregão de oficial leva, pois, pela dissimulação e pela prestidigitação o gentio meio incréu a mansamente resignar-se à boa ordem que, afinal, é (parece) democrática. O caso é que os jornalistas da emissora nacional calaram as vozes da polémica todos estes anos desde que os analfabetos das últimas regências nos serviram com os democráticos cascos o caco gráfico para só agora -- quando é definitivamente oficial -- virem com ela a terreiro.
Pois é com isto que digo muito simplificado nas mentes que se toda gente mete comigo hoje não parando de me dizer: -- Já ouviu a notícia? A partir de hoje é obrigatório!...
-- Ai é! E se eu não cumprir, hem?...
Da brincadeira
(Imagem via Delito de Opinião.)
E porque é que esta chafarica ainda não mudou de nome?
ResponderEliminarA sua (deles) visão não alcança tanto. Nem com óculos lá vão.
ResponderEliminarCumpts.
O Direito e a publicidade são realidades distintas.
ResponderEliminarA dito acordo não foi ratificado e, quanto muito, encontra-se fixado o seu texto (artº 10º da Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados). Nesse texto original exige-se a ratificação - muito diferente da assinatura - de todos os estado intervenientes. Essa ratificação não foi feita, pelo que qualquer modificação posterior (incluída a do chamado 2º protocolo modificativo) necessitaria da ratificação por todos - o que nunca aconteceu.
Assim, o dito acordo não reúne as condições necessárias para estar em vigor na ordem jurídica internacional e, por isso, dele não se podem tirar quaisquer efeitos, na ordem jurídica interna portuguesa, muito menos os pretendidos.
Se calhar a otite foi parar ao cérebro diminuto dos alarves.
ResponderEliminarAbraço amigo.
Bem sei desse argumento, que é válido. E sei que um dos juristas que o elaborou é o actual Provedor de Justiça. O ortográfico não é acordo nem desacordo nem tratado nem lei nem... É um monumental descaso jurídico feito facto consumado. Mas foi ste o caso em que o regime tornou o Portugalinho que criou com Abril. Como foi possível?!!
ResponderEliminarCumpts.
Dito doutra maneira: emprenharam pelos ouvidos.
ResponderEliminarCumpts.
Não é um argumento apenas do actual provedor de Justiça, mas de qualquer jurista que perceba que o direito não patrocina golpadas e se disponha a ler a convenção.
ResponderEliminarO tratado, tal como está, não obriga ninguém.
Do ponto de vista do direito interno é, de facto, inquietante como vários governos e o presidente da república (embora tenha dificuldades notórias em português) caucionem uma total ficção. É, sem dúvida, sinal de que alguma coisa está muito mal.
Que os tontos governem e legislem aos repelões e a descaso do Direito é a desgraça em que nos vemos cada vez mais. Tenebroso.
ResponderEliminarQue o Provedor se tivesse calado e abstido de pugnar pelo Direito que invocou no Diário de Notícias não é apenas torto, mais parece peita.Cumpts
Não, não é peita. É avental. E "obediência" não é uma palavra vã.
ResponderEliminarDá no mesmo.
ResponderEliminarCumpts.
Infelizmente, não dá no mesmo. As crenças, as ideias, as convicções são mais poderosas do que uns tostões (que até podem ser milhões).
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