[...] e porque os engreses que entõ vierom em ajuda delrey dom Fernãdo era[m] hy na corte delrey, pesou em seu coraçom de se hijr a miçe Rreymõ [*] conde de Cambrijs: e ao Conde estabre que vinham por capitaães dos jngreses a lhes pidir que pidissem por merçee a elrey que lhe desse lugar pera acabar sua obra que tinha começada [...]
(«Coronica do Condestabre de Purtugall», cap. XI.)
Tem-se falado nos duques de Cambridge que foram pais duma menina: Carlota Isabel, mas que os das notícias devem ecoar para aí como Charlotte Elizabeth -- para ser chic a valer...
O caso agora aqui não é esse (ou é, mas...); é de como devemos dizer e escrever o topónimo inglês Cambridge. Os prontuários que tenho consultados indicam-me um artificioso Cambrígia com a ressalva de que o uso tem consagrado o bárbaro tal e qual: Cambridge.
Ora o que não vi em nenhum prontuário nem vocabulário foi Câmbrige ou Câmbris, que decorrem, a primeira, da forma Cambrig (guê final lido como jê) expressa por Fernão Lopes em nada menos que vinte ocorrências na «Crónica de D. Fernando», e a última, de Cambrijs (o 'j' vale como 'i') que nos é dada a ler na «Crónica do Condestabre». Sonoramente são ambas, Câmbrige e Câmbris, muito iguais entre si e muito próximas ao étimo inglês. Decididamente são menos estranhas que Cambrígia. Porquê então terem sido esquecidas dos lexicógrafos e dos autores dos prontuários?
[*] Modernamente escrevê-lo-iam Mr. Raymond...
Eu bem queria poder responder-lhe, mas a minha literacia tal não me permite, pelo que lhe peço mais uma lição de... Bom Português, pois então!
ResponderEliminarCumpts