Da minha rua via-se o Tejo. Nas manhãs ensolaradas das minhas férias da Páscoa a neblina tornava o scenário diáfano. Essas manhãs luminosas antecipavam-me as férias grandes; até lá o 3.º período era só um passinho...
Lembranças que me vieram com uma nesga de sol em neblina brilhante esta manhã, mas que nem vão já com o tempo como o que se hoje, ao depois, pôs. Lembranças que não são elas, sequer, do tempo das fragatas nem das ancestrais fainas ribeirinhas que o Tejo evoca. Lembranças ainda novas, pois, mas de tempos em que havia, todavia, marinha mercante compondo o Tejo com navios também eles agora de antigamente e que já não há; uns como no meu livro da segunda classe, com ponte ao meio e guindastes à vante e à ré, a fazer vezes de mastros veleiros. Modernamente agora é tudo contentorizado, em formato standard: ele é a carga, a descarga, a estiva, o Tejo, Portugal... E bem acreditado, é tudo certificadinho.
Esses cargueiros de silhueta antiga, há dias falava deles com alguém... -- foram-se, como as velhas fragatas. Foi-se a marinha mercante, foi-se o mar, o Ultramar, foi tudo. O Tejo ficou. Espraia-se para ali à esmola de paquetes em cruzeiro enquanto Lisboa, princesa camoneana das outras cidades, se curva a servir camones.
Fragatas no Tejo, Lisboa, 1966.
Armando Serôdio, in archivo photographico da C.M.L.
Que saudades do Tejo cheio de fragatas...
ResponderEliminarBelo pedaço de prosa. Maravilhosas reminiscências, estas suas, de tempos idos que tantas saudades deixam - a si, a mim e a todos aqueles que amam profundamente esta Terra Santíssima - e que, para nossa imensa mágoa e infinita tristeza, não voltam nunca mais.
ResponderEliminarMaria
Que saüdades!...
ResponderEliminarCumpts.
Não voltam. Mas obrigado.
ResponderEliminar:)