 Orthographia da lingoa portugueza ensinada em quinze lições pelo systema de Madureira, rectificado pelos principios da grammatica philosophica da lingoa portugueza de Jeronimo Soares Barbosa, acompanhada das principaes regras da boa pronunciação, e seguida de um copioso catalogo das palavras portuguezas por ordem alphabetica, com a indicação de suas significações no uso actual, e dos erros mais ordinarios do vulgo na escriptura e pronuncia de algumas dellas por Tristão da Cunha Portugal. -- Segunda Edição. Pariz. -- V. J.-P. Aillaud, Monlon e C.ª, Livreiros de Suas Magestades o Imperador do Brasil e el-Rei de Portugal. -- Rue de Saint-André-des-Arts, 47. -- 1856 (p.4).
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Boa noite caro Bic,
ResponderEliminarLi algures na internet que os alunos que não utilizarem o infame acordo nos exames serão penalizados na respectiva nota. Depois não admira que os adolescentes falem e escrevam em monossílabos como por exemplo: «ya, tou, tá-se, bué, tipo»
Caro Bic Laranja
ResponderEliminarMais uma pérola. Serviço público exemplar. Sois pescador de fino faro. Eu bem escarafuncho nesta Rede, tentando encontrar volumes de grammatica e orthographia de antanho, bem como livros na graphia original dos séc. XVIII e XIX, mas raramente lhes encontro o rasto. Falta-me o isco certo!
Mas, àcerca do que já consegui ler, tenho de fazer dois reparos: o auctor, como muitos outros, erra naquela história dos minhotos. (pág 3, nota 1) Mais um pormenor que desvirtua o conjunto. Os nortenhos não trocam o "b" pelo "v". "b" é "b" e "v" é "b". "Bota" é "bota" e "bota" é "vota". Pelos vistos, esta crença começou pelo século XIX e perdura. Será que o pessoal viaja pelo Minho com olhos de ouvir?...
"Tãobem" curiosa é a ideia de superioridade lisboeta da pronúncia. Portugal é Lizboa e o resto é paisagem... Brazileiros, Alemtejanos, Algarvios, Saloios, Beirões... Como esses tipos "falão" mal! Em relação à maneira errada do falar lisboeta, como a troca do "e" grave por "a", por exemplo, nem pio. Moita carrasco!
Não deixa de ser curioso que, já naquella altura, a história do "contexto" se faça sentir: "(...) assim como a palavra rio significa nome e verbo (rir), e somente pelo sentido do discurso é que se distinguem, tãobem seria o mesmo nos outros. Porem nós dizemos que as confusões de devem diminuir e não acrescentar, e para isso é que serve a arte." (pág. 16) Simplesmente delicioso!
Boas pedaladas.
Quando se altera a ortografia, altera-se a alma de um povo, dado o valor metafísico das letras, e o seu devido impacto no inconsciente colectivo nacional.
ResponderEliminarOs aprendizes de feiticeiro sabiam o que estavam a fazer. Além da ortografia, alteraram a bandeira e o hino. Diz a sabedoria oriental que os símbolos e os mitos dominam o mundo. Do fundo azul e branco passámos ao verde e ao vermelho. Os tais aprendizes são destrutivos. O mito de Sodoma e Gomorra representa as consequências dos actos dos canalhas em causa.
Depois com o tempo veio o mamarracho, o hip hop, a pelintrice, vieram as três bancarrotas.
Mais de um século nisto. O paulatino regresso à barbárie está velado pelo avanço tecnológico importado.
Obrigadíssimo Caro Bic, por esta pérola! A minha querida cidade do Porto devia mas é estar "invita"... pelo apoio dado ao Pedro dos aventais e quejandos.
ResponderEliminarAbraço amigo
«Invita» é o oposto de invicta, me parece.
ResponderEliminarCumpts.
Tem razão. Portugal quase feito tábua rasa. Só não obliteraram ainda o nome. Mas é só o que falta.
ResponderEliminarCumpts.
Obrigado.
ResponderEliminarNão me parecem descabidos os exemplos. Se o vê por bê se não aplica inteiramente aos minhotos, nota-se noutros lugares nortenhos, e nalguns não tão nortenhos.
Dos vícios alfacinhas, o âi por ei que aponta pode ser que não ocorresse no tempo deste auctor. «Le» por «lhe» também se aplica nos alfacinhas mais fadistas. Mais «les» podiam ser assacados, admito.
Destas obras antigas, acham-se algumas em purl.pt .
Cumpts.
Sim. Também uma entidade que se chama Conselho Nacional de Educação tornou a propor que os meninos das escolas primárias e secundárias não chumbem, porque isso sai caro ao país. -- Não consta que o dito conselho sentado à mesa do orçamento do Estado seja coisa barata... -- Pois essa mocidade sempre tão democraticamente rebelde, com estar já a ver-se conselheiral e administrativamente aprovada, borrifa-se em ortografias nova e seminova, exames, escolas e em tudo. Há-de seguir a grunhir vida fora: os melhores, contestatàriamente aos microfones da imprensa berrando por direito a tudo; o escol, em São Bento, bolçando consabidos roncos e grunhidos de primeira água democrática.
ResponderEliminarPortugal é só já um nome de que nos ainda não desabituámos nesta estrumeira.