Apprendi a palavra «sirigaita» com a minha mãe. Quando se casou em 1956, a minha mãe foi morar para a calçada de tal lugar, 67. A uma vizinha -- a D.ª Adelina que já lá morava -- ouviu, sem querer, dizer como soem dizer vizinhas: -- «Quem será a sirigaita que se muda para cá?»
Ficaram amigas. Tanto que a D.ª Adelina ainda nos annos 80 e com oitenta e tal, rija, visitava a minha mãe para tomar chá e conversarem.
Numa d'estas vezes, por esses annos, estava o Brooks comigo a jogar Monopoly ou algo que o vallesse e, como cumprimentei a D.ª Adelina á chegada, educadamente me imitou elle. Mal as senhoras passaram ao chá, porém, e nos deixaram á vontade, perguntou-me elle desabridamente: -- «Quem é aquella velha tão feia?» -- Admirei-me da observação pois, conhecendo eu de sempre a D.ª Adelina nunca me occorreram juízos d'aquella ou d'outra ordem quanto á sua belleza. Para mim a D.ª Adelina era simplesmente a D.ª Adelina.
Mais tarde devo ter fallado do caso a minha mãe que me ahi, então, contou só a historia da «sirigaita» sem commentar o resto.
Imagem: J. P. Machado, Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, 4.ª ed., Horizonte, Lisboa, 1987.
(Revista a translitteração greco-romana em 1/10 ás dez e um da manhã.)
terça-feira, 30 de setembro de 2014
Sirigaita
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Que delícia de consoantes!!!
ResponderEliminarEram, não eram. Já vê a riqueza que esbanjamos...
ResponderEliminarCumpts.