Dantes a toponímia era popular e espontânea. Hoje é política e tende a sobrepor-se à ancestral. Mas sobrevivem inúmeros topónimos populares -- era difícil a politiquice dar cabo em todos -- e alguns dos oficiais não valem, o povo não faz caso deles.
Só para mencionar alguns bem conhecidos em Lisboa.
No velho Rossio (a par do Terreiro do Paço) a toponímia oficial (Praça D. Pedro IV e Praça do Comércio) não pegou nem há-de de pegar na voz popular; no Terreiro do Paço porque não, e no Rossio o mesmo, mesmo apesar do imperador (do México, motejam os cáusticos) a mostrar-se lá bem no alto pedestal.
Idem no Areeiro, com vulto bem menor e estatuária ínfima e ridícula.
(Na Rotunda impõe-se a toponímia abreviada de Marquês, porém...)
Contudo a voragem da modernice sobre a toponímia, tanta vez aventaleira, tanta vez saloia, tem tentado tragar inúmeros outros topónimos espontâneos: a Sete Rios pespegou-se oficialmente o Humberto Delgado e, não bastante, ainda lá, mas nas catacumbas do Metro, bem se catam as alimárias... -- «Jardim Zoológico» de sua graça. -- «A bem de se não perder o incauto turista da Expo 98», justificaram a preceito os iluminados da regência destas cousas. -- Tolices! -- Outro tanto se deu no Socorro, outrora nome de lugar, rua, largo, igreja paroquial (tudo extinto) e, finalmente, freguesia (não sei se extinta também no chafurdo administrativo modernizador. Diz que isto para poupar uns patacos).
Quanto custa a memória perdida, sabeis calcular?

Olivais a sério e não de cimento, nem Expo, Lisboa, 1944.
Eduardo Portugal, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.
Só para mencionar alguns bem conhecidos em Lisboa.
No velho Rossio (a par do Terreiro do Paço) a toponímia oficial (Praça D. Pedro IV e Praça do Comércio) não pegou nem há-de de pegar na voz popular; no Terreiro do Paço porque não, e no Rossio o mesmo, mesmo apesar do imperador (do México, motejam os cáusticos) a mostrar-se lá bem no alto pedestal.
Idem no Areeiro, com vulto bem menor e estatuária ínfima e ridícula.
(Na Rotunda impõe-se a toponímia abreviada de Marquês, porém...)
Contudo a voragem da modernice sobre a toponímia, tanta vez aventaleira, tanta vez saloia, tem tentado tragar inúmeros outros topónimos espontâneos: a Sete Rios pespegou-se oficialmente o Humberto Delgado e, não bastante, ainda lá, mas nas catacumbas do Metro, bem se catam as alimárias... -- «Jardim Zoológico» de sua graça. -- «A bem de se não perder o incauto turista da Expo 98», justificaram a preceito os iluminados da regência destas cousas. -- Tolices! -- Outro tanto se deu no Socorro, outrora nome de lugar, rua, largo, igreja paroquial (tudo extinto) e, finalmente, freguesia (não sei se extinta também no chafurdo administrativo modernizador. Diz que isto para poupar uns patacos).
Quanto custa a memória perdida, sabeis calcular?

Olivais a sério e não de cimento, nem Expo, Lisboa, 1944.
Eduardo Portugal, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.
a estação de comboios ainda se chama Sete Rios e há mais alguns casos em que o nome popular seja ele moderno como o caso das Picoas que designa a zona onde fica o Forum PT e zona circundante como os mais antigos como o caso do Rossio.
ResponderEliminarEm Lisboa a topomínia oficial raramente pega, a que pega mesmo é a popular que nasce sobretudo à pontos de referência como estações ou paragens de transportes, áreas comercias, etc. ou então já tem raízes no povo e os novos nomes não pegam
Sim. A estação do comboio é de Sete Rios. Do conjunto, rodovia, Metro e caminho de ferro, cada coisa com seu nome, há-de ter saído a moderníssima designação «interface». Um notável melhoramento (a par das rotundas) com que as vereações premeiam os vizinhos da cidade.
ResponderEliminarAs Picoas não eram onde está o Imaviz. As Picoas eram além do Saldanha; o troço que sobrevive da estrada das Picoas assim o denuncia. Mas o nome sobrevive; desviado, sim, mas sobrevive.
Cumpts.
Presumo que seja onde fica o centro de emprego
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