
Rua de Arroios, 44, Lisboa, [1901-1908].
Fotógrafo não identificado. Arquivo Fotográfico da C.M.L., A1299.
Uma interessante fotografia de autor não identificado. Retrata um gailoiero no n.º 44 na antiga rua direita de Arroios nos alvores do séc. XX. A scena é trivial. A rua de Arroios era pouco mais que um ermo caminho arrabaldino que começara havia pouco a povoar-se de indústrias. Trivial também é, pois, verem-se os raros alfacinhas das adjacências meios especados a fazerem-se ao retrato. No plano do horizonte, de trás do prédio avista-se a encosta no fim do Monte Agudo e o declive acentuado da sua encosta SO, onde havemos hoje a Rua Heliodoro Salgado.
O gaioleiro -- três andares revestidos a azulejo, sobrado de 5 sacadas na frente, platibanda de balaustrada e piso de trapeiras decoradas a ferro forjado -- não há-de ter sido demolido há muito, a julgar da pinta do que lá achais agora. Pois aquele velho gaioleiro de esquina antecedia na Rua de Arroios a fábrica de cervejas Peninsular (successora (?) das Cervejas Leão de 1878). Entre ambos a serventia que se entrepunha nestes singelos tempos de 1900 era o Caminho do Forno do Tijolo, que terminava (ou começava) justamemente neste ponto da Rua de Arroios antes de ser truncado pelas novas Av. D.ª Amélia e Rua António Pedro. Na confluência, aqui, do Caminho do Forno do Tijolo com a Rua de Arroios desembocava também o Regueirão dos Anjos, que se identifica bem na imagem entre o anexo ameado nas traseiras do prédio e o muro duma casa do lado de lá onde se vê parte dum telhado de quatro águas. Esta casa no lado de lá do Regueirão dos Anjos era uma certa Villa Braz...
A deixa que dou ao benévolo leitor no fim desta ladainha toda, se aqui chegou, é dizer quais destes cachopos aí acima lhe parece que frequentassem a Escola Estephania...
Quanto à sua pergunta, se calhar eram os cinco miúdos que levam livros e caderninhos debaixo dos braços e na cabeça boné ou chapéu e que aliás são os mesmos nas duas fotos:)
ResponderEliminarIsto, porque os estão a mais na primeira foto e sem livros, não eram alunos de certeza: um calceteiro; uma miúdinha que parece levar uma trouxa de roupa; alguém que se está a afastar com a imagem tremida; um outro mais crescidote, encostado à parede, seria um curioso que andaria por ali e aproveitou a deixa para ficar na imagem.
Maria
Mas a Fábrica de Cerveja Sagres não ficava por estes lados, com as trazeiras para a António Pedro?
ResponderEliminarMaria
Ora bem! É isso mesmo. Os cachopitos da escola nesta imagem é que me alertaram para a proximidade deste n.º 44 da Rua de Arroios com a dita Escola Estephania. Ao ver que eram os mesmos foi quanto me bastou para achar onde era exactamente a Villa Braz, ou Escola Estephania: na rua Frei Francisco Foreiro, onde esta se cruza com a António Pedro, mesmo ao cimo do Regueirão dos Anjos.
ResponderEliminarNoutras fotografias da Rua de Arroios, neste troço aqui perto, sempre aparecem estes miudinhos de ante do fotografo. Deve ter sido uma festa para eles.
Cumpts.
Centralcer. Sagres, pois. Era mesmo na António Pedro, mas meia desviada deste lugar, a 1/3 do caminho daqui até ao hospital de Arroios.
ResponderEliminarCumpts.
Nasci na rua de arroios no páteo de ourives nº 4,em 1959,tenho tentado tudo por tudo para encontrar alguma fotografia do pateo de ourives pois não consigo encontar de maneira nenhuma, se alguêm me podesse facultar uma foto eu adoraria pois o meu pai também nasceu no páteo de ourives. Obrigada.
ResponderEliminarDo pátio não sei de fotografia nenhuma...
ResponderEliminarMas hei-de procurar.
Cumpts.
Quase quase o Pátio dos Ourives.
ResponderEliminarCumpts.