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segunda-feira, 23 de setembro de 2013

«Le Brésil n'est pas un pays sérieux» (*)

 Quando o pacifista Nehru invadiu o Estado Português da Índia em 1961 o eng.º Jorge Jardim veio a Lisboa expor ao Dr. Salazar um plano de resgate dos cativos portugueses. Meio incrédulo, o Dr. Salazar achou o tal plano praticável e deu-lhe aval. -- O eng.º Jorge Jardim conseguira por um golpe audacioso «meter no bolso» um negociante indiano de Moçambique que tinha negócios escuros com o filho do ministro indiano das Finanças; consegiu dele um livre-trânsito e, acompanhado da enf.ª pára-quedista Ivone Reis, introduziu-se na Índia com uma carta do Ministro do Ultramar mandatando-o para falar em nome do governo português. Exigiu a libertação imediata da equipa da R.T.P. que lá estava prisioneira, pediu para escolher um quadro da galeria dos vice-reis para trazer para Portugal e negociou o plano de retirada dos portugueses que posteriormente deveria ser enviado pelo nosso ministro dos Negócios Estrangeiros. Os indianos concordaram com tudo.
 Sem relações diplomáticas com a Índia, o plano da retirada dos portugueses foi enviado à embaixada do Brasil em Nova Deli que era quem, por acordo diplomático entre Portugal e o Brasil, representava os interesses de Portugal na Índia. Passado tempo, sem nada acontecer, o Dr. Salazar mandou procurar e informar o eng.º Jorge Jardim de que o plano não estava a resultar. Informado do caso, logo ele se pôs em campo para descobrir que o plano tinha estranhamente sido retido na embaixada pelos brasileiros, chegando mesmo o governo indiano a ver-se obrigado a exercer pressão diplomática para conseguir por fim receber o plano de repatriamento dos portugueses.


 Há pedaço falaram-me duma notícia e lembrei-me desta história (**). Razão teria o gen. De Gaulle.

Zé Carioca, n.º 1880 (1991)
Zé Carioca, 1880, in Mercado Livre.




(*) Frase atribuída ao gen. De Gaulle.
(**) Li-a com ainda com mais sumo de pormenores no livro do Ten-Cor. Brandão Ferreira, «Em Nome da Pátria» (1.ª ed. Dom Quixote, Alfragide, 2009, pp. 219 e ss.) que o meu estimado amigo e colega sr. António Fernandes muito gentilmente me ofereceu há dias.

6 comentários:

  1. De Espanha costumava-se dizer que de lá não vinha nem bom vento nem bom casamento, já das terras de Vera Cruz não sei o que dizer tamanho é o ódio que destilam sobre Portugal...

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  2. Bic Laranja25/9/13 23:07

    Têm vergonha do que são. Descarregam nas origens. Quer maior estupidez?
    Cumpts.

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  3. mujahedin26/9/13 10:36

    Saberão o que são, ainda?

    E saberemos nós, o que ainda somos? Mas como, se já mal sabemos o que outrora fomos?

    Enfim, quando os portugueses se tratam a si próprios e à sua pátria da maneira que vemos e temos visto há quarenta anos, é sensato esperar que melhor seja o tratamento vindo de fora?
    Fora eu brasileiro e também não saberia o que pensar das minhas origens. Espero que, ao menos, tivesse piedade.

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  4. Ser, já não somos. Poucos sabemos já o que fomos. Depois do grande acidente nacional Portugal acabou.
    Cumpts.

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  5. Inspector Jaap27/9/13 16:21

    É com as lágrimas nos olhos que vos dou razão…
    Será que não resta nem um descendente dos Conjurados de 1640? Eu não o serei dos 40, seguramente, mas, calhando até posso ser de um dos outros 10, ou isso que é, dos “prosaicos”. Ainda me sobra fôlego, parafraseando o Cid, para não ficar em casa… Eu sei que eles estão aí, mas escondidos.
    Cumpts

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  6. Ninguém se quere meter nisto. E enquanto jorra a teta estrangeira os cães não largam o osso. Quando a penúria for total é possível que surja alguma alma. Se ainda a houver.
    Cumpt

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