Os desempregados do poder andam desvairados com o rabo de palha da nova (ou breve) ministra das trocas- -baldrocas. Estribados nas correlegionárias trombetas da rádio e TV acossam-na impiedosamente. -- Que se deve ela demitir, pois claro!, pois mentiu a uma comissão inquiridora da sacrossanta Assembleia, não quereis lá ver o pecado mortal?! -- Com o que se tem visto, confesso não entender a sanha moralona. Ainda há tempos sucedeu um mentiroso compulsivo também agora para aí desempregado do poder... Bem o vejo agora a cavalo na televisão do Estado à cata do poleiro outra vez...
Adiante.
Sob a barragem da oposição apresta-se por aí a sr.ª ministra a defender-se diante dos pés de microfone que lhe zumbem em redor. Ontem ouvi-a por tudo e por nada, tal como aos outros. Na véspera vira-a na televisão de relance, sem lhe ligar ás palavras, mas notando-lhe boa apresentação: penteada, rosto magro e jovial; muito airosa. Imagino que o labor numa secretaria do Estado lhe não tolha a agenda do lifting nem a presença ininterrupta nos areópagos a defender-se do acôsso. Se se assim governa uma nação é outra história, mas é como a coisa dos partidos vai...
« A política partidarista fez perder aos indivíduos o sentido nacional. A dinâmica da luta política, a paixão pelo poder alteraram na consciência dos homens o conceito de servir a Nação, através das instituições políticas. Se o partido não governa, é sobre o País que recai a animadversão do seu ostracismo. Não é possível, nessas mentes apaixonadas, a distinção entre o que pode combater os homens sem amesquinar as pátrias, e o que pode diminuir estas de envolta com os seus governantes.»
Oliveira Salazar, «Nota oficiosa», [16/7/1934], in Carlos Camposa, Salazar. Respondendo a Afonso Costa, [Editora do Minho], [Barcelos], 1976, pp. 20-21.
Pode a alguns parecer que tomo partido da ministra, mas não. Se a boa razão manda crer desta gente -- como expunha o dr. Salazar sôbre o tempo da I.ª República -- que «uns eram piores que tudo, alguns melhores que os outros», o panorama hoje é que «tão bons são uns como os outros». Com «bons», aqui, a serem na realidade maus. E sem mais ninguém no horizonte, que é péssimo.
(«Uma escolha pessoal de Passos», Sol, 5/VII/2013.)
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