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sábado, 15 de junho de 2013

O posto 6 da Caixa e a pilhagem

 O primeiro caso de demolição dum prédio modernista no eixo da Praça do Chile ao Areeiro foi  na Alameda. Foi demolido c. 1970 o prédio do gaveto do lado de baixo da Carvalho Araújo (Alameda de D. Afonso Henriques, 17; Carvalho Araújo, 103) para se ali fazer o mamarracho de 8 andares que serve de posto da Caixa (dantes era o posto 6, agora há-de ter nome mais pomposo, de certo).
 Não sei por que foi demolido então um prédio de pouco mais ou menos 30 anos. Estupidez e gosma ao dinheiro. Dinheiro público, porque o que se ali fez foi e é do Estado.

Alameda de Dom Afonso Henriques, Lisboa (M. Novais, c. 1948)
Alameda de Dom Afonso Henriques, Lisboa, c. 1948.
Mário de Novais, in Bibliotheca d' Arte da F.C.G..

 Ainda nos anos 70 foi demolido o n.º 66 da Alameda, de fins dos anos 30. Mais recentemente as mesmas mentes permitiram ao seu lado, o hotel mamarracho (Almirante Reis, 188) que está diante do Pão de Açucar.

Alameda de Dom Afonso Henriques, Lisboa (M. Novais, c. 1950)
Alameda de Dom Afonso Henriques, Lisboa, c. 1950.
Mário de Novais, in Bibliotheca d' Arte da F.C.G..

 Às mãos de trastes sem cultura cívica nem noção de História ou património imaterial -- que seria afinal seu -- morrem os restos de Portugal. Não vale a pena dizer mais nada...

10 comentários:

  1. A proliferação do mamarracho começou no final do Estado Novo. Algures final dos anos 60. O que explicará isto? O que mudou? É que não encontro beleza em quase nada do que se construiu depois...

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  2. A mentalidade de fazer tábua rasa recua aos anos 30. Veja a Mouraria e os planos do Rossio e da Praça da Figueira.
    Sucede que do tempo de Duarte Pacheco aos anos 60 havia terrenos de sobra, em que só solares rurais e casais dispersos havia. Depois o espírito «empreendedor» continuou, a expensas das avenidas novas e, fatalmente, das novíssimas.
    Quanto ao gosto, tem vindo a par da civilização. Barbarizou-se.
    Cumpts.

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  3. Nos anos 40 fizeram um grande atentado contra o país quando demoliram desnecessariamente a Alta de Coimbra.
    De facto o problema é mais antigo.

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  4. Bic Laranja16/6/13 15:55

    Bem vê...

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  5. Fui ver algumas das ligações que deixou, umas já tinha visto, outras não. O monstro que edificaram frente ao Pão d'Açucar, comparado com o que lá estava que não era nada do outro mundo, é de fugir. H-o-r-r-í-v-e-l. De um mau gosto atroz. Há que pôr termo a este pavor de gente. Quando é que este regime, criminoso em todas as suas vertentes, acaba de vez??? Quando é que nos iremos livrar destes assassinos de Pátrias, de povos, de cidades, de identidades, da autoridade, da moral, do civismo, da educação, do respeito, da ética, da ordem estabelecida e, como se fosse pouca a velhaquice, da Soberania e da Independência? Quando é que termina a triste sina deste bom povo? Se o que de tão trágico nos tem vindo a acontecer nestes últimos quase quarenta anos, não é o resultado do verdadeiro Demónio a actuar entre nós - e quem não acreditar Nele basta-lhe comprovar o que Ele tem vindo a fazer ao nosso País e ao nosso Povo e tem aí a prova acabada - então não sei o que Lhe chamar.
    Maria

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  6. No que diz respeito a monstros, estou em crer que no Porto o cenário é ainda mais dantesco. Hoje o Porto mais parece uma cidade da América Latina ou do Magrebe.

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  7. «Não bem que sempre dure nem mal que se não acabe.» Portugal já não dura, isso eu sei...
    Cumpts.

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  8. Cuidei que o Porto estivesse melhor, mas já percebo que é tudo igual. Portugal inteiro deu nesta vergonha de betão armado. Que tristeza!
    Cumpts.

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  9. ASeverino12/7/13 13:35

    Atenção aos patos bravos dos anos 60, J. Pimentas e cª. que iniciaram a destruição de Portugal.

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  10. Sim. O desastre vem dos annos 60.
    Cumpts.

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