| início |

terça-feira, 11 de junho de 2013

Chafariz das Terras (*)

 Há meia dúzia de annos escrevi sobre estes lugares lá para os lados da Pampulha, mas o assunto tinha-me passado. Lembro-me de ficar falado com o confrade Je Maintiendrai de nos 'atirarmos' ao Chafariz das Terras quando ou se ele tornasse à blogosfera, o que não sucedeu. E assim  mais esquecidas ainda as Terras ficaram.
 Ora há dias a prezada Helena teve a gentileza de me mostrar esta novidade antiga (entre inúmeras mais), a qual muito me intrigou.

Charariz das Terras, Lapa (A.F.C.M.L., post 1910)
Chafariz das Terras, Lisboa, post 1910.
(In Arquivo Fotográfico da C.M.L., A8294; imagem s/ marca de água por gentileza de Helena Águas.)

 Aventei que a scena fosse na Rua da Buraca que desce assim paralela ao aqueduto que ali passa e também porque ao fundo da qual o aqueduto inflecte para a esquerda, como na imagem. Cuidei então que a estrada em segundo plano pudesse ser a do Calhariz de Benfica. A fisionomia do lugar, porém, não jogava com a Buraca. Havia então de se verem os mapas do Levantamento da Planta de Lisboa - 1904-1911 seguindo primeiro o aqueduto das Agoas Livres, onde nada se via que batesse com a scena; depois eram de se explorar os ramais do dito aqueduto, começando pelo que levava água às Necessidades. Se não, logo se veria o quebra-cabeças...
 Pois bem, logo na primeira inflexão deste ramal do Aqueduto, assunto arrumado.
 A scena é da Rua do Pau da Bandeira. Ao fundo onde se ajuntam as lavadeiras é o Chafariz das Terras e a taberna das iscas e, lá adeante, cruzando a imagem, a Calçada das Necessidades. O palacete ao cimo da calçada sobrevive e corroborou o achado. O arvoredo que se estende e lhe esconde um corpo anexo é a tapada das Necessidades. No vale oculto entre o cômoro de cá e o de lá veio a rasgar-se a Av. do Infante Santo.
  Nas vistas de rua do Guglo comprovei com sastefação que a casinha mais alta da rua à dereita, com duas trapeiras e um pequena clarabóia, é o 46 da Rua do Pau da Bandeira; tem fachada de azulejos com uma imagem de santo sobre a porta e não está devoluta.
 A casa branca sobressaindo, de que se vêem as traseiras com estendais, também parece conservar-se, mas com modificações; é o n.º 17 da Calçada do Arco do Chafariz das Terras (v. http://binged.it/165iOjE).
 Ainda lá estar a  taberna das iscas a par do chafariz é que já era pedir demais.




(*) No título do verbete estava (mal) escrito «Charafiz das Terras», dei por ele há pedaço. Como quem cá passou não disse nada e quem cá não veio não tinha nada que dizer, emendei-o. É um quarto para as sete de doze de Junho.

12 comentários:

  1. Maria Filipe Henriques11/6/13 22:03

    Sempre ouvi a minha avó contar que a a mãe dela lavava a roupa no Chafariz das Terras. Os meus bisavós viviam num pátio que existia na Travessa Francisco Borja à Lapa, quase em frente ao Consulado Inglês. Esse pátio entretanto foi demolido.

    ResponderEliminar
  2. Marcos Pinho de Escobar11/6/13 22:26

    Maravilha! Pois não é que vivi uns tempos aí mesmo, na Rua do Arco do Chafariz das Terras? Está tudo tão mudado... Quando lá vivia o chafariz estava que era uma miséria. Há alguns anos por lá passei e andava tudo limpinho e arranjado. Agora já não sei. Vou guardar a fotografia com carinho. Obrigado pela lembrança, Caro Bic!

    ResponderEliminar
  3. Helena Águas12/6/13 07:05

    encontrei a propósito um belo texto de David Mourão Ferreira aqui: <a href="http://www.jf-lapa.pt/site/pagina.asp?nome=curiosidades> O Bairro da Lapa </a>

    ResponderEliminar
  4. Helena Águas12/6/13 07:07

    (não sei incorporar linques aqui no sapo :]

    http://www.jf-lapa.pt/site/pagina.asp?nome=curiosidades

    :)

    ResponderEliminar
  5. Remissão directa:
    O Bairro da Lapa. (Faltaram as aspas a fechar o href="http://...")
    Obrigado.

    ResponderEliminar
  6. Calhando, com mais detalhe via-a aqui, à sua bisavó.
    Cumpts. :)

    ResponderEliminar
  7. O chafariz está alindado, mas as ruas (mal desta civilização infernal) estão atulhadas de automóveis.
    Guarde a fotografia maior (clique na imagem) que a pesar da marca de água é bem melhor.
    Cumpts.

    ResponderEliminar
  8. Por acaso até reparei..., mas não tive coragem de dizer nada:), passando adiante. Ademais quem sou eu para o corrigir?! Depois, como o título persistia, pensei tratar-se de um nome dado a determinada obra ou pequena edificação cuja designação (estranhíssima) eu desconhecia por completo e neste caso seria eu a estar errada;))
    Maria

    ResponderEliminar
  9. Passo trocado na dança do tecladao ou (mais prosaicamete) descuido apressado.
    Penhorado pela estima.
    Cumpts. :)

    ResponderEliminar
  10. Maria Filipe Henriques14/6/13 11:11

    Quem sabe se não é umas daquelas mulheres, embora nunca a tenha visto, ela esta muitas vezes na minha cabeça!
    Obg. e cumprimentos.

    ResponderEliminar
  11. Pedro Rodrigues15/6/13 14:06

    Sr. "Bic Laranja" repare que no seu comentário á foto que eu li com tanta atenção está também um pequeno descuido de teclado... "seguindo primeiro o aqueduto das Agoas Livres" Águas tem um O ....

    sou viciado nestes verbetes por acaso sabe ou tem conhecimento de algo sobre Queluz ou Massamá?? Obrigado...

    ResponderEliminar
  12. Por acaso ali usei a graphia antiga de propósito. Mas devia assinalá-lo em itálico, bem entendido.
    Grato pelo apreço.
    Queluz: http://biclaranja.blogs.sapo.pt/147070.html

    ResponderEliminar