No verbete do analfabetismo do tempo de Salazar há um comentário acerca da fornalha Abrileira que derreteu a instrução pública em Portugal e um outro de quem se presume oriundo dessa fornalha e que discorda de se dever cotejar a antiga 4.ª classe com o que havemos hoje.
Eu não me presumo da fornalha Abrileira, sou-o necessàriamente. De Outubro de 73 às férias da Páscoa de 74 só por engano havia de dar em «fachista»...
Por ledo engano também, de certo, nutri antes, durante e depois do 25 de Abril um certo fascínio pelos livros de leitura da primeira e da segunda classe, livros únicos do oficialão Ensino Oficial -- «fachista», claro. Guardei-os sempre sem motivação de partidos e qui-los logo desde criança, vá lá entender-se, enquanto a democrática liberdade não teve tempo de substituí-los com ou até sem proveito antes de 76.
Pois logo nesse ano que era o da minha terceira classe 1.ª fase do 2.º ano, o livrinho de leitura revelado pelo novíssimo regime lembra-me bem o seu nome: «Vento Novo»; uma baforada ideológica logo no título bufado às ventas de criancinhas de 8 anos, que era o que a livre democracia gastava então (hoje começa mais cedo). Nunca tive pulsão de conservar este como os outros, não sei dizer porquê. Talvez da liberdade... de o poder desprezar e deitar fora... Do livro da 4.ª classe, esse, nem o nome me ficou, muito por efeito da tal fornalha que começava a derreter-nos, às criancinhas de 9, já não na 4.ª classe (cousa antiquada), mas na pomposamente evoluída 2.ª fase do 2.º ano.
Dou-lhe razão, porém, ao que discorda e afirma que devemos ponderar sèriamente as comparações de realidades tão derretidamente diversas. É por demais consabido que um homem é ele mesmo e as suas circunstâncias. Logo, um menino com a 4.ª classe em 1970 (ou mesmo eu em 1977) e um menino com o 4.º ano em 2013 não se hão nunca de haver de comparar sem rigorosa ponderação. Podia lá não ser!... O de 2013, além de 4 anos de meios dias na escola carrega na mochila outro tanto de segundos meios dias em actividades na escola muito doutrinadamente orientadas (nada de jogatana de bola ou correr o bairro a tocar às campainhas), a que somaremos a bem da liberdade e da democracia, mais três anos inteirinhos de jardim-escola ou «escolinha» com, não esquecendo, todas as respectivas actividades orientadas por educadeiras certificadas e necessárias viagens de finalistas no limiar do ingresso no ensino... primário.
Havemos de admitir: dois democraticos ciclos de ensino pré e primário assim como se praticam em 2013, e em plena liberdade, equivalem no mínimo ao antigo 7.º ano dos liceus com talvez mais o propedêutico. Que pode alguém ser com a 4.ª classe de 1970 (ou mesmo de 1976/77) ao pé disto de agora senão um mono que aprendeu a ler, escrever e contar?!...
Que espécie de gente anda a nação a criar agora é que eu não sei.
A Lengalenga e o Macaco de Rabo Cortado do Livro de Leitura da Segunda Classe...
(Revisto às 11h30 da manhã de 7.)
Foi o meu livro da 4ª Classe em 1975
ResponderEliminar2ªCLasse
ResponderEliminarExame da quarta classe de acordo com o aborto:
ResponderEliminarhttp://downloads.expresso.pt/expressoonline/PDF/PF-Port41-F1-2013-Cad1.pdf
Nem abro a remissão, há-de perdoar-me.
ResponderEliminarCumpts.
Tal como eu.
ResponderEliminarCumpts.
Afinal fui lá espreitar, de marcador encarnado para dar os quinaus. Não avancei para da parte A que me fazia mal. O texto mutilado do Público tem redacção dum indigente:
ResponderEliminarOra vai uma. Arquipélago aprendi na minha primária que haviam de ser ilhas, mas rochedos?!... Desde quando calhaus meios submersos deram em se designar como arquipélago?
Duas. Ilhas escarpadas, alcantiladas, penhascos, havia de lá poder ser! De «encostas muito inclinadas» é só para o que o vocabulário dá.
Mais indigente que o jornalista que redigiu o texto só o imbecil que concebeu a primeira pergunta mandando os meninos ordenar cinco frases pela ordem em que vinham no texto. Que se pretende avaliar? Se os meninos leram o texto da esquerda para a direita e do cimo para o fim da página...?
Credo!
Cumpts.
... Arquipélago... havia de ser...
ResponderEliminarNão, não, pelo contrário e com o devido respeito, na proposição em causa, o primeiro termo verbal que empregou - "haviam" - está correctíssimo:))
ResponderEliminarMaria
Na verdade varia.
ResponderEliminarIlhas haviam de ser arquipélago. Arquipélago havia de ser ilhas, pois bem. Como a sintaxe me saiu desgarrada (como se falando alto) deu no que deu...
:) Cumpts.
E em «ilhas escarpadas, alcantiladas, penhascos, havia de lá poder ser!» também tanto dá.
ResponderEliminarSe o sujeito da última oração são as ilhas escarpadas ou lá como são, haviam (elas) de lá poder ser!
Se o sujeito é indeterminado, havia (ele/isso) de lá poder ser!
Cçlaro que «haver lá de poder ser!» é maneira de dizer «era impossível que fosse» por uma figura de estylo que me agora não ocorre.
Cumpts.
Muito bem, mas não me expliquei como devia.
ResponderEliminarUma vez que empregou vários substantivos e porque utilizou E BEM o verbo "haver" com o significado "ter", este pode e deve conjugar-se no plural (haviam/tinham) como foi o caso, assim concordando com os sujeitos que são mais do que um.
O mesmo se passa com o verbo Haver quando o quisermos substituir por Existir (que significa o mesmo) também este último, contràriamente ao primeiro, conjugar-se-á como qualquer outro regular.
(Este exemplo não é para sua informação, como calculará;) mas ùnicamente para quem tenha alguma dúvida sobre este verbo).
Todavia concordo totalmente consigo se quisermos tomar o sujeito (da/de uma oração) como indefinido ou abstracto e aproveitando o seu exemplo: Ilhas escarpadas, penhascos..., etc., ... UM disparate tal(daqueles), HAVIA de lá poder ser.
Maria
Supponho que na forma que usei originalmente vingue a lição do Dr. Leite de Vasconcellos sobre uma lei de syntaxe chamada attracção.
ResponderEliminar:)
Cumpts.
Esta ligação não resulta:) e é pena. O Sapo alega que não se lhe pode aceder...
ResponderEliminarMaria
... lei de syntaxe chamada atracção...
ResponderEliminarObrigado pelo aviso.