Achei o Azeite da cooperativa agrícola de Moura com um rótulo novo na prateleira do super. Estas «novidades» só no pacote, dos marketeiros, sempre me deram certo enjoo, ainda mais agora com o analfabetismo por decreto.
Pus-me a ler o rótulo e diziam os da cooperativa que o azeite tem «caraterísticas»... Parou a leitura logo ali. Não estou para os aturar. Azeite é cousa que não falta. Em quanto a mim, nem que dêem os azeiteiros todos deste reino em escrever como analfabetos, ele sempre haverá à mão azeite espanhol. Se querem que leve a finis patriae a sério, pois bem, este é o meu método.
Passemos ao café.
Para já é assim. Ao depois se verá.
Adenda:
De JPG a 8 de Abril de 2013 às 11:58.
A marca Delta, do "comendador" Nabeiro, é, para ser sucinto, ortograficamente asquerosa: http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1954694&page=-1.
Imagens da Coop. Agrícola de Moura, da Nestlé (adaptada) e do supermercado Apolónia.
Apoiado! Ai se fossem todos como nós, essa gente poria fim ao, desconchavo em menos de um ápice , depois de ver as suas vendas a cair a pique!
ResponderEliminarCumpts
A marca Delta, do "comendador" Nabeiro, é, para ser sucinto, ortograficamente asquerosa: http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1954694&page=-1
ResponderEliminarGrato pela informação. Como o rótulo não me agrediu, a coisa passou. Mas se para já foi assim, ao depois já se vê o que há-de ser. Nada mais fácil do que comprar espanhol.
ResponderEliminarCumpts.
Acabado Portugal, siga o boicote à falsificação nacional. Compro espanhol.
ResponderEliminarCumpts.
Mas o Nescafé também sofre do maldito acordês e pespegou-o no rótulo? Por acaso compro este café há muito tempo e, talvez por habituação, ainda não tinha reparado... Tenho que investigar:)
ResponderEliminarMaria
Sim.
ResponderEliminarCumpts.
Consegui que a U. Michigan disponibilizasse o Caldas Aulete de 1881 online.
ResponderEliminarV1: http://babel.hathitrust.org/cgi/pt?id=nnc1.1002458373;page=root;view=1up;size=100;seq=3;orient=0
V2: http://babel.hathitrust.org/cgi/pt?id=mdp.39015028326943;seq=9;view=1up;num=915
Abraço
Formidável!
ResponderEliminarFicam as remissões directas:
Vol. I
Vol. II
Cumpts.
Há anos que compro o producto de Barrancos na sua versão biológica. Ainda não me tinha chegado às mãos o rótulo novo grafado no nefasto mixordês. Vou já tratar de encontrar substituto, quiçá lá para os lados da Grécia ou da Argentina.
ResponderEliminarAbraço amigo.
Pus-me a ler o princípio do Diccionario por curiosidade, e é uma autêntica maravilha!
ResponderEliminarA parte a que chamam "Plano", onde se faz a crítica dos outros dicionários que à data existiam é deliciosa...
Por exemplo, a propósito da definição dada à palavra "Abáda" [sic]:
«Abada é o nome indiano do rhinoceronte, quadrupede da ordem dos pachidermes; sáem-lhe dos ossos do nariz uma ou duas pontas corneas, é animal herbivoro e tão estupido como pacifico, quando não o provocam, e até certo ponto domesticavel.
Roquette, classificando este animal de feroz, falta à verdade, que se deve a todos, a até mesmo aos rhinocerontes. O sr. Lacerda é ainda mais injusto contra este inoffensivo quadrupede, porque o classifica de ferocissimo.
Ambos lhe negam a sua mais illustre procedencia, que é a Asia, não obstante vir em todos os compendios de historia, que D. Manuel, entre outros donativos que fez ao pontifice, como primazia da Asia, lhe enviou uma abada, que foi o primeiro exemplar d'este animal que se viu na Europa.
Roquette, para augmentar a fealdade d'este bicho, diz que tem tromba como o javali. O rhinoceronte não tem tromba, mas sim o beiço superior maior que o inferior; isto porém não é o que em physiologia se denomina tromba. Trombudos ficariam certamente os rhinocerontes se podessem ter conhecimento das calumnias que contra elles levantaram os dois sacerdotes portuguezes.»
Que pena não poder surripiál-o em pdf...
Não resisto a transcrever mais um trecho do referido "Plano"!
ResponderEliminarDada a seguinte definição por um dos prévios "diccionaristas" (as palavras e suas definições são apresentadas lado a lado, cada uma respectivamente definida pelos Roquette, Lacerda e Moraes, a relevante é a de Lacerda), é depois feita a a correspondente crítica:
LACERDA
ABADEJO, s.m. nome vulgar do peixe que, estando curado, se chama bacalhau. V. Badejo: - cantharida. V. Vaca-loura. É palavra mais hespanhola que portugueza.
VACA-LOURA, s.f. abadejo, insecto.
BADEJO, s.m. (lat. badare, fr. ant. bader, abrir muito a bôca); (h.n.) peixe do genero gadus de Lineu. A sua pesca mais abundante é na Terra Nova e no cabo Breton. Depois de salgado e curado chama-se-lhe bacalhau.
Lacerda apresenta duas definições para a mesma palavra, porque abadejo e badejo são o mesmo termo. A primeira definição é applicavel a qualquer peixe doente que tem a fortuna de se restabelecer. A segunda é mais explicativa: diz-nos que o badejo, segundo a sua raiz, anda sempre com a bôcca aberta, e que o bacalhau só existe quando lhe tiram a cabeça, os interiores, e o salgam e curam, que é a maneira menos racional de elle poder existir. Todavia n'esta ultima parte estão os tres diccionaristas de accordo, accordo de facil explicação, porque todos elles copiaram a definição de Rafael Bluteau, desprezando a auctoridade de Brotero, o nosso primeiro naturalista, e o uso geral, como facilmente se deprehende das phrases generalissimas oleo de figado de bacalhau, bacalhau frescal[fresco?], pesca de bacalhau, porque nenhuma d'estas phrases se póde applicar ao bacalhau salgado e curado.
(...)
O sr. Lacerda escreve Vaca-loura, insecto, com um só c; e vacca, quadrupede, com dois. Esta incoherencia só se póde explicar pela analogia que apresenta com a theoria de um celebre grammático hespanhol, que propoz que se escrevessem com lettras grandes os nomes das cousas grandes, e com lettras pequenas os das cousas pequenas; por exemplo: a perna de uma formiga com lettra pequena, e a de um elephante com lettra grande. Entre outras vantagens que allegou o illustre innovador, notava-se a de se poder conhecer, pela simples inspecção de um livro, se n'elle se tratava de cousas grandes ou de cousas pequenas.
:)
Os meus agradecimentos ao amável SH por disponibilizar tão interessante documento!
Já tinha esquecida a introducção d'este diccionario. Fico-lhe grato por m'a recordar aqui e pelas transcripções; logo que possa tomo a liberdade de passá-las a verbete pois merecem destaque no corpo principal do blogo.
ResponderEliminarAquelle grammatico que defendia maiuscula para cousas grandes e minuscula para cousas pequenas acabou fazendo escola, de modo que não se estranha como chegámos a onde chegámos: à machona «presidenta» ou à flácida «erecção» do caco graphico.
Cumpts.
Fôramos todos assim e o caco graphico não passaria, de certeza.
ResponderEliminarAbraço.
Estranho, no Brasil se escreve: características. Nunca vi escrito "caraterísticas" em lugar algum. Não é português brasileiro não. Deve ser um neo-português de Portugal. :)
ResponderEliminarE «facto», também sabe donde é?
ResponderEliminarAqui, Brasil, só aparece este "c" quando é pronunciado. Certamente, "facto" não é português brasileiro.
ResponderEliminar«Facto» sem «c» não é portugês, ponto final. Deve ser algum neo-crioulo derivado do português.
ResponderEliminarCumpts. :)
é por aí :).
ResponderEliminarMas e agora? Se a tal "caraterística" não é de Portugal e não é nem do Brasil, donde és?
É do imortal Bichara, da Academia Brasileira de [poucas] Letras em compadrio como o Malaca Casteleiro e mais uma carrada de analfabetos à procura dum cadeirão na História, todos estes na esteira dos que vilmente cuspiram no Acordo Ortográfico de 1945.
ResponderEliminarCumpts.
No Brasil grafamos "caraCterística", com "c", assim como também pronunciamos essa consoante. Portanto, essa grafia nada tem de brasileira e é coisa do tal desacordo ortográfico que, tanto quanto (a maioria de) vocês, portugueses, também abomino. E antes fosse essa a razão de não comprar o tal azeite, e não o facto deste ter qualquer coisa a ver com o Brasil - o que me soa um tanto preconceituoso quanto provinciano - para dizer o mínimo. Essa histeria toda chega a ser cómica!
ResponderEliminarÉ cômico, é um fato.
ResponderEliminarCumpts.