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domingo, 10 de março de 2013

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 A página da Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o chamado «Acordo Ortográfico» tem sido censurada nas escolas nacionais.



« Já tínhamos ficado a “saber” que para a governamental Wikipédia 'lusófona” esta I.L.C. é "proselitismo" e "spam", logo, apagável, agora ficamos também a "saber" que para o Governo de Portugal por junto esta mesma I.L.C. é… “pornografia”, logo, censurável.»


J.P.G., «Para o governo português a I.L.C. tem "conteúdos impróprios"?», in I.L.C. contra o Acordo Ortográfico. Ler, assinar, divulgar, 7/III/2013.



 É sintomático que os zelotes do analfabetismo façam esta censura, e que se valham da chancela do governo pola cobrirem de oficialidade, porque na página da iniciativa de cidadãos encontram-se numerosos argumentos denunciando o engano e a má fé com que o governo prossegue neste capricho (maçónico?) contra a vontade geral da nação (e contra terceiros, pelo seu reflexo nas nações de língua portuguesa que não o Brasil). -- Aliás, este gosto dos acorditas pelo papel oficial já o notámos há dias nos regentes escolares de Loulé. Entretanto tornou a ver-se; agora o timbre foi o da Universidade de Coimbra, a debruar o jorro da pena acordita daquele Carlos Reis, «magnífico» reitor da Universidade Aberta. Este emproado parece ele que se arvora emitir oficialmente parecer em nome da Universidade de Coimbra em vez da que é reitor.
 As inúmeras mentiras propaladas por (e com) esta reforma de abrasileiramento do português pelos seus sequazes é um marco da propaganda. Da pior propaganda, que é aquela que nos tolhe a inteligência nos escaparates de publicidade, nas parangonas dos jornais, que nos invade o lar pelas televisões de serviço à ideologia dominante, que nos aparvalha a linhagem no ensino oficial.
 Abafar (ir abafando, pela calada) o desagrado geral é a praxis do poder que nos rege. Em tudo. Chegados a certo ponto vai de dar um arzinho de democracia ao caso e lá condescendem os mandaretes de turno numa comissão parlamentar para mostrar às gentes que não senhor!, temos aqui democratas de alto coturno que ouvem os cidadãos. -- Pois ouvem como?! Se antes os abafam, se entretanto os ignoram... -- O fim desta praxis (posso estar enganado, mas não mo tiram da ideia) traz a sentença lida; há-de ela ser o facto consumado. -- Pois, se o caso já vai na imprensa, nas televisões... na escola...
 Não obstante assim, desde Janeiro que temos uma comissão de deputados da Assembleia ouvindo as gentes (os cidadãos mais ou menos comuns que lhes condimentam o garrular democrático) sobre o caco gráfico. Procuram -- como se não estivesse bem à vista -- avaliar o pontapé que deram na Gramática por haverem ratificado, sem no ler sequer, um tratado ortográfico tecnicamente grosseiro, politicamente ultrajante para os portugueses e culturalmente desastroso. -- Arrependidos?... -- Não sei se com isto agora não andam só à procura da rolha (a deputada Canavilhas, que por lá vegeta, bem me parece eu que sim). Seja como for propuseram-se os digníssimos representantes do povo ouvir uns e outros e receber por escrito (o prazo era até 28 de Fevereiro) as suas (nossas) razões sobre (contra) o caco gráfico. Oxalá que as leiam, as entendam com senso e, sobretudo as não metam na gaveta como já sucedeu (quando aprovaram às cegas o caco gráfico assimilaram a arenga do Malaca e desprezaram as razões dos restantes).




 Ao benévolo leitor a quem interesse o caso e tenha tempo aconselho abrir uns quantos depoimentos no espaço de discussão interactiva no Foro da Assembleia e ver por si. Do pouco que pude ler recomendo vivamente o texto do escritor galego João Guisan de Seixas, sem desprimor de outros. É completo q.b. sem ser demasiado extenso para o esquema que os deputados propuseram para sistematizar os textos. Tem uma inteligência de argumentação notável e prova o superior valor do Acordo Ortográfico de 1945, que é o que está legalmente em vigor. (Não haja dúvida de que os malacas e os bicharas, incluindo o saneador Lindley Cintra, são nanicos a quererem encarrapitar-se no vulto de Rebelo Gonçalves.) Quem leia, pois, a exposição de Guisan de Seixas e lhe não consiga perceber o óbvio senso bem pode ser ferrado como pedaço de asno que é.
 E por falar em pedaços de asno, sugiro, por mero desfastio, que se não deixem de ler também umas poucas exalações do intelecto acordita por ali derramadas. O benévolo leitor, se o fizer, diga-me ao depois cá da bondade do que lá achar que enobreça a inteligência. Pode dar-se o caso de me haver escapado algo de jeito que prestasse nos vulcões da lama acordita.

(Gralhas revistas às 11 da manhã de 11.)

12 comentários:

  1. Meu Caro Bic,
    eis-me a sugerir uma linha de defesa para o juízo (ou falta dele) governamental: como é uma criancice insistir no malfadado acordês, é natural que tenham considerado o conteúdo da página "SÓ PARA ADULTOS".

    Abraço

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  2. Caro Bic Laranja,

    Venho, sem vergonha, abusar dos seus préstimos, de caçador minucioso, presumindo que a caçada - disso se trata - lhe agradará.
    Li, há pouco tempo, o bechara usar o termo "enaltar" por enaltecer, pressupondo o verbo enaltação. Corri a ver a abonação, que encontrei no Houaiss. Achei pouco e não me esclarecia quanto à origem portuguesa. "Googlando", encontrei a fonte: O diccionario do Cândido de Figueiredo de 1913 e a abonação de Camilo, em Narcóticos, II, pg 246. E aí é que está o problema: não encontro, nem as buscas me devolvem

    Cândido: enaltar v. t. O mesmo que
    enaltecer. Cf. Camillo,
    Narcot ,II, 246
    http://pt.scribd.com/doc/51527367/Novo-Diccionario-da-Lingua-Portuguesa-Candido-de-Figueiredo-1913

    Não encontrei aqui (vol. I) http://archive.org/details/narcoticos01castuoft
    nem aqui, na página 246 do II volume:
    http://archive.org/stream/narcoticos02cast#page/246/mode/2up

    Trata-se de uma falsa abonação, ou procurei mal, surgindo, noutra edição (embora, não sendo citada na
    abonação, aponte para esta primeira).

    Enfim, a coisa exige instinto de caçador, mas seria interessante verificar que fazer fretes aos brasileiros é coisa de há muito, embora pareça estranho uma abonação errada.

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  3. Isto de brincar às reformas ortográficas dá nisto. Neste caso, não bastou mudarem o nome de baptismo ao autor, tiveram de lhe corrigir a obra.
    Cumpts.

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  4. Nestas coisas, ou se tem faro de perdigueiro ou não.
    Muito obrigado!

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  5. O texto explicativo de João Guisan de Seixas é de superior qualidade. Demonstra por A+B os completos disparates vertidos no AO90.
    Este inominável Acordo deveria encher de vergonha quem o concebeu porque não só se trata de um ultraje à língua portuguesa e aos seus muitos milhões de falantes, mas também de uma insolência a toda a prova perante os mesmos milhões que a honram e respeitam tanto quanto a mãe-pátria.
    Maria

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  6. mujahedin13/3/13 11:20

    Caro Bic,

    a ligação sob «parecer em nome da Universidade de Coimbra» parece apontar para coisa nenhuma!

    Teria muito interesse em ler o dito "parecer". Ficaria grato se pudesse corrigir a coisa...

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  7. Aqui.
    É escusado procurar pelo nome de Carlos Reis, v. por ele o da Fac. de Letras da Universidade de Coimbra.
    Cumpts.

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  8. Não envorgonha quem no concebeu porque não é gente capaz de ter vergonha.
    Cumpts.

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  9. mujahedin14/3/13 11:19

    Que coisa tão pobrezinha...

    Mesmo descontando a opinião defendida, o texto é ridículo de pobre. Ainda mais porque arvora a chancela da UC sob o título de "Parecer".

    Enviei email ao Reitor da UC, alertando para o caso. Veremos o que diz. Se tiver interesse, darei notícia aqui.

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  10. Muito obrigado. Tenho o maior interesse. Cuido que os leitores que por cá passarem também.
    Cumpts.

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  11. Bic Laranja14/3/13 21:09

    Boa explicação, eh eh!
    Cumpts.

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