No Corpus do Português há 7 registos, 7, do emprego da flexão verbal de sentido reflexo «reuniram» com a preposição «com»; todas do séc. XX, todas na imprensa; 5 na brasileira, 2 na portuguesa. Apenas numa das 7 se usa o verbo mutilado de pronome: Várias organizações de produtores, quer de pêra quer de maçã, reuniram com responsáveis do Ministério da Agricultura («Promoção da pêra rocha recebe 180 mil contos», in Jornal de Leiria, 22/VIII/1997).
Procurando mais além no Corpus, da expressão «reuniu com» há 34 registos: 1 académico, 33 na imprensa. Destes 33, 21 são na imprensa brasileira, todos com pronome proclítico reflexo (fulano se reuniu com sicrano), como é normal no Brasil; na imprensa portuguesa, 8 casos em 16 usam o verbo com sentido reflexo e sem qualquer pronome, proclítico ou enclítico. Três (maus) exemplos de três jornais diferentes:
- Jerónimo de Sousa reuniu com a administração («Comunistas denunciam 'paralisia do Plano Mateus'», Jornal da Beira, 15/V/97).
- Pinto da Costa reuniu com a equipa técnica (Miguel Amorim, col., «Ninguém está mais triste que eu -- lamento de Robson sobre a perda da Supertaça», O Jornal, 3/V/96).
- Otto Lambsdorff reuniu com o Presidente de a [sic] Federação Russa (Público n.º 8 025, 1991).
O Corpus regista ainda «reunirá com» (3 casos em 4 no Público), «reúne com» (1 em 1 no Jornal da Beira, 3 em 3 no Jornal de Leiria e 1 em 2 no Público) e «reunir com» (7 em 9 no Público, 1 em 3 n' O Jornal e 2 em 2 no Jornal da Beira), todos sem o devido pronome reflexo.
Os exemplos deste apanhado no Corpus do Português são dos anos 90. Todos na imprensa portuguesa, menos um ( um grupo de pares do reino reúne com a rainha, Gilles Lapouge, «Windsor na corda bamba», Jornal de Pernambuco, 4/IX/1997). Não achei exemplos deste erro (os progressistas dirão evolução) em texto literário. Não há casos no Corpus desta má conjugação e textos dantes de 1990. Um trejeito moderníssimo, portanto.
Se a conjugação pronominal como a do verbo lembrar («eu lembro de» por «lembro-me de») definha, sobretudo no Brasil, trocando a gramática pelo falar de cafres, parece-me neste caso que a conjugação reflexa de reunir (a que somaria afundar, inaugurar — já para não falar em casar...) é mérito laborioso dos maiores competentinhos da nossa linguagem: os jornalistas portugueses. -- De cafres é que não!...
Sol, 2/XI/12.
Gostaria de o parabentear por trazer à colação este cancro da nossa linguagem.
ResponderEliminarVerbos desses teor, poderia anunciar-lhe uma vintena, assim de repente, a somar aos que menciona com toda a propriedade; olhe, começo por um: iniciar.
este programa inicia às xx horas; que esplendor de cultura!
Cumpts
Esqueceu-me esse. Hei-de fazer-lhe o apanhado, em calhando.
ResponderEliminarCumpts.
Numa Palavra....Cavalos
ResponderEliminarCaro Tron, nada de insultar essas nobres bestas!:)
ResponderEliminarCumpts
Cavalgaduras é que é. Cavalo é um bicho nobre (a menos que seja uma pileca.)
ResponderEliminarCumpts.