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terça-feira, 13 de dezembro de 2011

O Carvalhosa

Brito Camacho, «Scenas da Vida» (archive.org)


 


  O sr. Silverio comprou a vaca, fazendo constar, na Aldeia, que no dia seguinte ela tomaria parte na festa... ensopada com batatas e borrifada com vinho.
  — Aqui ninguem se embebeda — ordenara o sr. Silverio, quando a familia, distribuida em grupos, formando pequenos circulos, se dispunha a manducar, cada qual tendo levado de casa, por expressa recomendação que ele fizera, o indispensavel garfo de ferro — para não comer á unha.

   — Aqui ninguem se embebeda — repetiu o sr. Silverio [...]
   — Os gaiatos não bebem.
   O Carvalhosa, ruim trabalhador e grande beberrão, quando lhe iam a dar o copo, tirou da algibeira da véstia um cordel, unindo-lhe as pontas.
   — Isso para que é, ó tio Francisco?
   — É para não engulir o copo, se me escapulir da mão.
   O sr. Silverio ouvíu, e mal disfarçando o seu azedume, disse para o filho mais velho, um moço que nem um sobreiro:
   — O´ Joáo, leva aquela besta á levada, e não lhe deixes sair a cabeça d'agua emquanto não estiver cheio como um ôdre.
Brito Camacho, Scenas da Vida, Guimarães, Lisboa, [1929], pp. 7-9 passim.


 


(Verbete em 6 de Julho de 2011.) 

2 comentários:

  1. de Manuel de Brito Camacho, médico, alentejano de Aljustrel, terra nineira.

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  2. Ministro do Fomento, republicano do direita e, talvez por isso, gradualmente desenganado da política na I.ª Republica.
    Cumpts.

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