Depois do primeiro que notei — e já certa vez disse (v. «Quatro notas sobre autocarros da Carris») — sobre autocarros da Carris, notei a seguir um padrão: todos os autocarros tinham uma reentrância à frente. E os de um piso eram como os de dois pisos mas como que serrado o primeiro andar. Não entendia eu então que a reentrância era para dar acesso ao motor para proceder à manutenção. Achava só curiosa aquela metade reentrada e tinha também graça a cabinezinha do motorista na outra metade da frente dos autocarros. Ainda há pouco nem me passava pela cabeça o labor dos engenheiros da A.E.C. para redesenharem os motores de modo dispor a posição de condução à esquerda e permitir a manutenção pela direita, às avessas dos modelos ingleses.
Pois a primeira vez que vi um Daimler Fleetline (há-de ter sido na Alameda, talvez na carreira 8) foi notório que aquilo não era da mesma família. Os autocarros tinham um ar incomparavelmente mais moderno, já sem aqueles radiadores nem faróis de calhambeque. Mas apesar disso lá havia o padrão da reentrância; atrás, tal como o motor, e em toda a largura. Pela forma direita da dianteira dei em catalogar cá no bestunto os Daimler como os via: eram «os direitinhos»; havia «os autocarros» (altos e baixos, aqueles com porta à frente ou porta atrás) e «os direitinhos», que era sempre mais raro de se verem. Mai' raros ainda eram uns outros do género, de um só piso e com três portas (havia-os na carreira 42, na Morais Soares, se me não engano). Mas estes alinhava-os eu com «os direitinhos», a modo de serem um «direitinho» serrado ao meio. Este ciclo mental há-de ter-se fechado talvez quando vi um Daimler Fleetline de duas portas como este da imagem. Era um «direitinho» ainda mais direitinho do que «os direitinhos»; parecia cortado à faca. A carris teve 5 deles, soube-o ao depois (n.ºs de frota 851 a 855, salvo erro). Ainda mais raro de eu os ver do que a «os direitinhos», digamos, normais. Tão raro que pouca vez os hei-de ter visto com esta pintura verde.
Daimler Fleetline, Saldanha, 1980.
(Wood's Library , n.º 1451, 3 de Outubro de 1980.)
terça-feira, 25 de outubro de 2011
Direitinho
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Preciosas, essas suas observações sobre autocarros.
ResponderEliminarImpressiona-me, nelas, o seu afecto por eles.
Como diz você,
Cumpts
Afecto? Estava tão absorto nas lembranças que nem dei por que era. Afecto pois, com certeza! Grato por mo lembrar.
ResponderEliminarCumpts. :)
É curioso. Mais um vez, o pano de fundo é um cinema. Mas este nem sequer foi aproveitado para templo.
ResponderEliminarO exemplar da foto, juntamente com outro do mesmo modelo, encontra-se exposto no Museu da Carris, com a incomum decoração que ambos ostentaram nos últimos anos em que estiveramao ao serviço.
A.v.o
Mais um cinema extinto, sim.
ResponderEliminarQuere ver que era aquele com um pintado em cima!...
Cumpts.
Esse mesmo!
ResponderEliminarA.v.o.
:) Cumpts.
ResponderEliminarDestes já não gostava... tinham as portas comandadas pelo motorista!
ResponderEliminarNesta altura a Fontes Pereira de Melo só tinha um sentido.
ResponderEliminarPois era.
ResponderEliminarCumpts.
Nunca teve. Dá só impressão.
ResponderEliminarCumpts.