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domingo, 16 de outubro de 2011

A respeito de soletrar e da facinorosa ortografia das costureiras

« A respeito de soletrar, a morgada recebia cartas de um amanuense da camara de Barcellos; mas só abriu sete que ajuntára quando uma costureira lh'as leu. Felizarda creara-se sem lettras, e vivia, a respeito de litteratura, como as raparigas gregas antes de Cadmo, filho de Agenor, introduzir na Grecia o alphabeto phenicio; mas, em compensação, tinha muita flôr nativa e fresca [...]
 A costureira interpretou a, e respondeu, vestindo a ideia de Felizarda, com palavras innocentes, mas facinorosas em orthographia. O amanuense amava-a deveras: leu a carta, em que era chamado Bem da menina com V


Camillo Castello Branco, «A Morgada de Romariz», in Novellas do Minho, 2ª ed., Parceria A.M. Pereira, Lisboa, 1903, p. 234 passim.


 Passei por Varcelos nestes dias e bi que o amanuense da cámara deu em conselheiro Acácio e cunberteu-se, afinal, à facinorosa urtugrafia da custureira — saveis do que falo... — Má sorte é ber-lh' a redacçom pela prunúncia na Exposiçom da Casa de Vragança na cámara municipal. Seria de o primeiro duque bir da linhagem pleveia do Varvadão ou cuidaria que uma escrita assim tinha, em compensaçom, muita flor nativa e fresca, como calhava à iletrada morgada de Romariz...? — Mas que maçada!



Barcellos. Portugal  -  (c) 2011

6 comentários:

  1. já agora pode ser um cimvalino por fabor

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  2. Alves Pereira18/10/11 12:25

    então dois copinhos de vinho branco!

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  3. - Ora sai dois Camilo Alves!

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  4. Alves Pereira19/10/11 09:32

    O meu caro Bic lê no meu espírito como num livro aberto; parabéns, que era isso mesmo! Cump.

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  5. Bic Laranja19/10/11 23:49

    Da mesma maneira que vossemecê leu o mote. Obrigado.

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