A Comissão de Boas Práticas da C.M.L. cheira-me a invencionice deloittiana. Tal, para mim, é suficiente para não fazer da coisa mais caso. Todavia, o mesmo não seria de esperar da C.M.L., já que foi quem na pariu. No entanto, segundo o Público (apud Lisboa S.O.S.), a Câmara apenas aceitou uma única sugestão da tal coisa das boas práticas; uma recomendação que tem que ver com riscos da calçada à portuguesa nos passeios (sic).
Calçada à portuguesa não sei o que seja...
A calçada portuguesa é um risco nos passeios?... A calçada portuguesa é riscos nos passeios! Riscos que, em conjunto, são arte. ARTE! Feita com mestria e engenho, ao contrário de sarapintadelas em fachadas que certos trogloditas é só o que sabem fazer (e a Câmara incentiva), cuidando que recriam Altamiras com sprays de supermercado. O risco (perigo) — não da, mas para — a calçada portuguesa nos passeios (e não só) são ideias de gente parva e sem tino para perceber que os passeios são para se calcetarem sempre que se estragam. Qualquer que seja o tipo da calçada.
Praça do Areeiro, Lisboa, c. 1950.
Fotografia: Estúdio de Horácio de Novais, in Biblioteca de Arte da F.C.G..
Mas que bela de fotografia! Uma Lisboa assim...!
ResponderEliminarcumpr.
Será que já existia a famosa Fábrica de Chaves do Areeiro? Se calhar já, discreta, alí, onde está a figura.
ResponderEliminarA.v.o.
É verdade!
ResponderEliminarCumpts.
Cuido que não. Fica no nº 10 e todas as lojas estão ali por arrendar. Depois foi fundada em 1956, donde se demonstra que a fotografia é anterior. Mas não anterior a Fevereiro de 1950, como a paragem do autocarro 5 deixa saber...
ResponderEliminarCumpts.
Eles inventam, inventam, inventam e quando já não há mais nada para inventar... lá vem um génio de cascos de rolha com a ideia genialérrima dessas coisas dos bons costumes ou o raio. Deve ser para rir... só pode!!!
ResponderEliminarE outra tristeza é a foto. Quer dizer, não é a foto, é o local da foto. Limpeza é mesmo coisa do passado, que só fotos a preto e branco podem certificar!!!
Saudações
Tem toda a razão, Bic: uma boa calçada portuguesa daria um bom e seguro caminhar. Infelizmente, assim de repente, não me ocorre um único sítio de Lisboa dotado de uma boa calçada portuguesa. Ou está esburacada, ou ondula como mar alto. ;-)
ResponderEliminarPois!...
ResponderEliminarCumpts.
Lançar culpas à calçada quando a culpa é da incúria ofende. Isto é gente que não é burra. Há negócio com tijolos de cimento na calha. E as agências de comunicação é assim que domesticam a gente.
ResponderEliminarCumpts.
Minha querida Praça do Areeiro, quem te viu e quem te vê. A limpeza do local, a perfeição do empedrado, a volumetria da praça, a simetria dos edifícios, tudo ali se conjuga na perfeição. Tudo isto (à excepção dos edifícios, porque não os podem demolir), já desapareceu do Areeiro há muito tempo e já agora, de Lisboa inteira.
ResponderEliminarAqui nem se trata da beleza do desenho formado pelo calcário branco e preto dos passeios, porque não existe. São traços simples perfeitamente alinhados - com toda a certeza pensados para estarem d'acordo com a arquitectura circundante - e mais nada. O que aqui ressalta, como aliás o era em toda a Lisboa, é a perfeição e uniformidade do calcetado, o espaço amplo e arejado da praça, a solidez das construções, os materiais nobres utilizados nestas e a harmonia de todo o conjunto, segundo um projecto bem pensado e melhor executado.
Claro que há (havia) praças mais bonitas e tão ou mais amplas e arejadas em Lisboa. Mas esta era uma praça bonita, espaçosa e limpa, que fazia jus ao local em que foi construída e aos arquitectos e engenheiros que a projectaram e conceberam.
Por outras palavras: viver em Lisboa nesses tempos era uma enorme alegria. Mas para mim particularmente, já que essa era a minha zona, passear, ir ao cinema, teatro ou estar com amigas ou família numa esplanada a lanchar ou simplesmente a tomar chá ou café, transmitia paz interior e um prazer indefinível. Essa paz e segurança produziam uma enorme alegria de viver. E alegria de viver é sinónimo de felicidade. Estas porém foram-se para sempre.
Por mim, agradeço-lhe esta bela foto.
Maria
Nota: Aqui há semanas escrevi que os desenhos nos passeios eram feitos de calcário e basalto. Não é bem assim. O basalto era (e é) o que revestia as ruas e algumas avenidas, antes destas serem alcatroadas. Embora, sobretudo nas zonas rurais mas também em vilas e até cidades de província, o basalto era e é usado no empedramento das ruas e também dos passeios.
Infelizmente, até aqui em Luanda já encontro melhores calçadas "portuguesas" que em Lisboa. Perfeitamente calcetadas, sem deixar areia e falhas. E muito bem cuidadas.
ResponderEliminarNa cidade do Luxemburgo existe uma ponte que foi calcetada com calceteiros importados de proposito de portugal para esse fim. Porque então estar a inventar coisas só porque sim? já aprendiamos a nao nos curvarmos a interesses economicos. Lisboa só tem perdido com isso. é os predios antigos a cair para construir torres duvidosas, é as calçadas a serem substituidas por padroes burberry ou betão armado. Qualquer dia tiram os azulejos de todas as fachadas porque correm o risco de cair na cabeça de alguem!
Bela foto Caro Amigo. Ainda bem que existem tais recordações, pois do contrário, ninguém - jovenzinho o suficiente - acreditaria que Lisboa já foi uma cidade agradável, limpa, bem cuidada e segura. Mas quando o "homem" dá em destruir, física e moralmente, tudo o que existe à volta, então é mesmo imparável. Confesso que acabar com a calçada portuguesa não me surpreende. Dar cabo de tudo o que seja identitário está - há muito - na ordem do dia. É mesmo prioritário.
ResponderEliminarAceite um forte abraço.
Talvez seja bom relembrar que estas eram zonas novas e privilegiadas de Lisboa. Na minha infância em Benfica....as coisas não eram assim tão ordenadas.
ResponderEliminarSim, mas a Benfica desta época (anos 50/60) era igualmente agradável e ordenada como o comprovam os Largos Conde Ottolini, Arlindo de Freitas, Conde de Bonfim, Ribeiro dos Reis, as Ruas das Furnas e de São Domingos de Benfica, e boa parte da Estrada de Benfica, desde o Jardim Zoológico até às Portas.
ResponderEliminarSobre a Estrada de Benfica desses tempos nada posso dizer (excepto mencionar duas famílias amigas de meus pais, que residiam na zona de Benfica cujas moradias e espaço envolvente eram excelentes), o que sim sei, é que as vastas quintas que existiam - algumas, muito poucas, ainda existem - nos arredores de Benfica, eram um assombro pela imponência dos palacetes e dos extensos e preservados jardins e um motivo de orgulho para as famílias que lá viviam. Conheci algumas.
ResponderEliminarParabéns ao Zé pelo seu comentário. E ao comentador mais acima (peço desculpa mas não fixei o nome), que nos descreve os bem calcetados e cuidados passeios da bela Luanda (valha-nos isso), cidade que também conheci.
Maria
Bem me recordo dos lamaçais do Charquinho, Pedralvas, etc. Bastava andar umas centenas de metros nas laterais da Estrada de Benfica....para encontrar um mundo muito distante da Praça do Areeiro.
ResponderEliminarO meu irmão, conta-me, quando viu esta praça pela primeira vez em meados dos anos 60, que ficou deslumbrado. O Areeiro foi uma grande obra. Assim já não o vi eu. Mas não valem comparações enviesadas. Benfica cresceu sem rei nem roque dos anos 70 para cá. As quintas foi um ar que lhes deu. Os Olivais edificaram-se com plano cuidado e com intenção de levar a cabo alguma integração social (tal como no bairro de Alvalade). Chelas nos anos 80, enfim... - Nem calçada portuguesa a Chelas do Taveira mereceu.
ResponderEliminarIsto à conclusão de que, onde havia calçada, muito honestamente se procedia à sua manutenção. Havia empreitadas para nivelar passeios em ruas inteiras, em bairros como a... Picheleira. O desmazelo a que tudo chegou e as justificações esfarrapadas que se propalam para justificá-lo sob capa da novidades da moda, como a «segurança pedonal» ou o «amigo do ambiente» deviam infamar de ridículo famílias inteiras de homens bons do concelho.
Cumpts.
Dou-lhe muita razão. Parece coisa orquestrada por gente infame, sem dúvida.
ResponderEliminarCumpts.
Concordo consigo. É justamente o que dá impressão.
ResponderEliminarCumpts.
Não me agradeça. O mérito é dos autores da praça e do fotógrafo.
ResponderEliminarCumpts.
O Charquinho e as Pedralvas eram quintas. Os lamaçais de que fala seriam do tempo em que as quintas eram já posse da Câmara à espera de melhor destino.
ResponderEliminarA propósito da Quinta das Pedralvas cuido que a última dona particular morreu sem herdeiros e legou-a em testamento à C.M.L. com a condição de fazerem casas para gente de menos posses. E assim se fez.
Cumpts.
Sobra, assim que me lembre de repente, a Quinta da Granja (lado oposto ao Colombo, sabe-se lá até quando), a dos Marquês de Fronteira (isolada pela via férrea e acamada ao Monsanto, graças a Deus) e Quinta da Fonte no Calhariz de Benfica, também encostada ao Monsanto e isolada pela 2ª circular. O mais que sobra são rótulos de quintas em bairros desordenados.
ResponderEliminarCumpts.
Conheço o Palácio Fronteira e Alorna e posso dizer que é uma maravilha. Tem azulejos lindíssimos e jardins igualmente belos, além da imponência do seu interior naturalmente. Já faz muito tempo que estive lá. Esperemos que tudo esteja como dantes e que a conservação de tão belo palácio nunca seja descurada. Mas pelo que ouvi do Fernando Mascarenhas, há uns anos na televisão, parecia já então estava a tornar-se difícil a sua permanente e dispendiosa manutenção.
ResponderEliminarDos outros palácios nada sei, com uma excepção: tive uma amiga cuja família, Sampaio e Melo, tinha uma quinta para os lados da Rua das Furnas cuja fachada daria para Estrada de Benfica. Tenho a impressão que esta quinta será uma das poucas ainda existentes para aqueles lados, mas pelo que imagino já não pertencerá à mesma família e será desde há muito um qualquer organismo oficial. Digo isto pelo facto de possuir uma pequena placa ao lado da porta, na qual reparei quando passei de carro por essa rua há bastantes anos e novamente ainda não há muito tempo. Conserva ainda o mesmo muro relativamente alto que se prolonga por muitos metros contornando a referida rua e o mesmo portão de ferro pintado de verde. Presumo que esta seja uma das quintas por si referidas.
Maria
Não conheço essa. Havemos de ver se ainda existe.
ResponderEliminarCumpts.