Do dia de hoje, 28 de Abril, há umas poucas notícias antigas que sei. O aniversário do nascimento do dr. Salazar, que à ortodoxia em vigor provoca brotoeja, a menos que se diga muito mal, muito mal, e que atrasou Portugal... — Eu vejo Portugal hoje bem diminuído e atrasado... — Nasceu em 1889; há 122 anos, portanto.
Virando o capítulo há uma espécie de sucesso (leia-se sucedido, como era seu sentido antigo) que foi a chegada do dr. Soares a Santa Apolónia em 1974, depois da viradeira de 25 de Abril. Deu na telefonia de manhã pela voz da ortodoxia em vigor, portanto, fiquei ensinado. Cuido que obrou logo aí um histórico feito três-em-um: chegou, viu e venceu. Portugal... adiante!
Outras duas que sei são novidades antigas de conta redonda. Há 125 anos inaugurou-se o obelisco aos Restauradores de 1640, com S.M. el-rei D. Luís e S.A.R. o príncipe D. Carlos a descobrirem as estátuas pelas quatro e meia da tarde. Tocou o hino da Restauração, houve guarda de honra pelo regimento de Caçadores 5 e salva de estilo duma bateria de Artilharia 1 postada para o efeito no Terreiro do Paço. Assistiu a restante família real, o ministério (agora diz-se governo), a câmara municipal, membros do corpo legislativo, autoridades civis, eclesiásticas e militares, e membros da Comissão Central do 1º de Dezembro.
« E ahi está erguido, magestoso e bello, o monumento levantado á memoria dos restauradores da independência nacional, affirmando que Portugal quer conservar e manter a sua independencia nacional, a sua autonomia, e que recorda com saudade a memoria d'aquelles que concorreram para sacudir o odioso jugo estrangeiro [...]»
(Meyrelles Tavora, in O Occidente, vol IX, nº 265.)
Em Norberto de Araújo lembro-me de ter lido que se fez nesse mesmo dia 28 de Abril de 1886 a inauguração solene da inacabada Avenida da Liberdade, em tenda montada para o efeito sobre os escombros do Passeio Público. Presidiu Rosa Araújo. As coisas parece afinal que nunca mudam.
Belo postal e bela gravura, Caro Bic. Adorei a grafia de Meyrelles Tavora. É precisamente essa que devemos adoptar... para chatear os abortadores ortográficos.
ResponderEliminarAbr. amigo.
Sem dúvida! (Noto agora que lhe falta a preposição; falha minha: Meyrelles de Tavora, fica a correcção.)
ResponderEliminarObrigado!
Reparou que por uma questão d'alguns centímetros e teria aparecido na imagem parte do Palácio de que lhe falei? Curioso.
ResponderEliminarAquele prédio à direita, ligeiramente mais baixo do que os que se vêem mais próximo de nós (mesmo em frente do que, no canto oposto, viria a ser o Cinema Condes), já existia nesta altura. Extraordinário! É muito bonito sobretudo pela delicadeza e harmonia da estrutura. Esperemos que ainda esteja no mesmo sítio...
Outra delícia neste desenho é um transporte/carruagem puxado a cavalos, à direita da imagem, todo fechado (e não aberto, como o que se vê na reprodução que aqui deixou há dias) por se tratar de dia invernoso. Mas o outro também o era. Pelo visto haveria dois tipos de transportes de passageiros a circular: abertos e fechados, independentemente da estação do ano. Ou seria transporte de correio? Não me parece por ser grande demais. E daí...
Ainda a graciosidade da calèche, mais ao centro, a descer para o Rossio, calculo que neste caso se trataria de transporte particular. Ou por ventura alugado, tipo táxi dos dias de hoje. Que também já os havia, note-se.
Um desenho que é um primor.
Maria
É menos que coincidência. Das voltas sobre o seu mote que surgiram alguns informes aqui.
ResponderEliminarO americano era nome genérico para aqueles que carroções que iam sobre carris puxados por cavalos. Além dos da Carris, havia de desvairados feitios. A rede de eléctricos instalou-se a partir das linhas do americano.
Há tempo falei numa dessas linhas, a que subia Pela Rua Direita dos Anjos.
A carruagem é como diz; antecessora dos táxis.
Umas Vistas de S. Pedro de Alcântara onde também se vê a casinha da Rua dos Condes.
Cumpts.