Nas cartas à directora do Público há hoje uma dum leitor sobre as novas canções de protesto. Diz que a canção Parva... da Deolinda troa em todos os meios de comunicação mas a canção do T.G.V. do Paco Bandeira, do mesmo género, muito pouco ou nada. E dá ideia - segundo o leitor - duma subtil ou velada censura à canção do Paco. - Dá pois! - Esta é daquelas que não se prova mas que todavia se pode demonstrar pelo método tudológico do achismo. A censura informal é a cesura dos media. A Parva... da Deolinda conforma-se muito bem ao figurino (sub)urbano das televisões (como acontece com o Bloco); logo serve ao recorte dos media... Isto mais se mostra na cópia de Deolindas conversadeiras e assaz (sub)urbanas, muito afins das redacções jornaleiras, como sabeis, que debitam ciência a toda a hora na televisão. A ortodoxia é sensaborona, não se ajeita ao que sabemos que o telespectador ou rádio-ouvinte querem; muito menos a poeirenta ortodoxia das cassetes, como o P.C.P. ou a música do Paco Bandeira. Quando muito vai uma pitadinha, muito ao leve, para dar um certo gostinho democrático ao caldo; mas só ingredientes muito refinados colhidos em cultura urbana.
Portanto, eu acho que é por isto que há muitos mais paineleiros por ex. do B.E. que do P.C.P. a dar nas TV, quando no fundo todos são comunistas com direitos adquiridos.
E acho também que eis como a Parva... da Deolinda leva-a o vento e o Paco Bandeira não drapeja por falta de sopro.
(Imagem do Portugal dos Pequeninos.)
«Manif». O calão já entrou nos jornais. Provavelmente, daqui a dez anos, já é português erudito.
ResponderEliminarhttp://www.dn.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1786389&seccao=M%E9dio%20Oriente
O «i» de segunda-feira parece que trazia «profes» na primeira página. Ganda curte!
ResponderEliminarCumpts.
Desculpe fugir do tema, mas nao posso deixar de escrever sobre algo que anotei para deixar a sua consideracao porque sei que o preocupa tanto quanto a mim. Mas sobretudo porque achei inadmissivel e mais ainda inacreditavel saido da boca de uma Advogada... Se o mesmo tivesse acontecido da parte de uma pessoa humilde e pouco instruida, como as vezes acontece nas entrevistas de rua, ainda va que nao va... mas agora vindo de uma jurista, francamente!!!
ResponderEliminarNo dia 8 deste mes e porque estava em casa nessa tarde, resolvi passar pelos varios canais televisivos para ver se me deparava com alguma personagem interessante a ser entrevistada. Estes casos sao rarissimos, mas quando mal nos precatamos acontecem...
A determinada altura parei na TVI, no programa da Fatima Lopes, para ouvir uma senhora advogada convidada do programa, a tecer consideracoes juridicas sobre o tema em debate, as quais me pareceram bastante razoaveis. Mas eis senao quando a senhora borra a pintura e profere dois erros de palmatoria - eram exactamente 15.20, ate anotei a hora! - conjuga duas formas verbais reflexas do verbo IR e TER da seguinte maneira... IRA0-SE e TERA-SE!!!... que, caso eu nao estivesse habituada a ouvir os analfabetos politicos e nao politicos e comentadores 'debitando' as piores barbaridades linguisticas que imaginar se possa, ter me ia dado uma coisa naquele momento.
Porque o facto e que achei tal desconchavo absolutamente deploravel pra mais vindo da parte de uma jurista! Mas em que escolas estudou esta senhora? E que professores teve ela na disciplina de portugues? E por que gramatica aprendeu esta senhora a conjugar os verbos?
Se me tivessem contado isto eu diria que era impossivel. Foi preciso ver e ouvir para acreditar.
Sinceramente, e preciso ter coragem para alguem aceitar ir a um debate televisivo, ainda por cima uma advogada..., sem saber conjugar correctamente os tempos verbais!
Maria
Nota - Peco desculpa pela falta de acentuacao, sinais graficos e tracos de uniao, mas nao consigo resolver o assunto agora. Tenho que instalar outro software. Ja ontem perdi este comentario, de modo que hoje segue mesmo assim.
Com sua licença repito o que disse algures: "pela frequência com que ouço conjugações como darei-lhe ou pelo espanto e admiração que vejo em redor quando se enuncia rectamente dar-lhe-ei, por ex.; ou até pelo definhar das simples conjugações pronominais... Veja-se a imprensa.".
ResponderEliminarNada a fazer. Ninguém aprende Português e quem devia corrigir os erros na escola já fala desta maneira. Isto só se revertia com doses maciças de de literartura clássica. Não vamos lá.
Estou completamente d'acordo com o que escreveu.
ResponderEliminarEste abastardamento consecutivo e em crescendo da nossa língua-mãe - sendo este o nosso maior Bem tanto quanto é o solo sagrado que nos viu nascer, ambos definindo a nossa identidade como Povo - tem que acabar. Nem que seja à força.
Maria
Obs.: A Senhora advogada que citei era relativamente nova, talvez trinta e poucos anos, tendo portanto feito a sua escolaridade já neste "fabuloso" regime..., nota-se.
Todos quantos tenham feito os seus estudos (superiores ou não superiores) no anterior regime sabem exprimir-se correctamente. Eis a GRANDE diferença entre o ensino ministrado naquele regime e neste. Mais uma entre muitas outras. Para desespero (e inveja) desmedido e mal disfarçado, desta inútil gentaça que desde há quase 40 anos não se despega do poder nem à lei de Deus Pai Todo Poderoso, continuando a ele agarrada que nem uma lapa ao casco dum navio. Possìvelmente só o farão à lei da bala... exactamente como nos E.U. que eles tanto adoram, cujo degradante modelo político e social eles adoptaram e seguem à risca. Quem sabe se não será essa a solução?
O ensino antigamente (não só no Estado Novo, mas também) tinha uma intenção sensata de não ir o sapateiro além da chinela: ensinar os meninos a ler, escrever e contar era um objectivo realista.
ResponderEliminarHoje os do eduquês connvenceram-se por artes mágicas que todo o humano pode ser um doutor. Nem tudo é para todos — non omnia possumus omnes.
Cumpts.
Ora, Caro Bic, os comentadores do PCP - até os Meus -são disciplinados e têm espírito de sacrifício, não aceitam ir à ribalta por dá cá aquela palha.
ResponderEliminarMas o problema que subjaz parece-me residir em inexistir geração, ou, até grupo de bairro, que preze a bandeirada...
Ab.
Os seus talvez. Os do outro P.C.P. não; prova-o a artimanha das coligações A.P.U./C.D.U. para dobrar grupos parlamentares e o inerente direito a botar discurso.
ResponderEliminarCumpts.