Li no Jornal da Madeira que agora é Angola a exigir que Cuanza figure escrito Kwanza no Vocabulário Ortográfico Comum — o que o aborto gráfico diz que se ia publicar em 1993, que a Academia das Ciências não fez até hoje, mas que uma congénere academia de Angola deve estar para fazer não tarda!...
O Português deriva do Latim, não do colonialismo, como tantos se convenceram. Ora nem o grego 'k' nem o barbaresco 'w' são do alfabeto latino (o português, afinal). São aceitos no idioma como integrantes de nomes bárbaros, nada mais (e parece-me que o aborto gráfico do ladino Malaca e restantes rastejantes de cá, apesar de tudo lá mantém a regra). Mas será 'Cuanza' nome estrangeiro? Significa que os cafres de Angola o diziam com 'k' e 'w' quando os portugueses os acordaram da pré-história?!... Enfim! Percebe-se o intento; ordenar o crioulo como Português quando do Português até o abecedário atrapalha. E assim cuida esta tribo dos N'golas sublimar os traumas coloniais pela bisonha felicidade de "civilizar" os que lhes levaram as letras. Nem se dão conta de quão infelizes são.
Dignos de dó a valer, porém, são uns que se prestam aí com ignominioso labor a algozes do idioma. Até os adivinho já por afanosos despachos e decretos ditando à Armada Portuguesa como há-de escrever Cuanza.

(Fotografia in NRP Álvares Cabral F336.)
Tem o Amigo Bic Kilogramas de razão. Mas o amor ao KAPA está entranhado, veja-se a Kilometragem de noticiários no caso Carlos Castro...
ResponderEliminarSe me visitar em casa nova
jovensdorestelo.blogspot.com
, prometo não abusar dos barbarismos.
Abraço
Caríssimo. Mas que grato prazer!
ResponderEliminarGrande abraço.
Oh! E eu que pensava que a língua de Camões tinha sido adquirida além-mar...
ResponderEliminarSabe como se resolvia isto? Cada um por si... Portugal com a língua portuguesa, Angola com a angolaa, Brasil com a brasileira... Dizia-se que eram línguas com raiz no Português, que por sua vez tinha vindo do Latim. E estava tudo resolvido.
Assim, ficávamos com o nosso Cuanza e eles com os drinks, os esportes e todo o estresse provocado por uma cambada de analfabrutos...
Creio que a língua portuguesa não é um bem disponível sobre o qual o governo possa celebrar tratados com potências estrangeiras.
ResponderEliminarMesmo internamente, as entidades a quem é reconhecido um papel na defesa da língua, apenas poderão declarar, em caso de dúvida, se a evolução de uma palavra se fez conforme o espírito da língua ou se um neologismo é admissível ou não.
O resto é um abuso de poder que, como tal, não poderá ter qualquer validade nem obrigar ninguém.
Do mesmo modo, o estado não pode adoptar grafias de países estrangeiros seja em diplomas oficiais seja no ensino.
"O Português deriva do Latim, não do colonialismo, como tantos se convenceram."
ResponderEliminarE essa nova ortografia deriva ela, do pretoguês ?
Nada a ver com o Cuanza nem com Angola, claro .
Cumpts
Gracioso
Deriva muito em rigor do brasileiro. E em geral de ignorantes. Se isto corrobora o seu adjectivo...
ResponderEliminarCumpts.
"Adquirida além-mar" não percebo?
ResponderEliminarÉ mais ou menos como diz. Com reforço de que os portugueses não impõem o idioma a ninguém, apenas o falam. E quem no fale e escreva, português ou estrangeiro, que siga a gramática. Será isto tão absurdo?
Cumpts.
E agora lendo melhor já percebo. As reticências são marca de ironia, claro.
ResponderEliminarCumpts. :)
Não, de todo, caro Bic!
ResponderEliminarDevia ser lei saber falar e escrever de forma correcta a Língua Materna. O problema é que a ileteracia (para mim é mesmo analfabetismo) cresce a olhos vistos. Acabei de receber uma mensagem do banco a dizer que uma certa aplicação financeira "trás" inúmeras vantagens. Se for como o português deles... prefiro guardar o dinheiro debaixo do colchão.
Mas, infelizmente, não é só em Portugal! Ainda há pouco ouvi uma princesa (sem duplo significado, é mesmo da nobreza, só não me lembro a que país pertence) questionar as razões de tamanho problema pela Europa. Dá vontade de dier "Oh! admirável mundo novo!!"
Quanto ao "além-mar"... foi piada fracota!! (não sou boa humorista!) Era sobre a pretensão das pessoas em reescreverem o português (o exemplo do Kwanza vs Cuanza) , como se o português tivesse nascido noutro país (além-mar) que não Portugal.
Saudações!
E eu respondi logo, antes de descer para este comentário!! :D
ResponderEliminarEu li Eça naquela edição do centenário que respeita a ortografia da 1ª edição e sempre por lá vi is gregos (como se dizia cá em casa), dablius e capas.
ResponderEliminarSão bárbaras? E os visigodos não eram? E não fazem eles, com os suevos, parte do nosso passado?
Se é para tornar à orthographia etymologica do tempo do Eça sou a favor. Mas de toda a maneira diga-me se o 'w' do Cuanza é suevo ou visigodo.
ResponderEliminarCumpts.
Claro que não é bem disponível. Só tiranos ignorantes se arrogam a tomar o idioma como bem de compra e venda. Como o fazem com a soberania, de resto.
ResponderEliminarCumpts.
Não me referia tanto à palavra em si, que penso nunca ter visto em Eça, mas ao uso do "w".
ResponderEliminarno caso do "Kwanza" do tempo de Eça, seria a grafia inglesa.
Não pode ser à amaricana? Concedamos mais esta à modernidade.
ResponderEliminarCumpts.
Off-topic (e para apagar, se quiser): podia fazer o favor de enviar-nos um email, mesmo em branco? Obrigado.
ResponderEliminarEsta triste estória do «acordo» foi pior emenda do que o soneto, (antes cada qual com a sua ortografia como acima é sugerido) mas não posso deixar de considerar muito engraçadas algumas expressões brasileiras como por exemplo aquelas - porventura aplicáveis ao dito «acordo» - do "disfruto" e da "discaração" ...
ResponderEliminarRealmente!
ResponderEliminarCumpts.