« [...] E há também... há também aquela ideia estafada da ida à casa de banho. - Sim, sim! Os que pensam que as divas e os divos estão livres da compulsão da casa de banho e de mais tudo o que numa casa de banho se faz. - E como os pirrónicos realistas, os que não vêem magia em nada e não cultivam a divindade pública, os desencantados que pensam: - "Ah, bolas! esta gente também vai à casa de banho como eu. Quero lá saber disso para alguma coisa!"
O presidente da república, a rainha de Inglaterra, a estrela de cinema - ora adeus! - vão à casa de banho; são afectados pela mesma necessidade da fisiologia e na casa de banho dizem adeus ao glamour, humanizam-se, despersonalizam-se, ou desprotagonizam-se, na escatalogia [sic] e no cheirete, exactamente como eu.
As mais belas mulheres: a Garbo, a Dietrich, a Taylor, a Gardner, a Grace do Mónaco - coitada! -, a Callas, a Nicole Kidman, a outra - aquela, sei lá! - a Angelina Jolie, quão horrendas me pareceriam se as visse closer - mais de perto - sentadas numa sanita.»
Questões de Moral. Escrito e apresentado por Joel Costa.
Antena 2, 29/11/2010 13h00-14h00.
A verdadeira questão é (nem sei se é de moral): qual a razão dum esterco destes na Antena 2 da Radiodifusão Portuguesa?
C. C. dos Mosqueteiros, Vila Real, 2006.
Ouvi, ouvi essa emissão. Formalmente talvez um pouco deslocada do espírito daquela estação radiofónica. Se calhar não mais - e recorro ao exagero (e será?) anedótico - do que o cântico estival das tribos do Baixo Nilo. E emitem-se coisas dessas, por lá, quando procuramos dela, da Antena 2, um módico de paz e do bom senso da música clássica.
ResponderEliminarAinda assim atrevo-me (juízo subjectivíssimo, sem dúvida) a pensar que, lido ou escutado este fragmento do programa integrando-o no seu texto total, a coisa não é afinal assim tão chocante.
Saudações,
Costa
Para além de uma eventual questão moral, há também a questão prática: é que as beatas depois de molhadas custam muito a acender.
ResponderEliminarA.v.o.
Anda tudo muito deslocado: o sentido da Antena 2, a noção de música clássica, o conceito do Belo... Tudo, enfim, uma cultura menos que vulgar, fora dos eixos para ser democrática e não aristocrática, para todos e não para as elites. Uma cultura que quer ser tudo e acaba não sendo nada.
ResponderEliminarO excerto é, como disse, esterco. Não destoa do contexto porque é tudo a mesma... coisa, claro. Mas note que não choca. Enjoa.
Cumpts.
Verdade. Nem me ocorreu essa.
ResponderEliminarCumpts.
Realmente! Dou-lhe toda a razão. Se já temos este tipo de linguagem nojenta na Antena 2, então atingimos um nível ainda mais baixo do que era possível imaginar-se na escala da ordinarice. A linguagem inqualificável desse locutor(?) denota falta de ética e principalmente falta de educação e falta de respeito perante os ouvintes e perante ele próprio. Linguajar que era inimaginável ainda não há muitos anos. E antes de Abril, então, era simplesmente inexistente por impensável, como é evidente. Nesses tempos as pessoas tinham educação e respeito pelo outro. Aliás nessa altura havia autoridade, respeito e educação em toda a sociedade portuguesa, designadamente aos microfónes das rádios e na televisão. É que as rígidas normas da boa educação e respeito pelo próximo, começavam a aprender-se logo desde pequeninos, na escola e em casa.
ResponderEliminarEsta gente, como esse locutor(?) que cita, cuja semântica deixa muito a desejar, não sabe o que é educação, respeito pelo ouvinte e muito menos ética. Não tem culpa, nada disso lhes foi transmitido desde a infância, na escola ou em casa. Quem tem culpa é quem o contratou para o lugar que ocupa (mal e porcamente). Em poucas palavras: faltou-lhe beber muito chá em pequenino.
Cumprimentos,
Maria
É uma noção estética típica da contra-cultura (que se fez cultura). O pior é que não é possível esperar mais que isto, dada a baixeza em que caímos. (Ainda há pedaço na Renascença a sr.ª deputada Zezinha - a que conseguiu chamar palhaço a um outro - não conseguia nem por nadad dizer do jogo que era viciante; só que era aditivo, podia tornar-se numa adição; é nesta mediocridade que pastamos...)
ResponderEliminarCumpts.
Joel Costa. O nome permite logo antever algo.
ResponderEliminarEstou estupefacto. Acabei de descobrir que esse Joel Costa publicou livros. Como é possível? Ainda estou em choque pela forma criminosa como este tolo utilizou a palavra escatologia; «na escatologia»...
ResponderEliminarAo menos fosse à Wikipédia para tomar algum contacto com o conceito.
Arquitectura do mamarracho, calão do «paciente», do «massivo» ou da «adição», diploma das Novas Oportunidades, «literatura» de prostíbulo...
Triste decadência...
Bons exemplos.
ResponderEliminarQuanto a livros até o Toni Carreira é já escritor.
Cumpts.