Gesto perdido. E ao tempo, parece, já a farda estaria perdida. Excesso de informalismo, fruto da época? Farda aligeirada, atendendo à eventual canícula e a que a fotografia não faz a devida justiça? Apenas minha maledicência e excesso de conservadorismo?
Na imagem, o boné estaria irremediavelmente perdido (um condutor do 40, ainda o vi nos anos 80 sempre de boné e casaco). Hoje a farda nem se distingue. Cumpts. :)
Não, o gesto não está perdido. O que se perdeu foram muitas carreiras de eléctricos e os próprios veículos, tão tradicionais. O gesto continua na carreira 28, por exemplo. Só que agora os eléctricos estão dotados de retrovisores diferentes e por isso o antigo retrovisor viaja dentro do carro. Noutros tempos eram os cobradores que ajudavam na operação de mudança de bandeira. Com a extinção destes, o típico desenrrascanço à portuguesa descobriu o uso do espelho retrovisor para aquele fim, retirando-o do respectivo encaixe que, na foto, se vê entre o braço e a cabeça do guarda-freio. Com respeito às fardas, é bom lembrar que não estamos perante tropas em parada nem de criados de libré. Trata-se apenas de um fato de trabalho civíl que, no caso, sai do bolso dos contribuintes. E não deve ficar nada barato. A.v.o.
Deixe-me que discorde. A bandeira do 28 é 'carreira nº', quer vá, quer venha. Em 1978 havia condutor (=cobrador) e guarda-freio em todos as carreiras de eléctricos, como há-de recordar-se. As fardas podem ter mais ou menos dignidade. Mantêm-se hoje em todas as empresas de transporte, apenas se confundem com o trajo dos passageiros, demasiado informal e muitas vezes sem aprumo. Não tarda haverá motoristas de calções e chinelos, garanto-lhe que com o necessário 'design' assinado. Do preço desses negócios nem falo. Cumpts. :)
Na cidade onde moro, os condutores dos autocarros usam uma farda cinzenta com "apontamentos" de vermelho (o vermelho é uma das cores da cidade, o cinzento não sei de onde virá). Usam uma camisa, sempre de colarinho aberto, algumas mulheres usam lenço, mas gravata num condutor é coisa que nunca vi. No Inverno usam jaquetas sem braços e por cima usam um casaco de tecido "polar" (preto com vermelho). As calças são muito semelhantes à calças dos uniformes dos homens que trabalham na construção civil, em estufas, em empresas de limpezas e por aí fora. E quando está muito calor usam calções e sandálias (umas vezes com, outras sem meias). Quem não estiver atento pode confundir funcionários do aeroporto de Zurique, com os condutores de autocarro ou até com os carteiros e outros funcionários dos correios. Pois o cinzento é predominante nos uniformes. Não me parece que, por eles se confundirem ou usarem calções e chinelos, deixem de fazer o serviço deles nem deixem de ser simpáticos. Se é parecido ao comum mortal ou não... é completamente irrelevante. Até porque deve ser bem difícil conduzir de fato e gravata o dia todo e quanto mais confortável a pessoa se sente, menos probabilidade de se tornar azeda com os passageiros. Quanto ao desmazelo, isso já é outra história. Aqui nunca os vi desmazelados e se visse, aqui ou noutro sítio qualquer do mundo, sei que não iria gostar. QUanto ao gesto... nunca vi nada assim. O que eu já vi de mais parecido foi um condutor, em Lisboa, andar fora e dentro de um autocarro (até era um expresso e não uma carreira de cidade) até acertar com que queria lá. Vê-se bem que nunca tinha visto esta foto. :D
Com o devido respeito para com as opiniões diferentes, não concordo. Sendo certo que a Carris manteve cobradores até cerca de 1988/89, era a estes que competia auxiliar os guarda-freios/motoristas na mudança de bandeira de destino dianteira e sublinho destino e dianteira, porque em relação à da traseira, enquanto a houve, a questão era diferente. Mas era habitual que estes prescindissem desse auxílio, como será o caso da foto. Afinal, tabalhavam em equipa ("casal" na gíria)e eram naturais os gestos de camaradagem. O exemplo apresentado na foto do eléctrico da Cª28, trata de uma bandeira numérica, à retaguarda, que só é mudada quando haja mudança de carreira, tal como acontece nos autocarros. As bandeiras de destino, à frente, são mudadas em cada terminus, salvo nas carreiras de "circulação", porque só têm um terminus. Quanto aos trajes, subscrevo o que disse a estimada Luísa. Quanto ao abandalhamento, "não é o hábito que faz o monge". Quanto ao resto, prefiro, por exemplo, vêr um segurança em serviço vestido de blazer simples do que fardado à "Rambo". Confunde-se com outros cidadãos? E depois? Será que os defensores da fardinha distintiva gostaríam de ir para casa, nos transportes públicos, exibindo os trajes de "almeida", de cores espalhafatosas, com tirinhas reflectoras e tudo, fazendo publicidade gratuíta à entidade patronal? E talvez gostassem, que ele há gostos para tudo mas, ao menos, não os queiram impôr aos outros. A.v.o.
Essa das cores berrantes, com tiras reflectoras e publicidade gratuita... é como tudo. Por aqui, no início da manhã e no´fim da tarde, os transportes estão cheios disso. Gente com roupas de trabalho, cheias de tinta, de óleo ou marcas de terra (o meu caso, pois trabalho numa estufa de flores; e como também faço limpezas, "passeio-me" por transportes públicos com o uniforme de serviço - que tem umas calças iguais às dos condutores do bus, mas azuis). OS dedos sujos de óleo, tinta ou terra são lavados a preceito em casa. Tudo isso é normal, porque nós viemos do trabalho. Ninguém olha ninguém de lado. Claro que um condutor de autocarro anda limpo e penteado, sem mãos imundas. Claro que os suíços ainda têm roupa de Domingo, coisa que se vê cada vez menos em Portugal. Claro que até para uma festinha de firma eles se esmeram, com maquilhagem, brincos, camisas em vez de t-shirts... O importante aqui é a circusntância e como as pessoas se adaptam a cada uma.
Tem razão, as bandeiras de destino do 28 mudam-se, sim (esta minha mania de perder o eléctrico e não esperar pelo próximo...) Não obstante, havemos de concordar que o gesto tal como o vê, de segurar o espelho para mudar a bandeira do carro, se perdeu. Cumpts.
Não se perdeu. Vá à Rua da Alfândega aos dias de semana (aos fins-de-semana os eléctricos já lá não param) e verá os guardas-freio da 18 e da 25 fazerem este mesmo gesto. A questão das fardas é mero folclore. Prefiro um serviço eficiente prestado por malta vestida de calças de ganga que engravatados a fazerem um serviço que só afasta clientela.
Havemos de concordar que os uniformes de quem atende o público identificam o pessoal perante os passgeiros e apresentam uma imagem das empresas. Claro que não definem o profissionalismo de cada um e indumentária de calções e chinelos no pessoal dos transportes é uma questão de (bom) gosto. Tal como o tronco nu, brincos ou tatuagens. Nem vale a pena discutí-lo. Cumpts.
Das questões específicas da identificação do percurso ou nº da carreira, e seus rituais de mudança, não me devo pronunciar. Nem como profissional nem como amador atento do tema, por não ser nem uma nem outra coisa, tenho autoridade ou conhecimento que mo permitam.
Da questão da farda, nem oito nem oitenta. Rogo-vos o favor de aceitarem que nem um extremo nem outro se poderiam de boa fé inferir do que escrevi. Serei o primeiro a aceitar que num clima como o de Lisboa, dado a estiagens prolongadas e severas, o uso permanente de um casaco, uma gravata e um boné (pelo menos), representaria, nas condições presumidas do exercício da profissão, um tirânico excesso de formalismo. Algo nos nossos dias menos aceitável. Sei disso, mais não seja, porque me ocorre ser forçado a usá-los. E precisamente a título da farda, não de qualquer vaidade exibicionista.
Sei também, e é consagradíssima verdade, que o hábito não faz o monge.
Mas admita-se que usar uma roupagem que de forma discreta, sem excessos ou desconforto, identifique o seu portador, em actvidades onde nem que por mera tradição assim usualmente seja, ou haja óbvia vantagem na pronta identificação de quem desempenha dada função (e "tradição" não é necessariamente algo de estéril ou velho, no sentido de anacrónico), nada tem de mal.
Confere a quem a envergue - deveria, pelo menos, se o conceito fosse levado a sério - alguma benévola autoridade, própria à função desempenhada, e quem sabe cultive, nem que apenas um pouco mais, algum brio profissional (que, note-se, não reputo de - e já adivinho a fuzilaria que aí poderá vir, por conta disto que escrevo - dependente da mera questão da farda).
Ou então, é mesmo uma questão de meu irredimível conservadorismo. É bem capaz disso.
Aí está outra boa questão: a fuzilaria que pressente por mera opinião sisuda sobre fardas e o seu expressivamente contido conservadorismo. Mais desconfortável que gravatas em motoristas. Grato pelo seu comentário.
Eu acho que o uso de calções nos transportes públicos (ou noutros serviços) não é uma questão de bom gosto, é uma questão de aguentar temperaturas insuportáveis durante horas seguidas. Eles usam os calções da farda, não vão com os calções de banho para o trabalho. Os "picas"´, por exemplo, andam quase sempre disfarçados (só em alguns tipos de comboio é que eu os vi de uniforme), nunca me apercebo que eles estão por perto. Às vezes estou noutro mundo e só no fim de eles me "espetarem" o cartão de identificação à frente do nariz é que eu percebo que só eu é que ainda não mostrei o meu bilhete. Quanto às tatuagens, brincos e cabelos com cortes e/ou cores estranhas, as unhas de gel com um tamanho nada prático... É ver para crer. Aqui o que conta é mesmo o profissionalismo, porque o gosto, esse, em qualquer parte do mundo, é extremamente subjectivo.
Não há fuzilaria que a pólvora está cara. Inteiramente de acordo com o penúltimo parágrafo. O problema é que, na prática as coisas não funcionam de forma tão simples. E um dos busílis é precisamente a tradição. Em todo o caso devería ser dada às pessoas a possibilidade não de terem que envergar trajes de trabalho fora das horas de serviço. Este é um tema complexo e nada pacífico, a ajuizar pelo número de comentários. Que até não serão muitos, se comparados com aqueles que os mais tradicionalistas farão ao vêr os actuais carteiros que, no cumprimento da sua missão, envergam calçôes e ténis. A.v.o.
Na antiga carreira do 10, a malta que saia do Liceu Gil Vicente e que apanhava-o no Largo da Graça, entretinha-se em mudar a bandeira aquando sai em Sapadores. Coisa de garotos...
A pendura era uma "instituição" aberta a todas as idades. Há-de haver por aí fotos do "carro operário" "à pinha", onde predominavam os graúdos.Já as penduras nas camionetas de carga, eram exclusivas da canalha. A.v.o.
Gesto perdido. E ao tempo, parece, já a farda estaria perdida. Excesso de informalismo, fruto da época? Farda aligeirada, atendendo à eventual canícula e a que a fotografia não faz a devida justiça? Apenas minha maledicência e excesso de conservadorismo?
ResponderEliminarCosta
Na imagem, o boné estaria irremediavelmente perdido (um condutor do 40, ainda o vi nos anos 80 sempre de boné e casaco).
ResponderEliminarHoje a farda nem se distingue.
Cumpts. :)
Não, o gesto não está perdido. O que se perdeu foram muitas carreiras de eléctricos e os próprios veículos, tão tradicionais. O gesto continua na carreira 28, por exemplo. Só que agora os eléctricos estão dotados de retrovisores diferentes e por isso o antigo retrovisor viaja dentro do carro. Noutros tempos eram os cobradores que ajudavam na operação de mudança de bandeira. Com a extinção destes, o típico desenrrascanço à portuguesa descobriu o uso do espelho retrovisor para aquele fim, retirando-o do respectivo encaixe que, na foto, se vê entre o braço e a cabeça do guarda-freio. Com respeito às fardas, é bom lembrar que não estamos perante tropas em parada nem de criados de libré. Trata-se apenas de um fato de trabalho civíl que, no caso, sai do bolso dos contribuintes. E não deve ficar nada barato.
ResponderEliminarA.v.o.
Deixe-me que discorde.
ResponderEliminarA bandeira do 28 é 'carreira nº', quer vá, quer venha.
Em 1978 havia condutor (=cobrador) e guarda-freio em todos as carreiras de eléctricos, como há-de recordar-se.
As fardas podem ter mais ou menos dignidade. Mantêm-se hoje em todas as empresas de transporte, apenas se confundem com o trajo dos passageiros, demasiado informal e muitas vezes sem aprumo. Não tarda haverá motoristas de calções e chinelos, garanto-lhe que com o necessário 'design' assinado. Do preço desses negócios nem falo.
Cumpts. :)
Na cidade onde moro, os condutores dos autocarros usam uma farda cinzenta com "apontamentos" de vermelho (o vermelho é uma das cores da cidade, o cinzento não sei de onde virá). Usam uma camisa, sempre de colarinho aberto, algumas mulheres usam lenço, mas gravata num condutor é coisa que nunca vi. No Inverno usam jaquetas sem braços e por cima usam um casaco de tecido "polar" (preto com vermelho). As calças são muito semelhantes à calças dos uniformes dos homens que trabalham na construção civil, em estufas, em empresas de limpezas e por aí fora. E quando está muito calor usam calções e sandálias (umas vezes com, outras sem meias).
ResponderEliminarQuem não estiver atento pode confundir funcionários do aeroporto de Zurique, com os condutores de autocarro ou até com os carteiros e outros funcionários dos correios. Pois o cinzento é predominante nos uniformes.
Não me parece que, por eles se confundirem ou usarem calções e chinelos, deixem de fazer o serviço deles nem deixem de ser simpáticos. Se é parecido ao comum mortal ou não... é completamente irrelevante. Até porque deve ser bem difícil conduzir de fato e gravata o dia todo e quanto mais confortável a pessoa se sente, menos probabilidade de se tornar azeda com os passageiros.
Quanto ao desmazelo, isso já é outra história. Aqui nunca os vi desmazelados e se visse, aqui ou noutro sítio qualquer do mundo, sei que não iria gostar.
QUanto ao gesto... nunca vi nada assim. O que eu já vi de mais parecido foi um condutor, em Lisboa, andar fora e dentro de um autocarro (até era um expresso e não uma carreira de cidade) até acertar com que queria lá. Vê-se bem que nunca tinha visto esta foto. :D
Com o devido respeito para com as opiniões diferentes, não concordo. Sendo certo que a Carris manteve cobradores até cerca de 1988/89, era a estes que competia auxiliar os guarda-freios/motoristas na mudança de bandeira de destino dianteira e sublinho destino e dianteira, porque em relação à da traseira, enquanto a houve, a questão era diferente. Mas era habitual que estes prescindissem desse auxílio, como será o caso da foto. Afinal, tabalhavam em equipa ("casal" na gíria)e eram naturais os gestos de camaradagem. O exemplo apresentado na foto do eléctrico da Cª28, trata de uma bandeira numérica, à retaguarda, que só é mudada quando haja mudança de carreira, tal como acontece nos autocarros. As bandeiras de destino, à frente, são mudadas em cada terminus, salvo nas carreiras de "circulação", porque só têm um terminus.
ResponderEliminarQuanto aos trajes, subscrevo o que disse a estimada Luísa. Quanto ao abandalhamento, "não é o hábito que faz o monge". Quanto ao resto, prefiro, por exemplo, vêr um segurança em serviço vestido de blazer simples do que fardado à "Rambo". Confunde-se com outros cidadãos? E depois? Será que os defensores da fardinha distintiva gostaríam de ir para casa, nos transportes públicos, exibindo os trajes de "almeida", de cores espalhafatosas, com tirinhas reflectoras e tudo, fazendo publicidade gratuíta à entidade patronal? E talvez gostassem, que ele há gostos para tudo mas, ao menos, não os queiram impôr aos outros.
A.v.o.
Essa das cores berrantes, com tiras reflectoras e publicidade gratuita... é como tudo.
ResponderEliminarPor aqui, no início da manhã e no´fim da tarde, os transportes estão cheios disso. Gente com roupas de trabalho, cheias de tinta, de óleo ou marcas de terra (o meu caso, pois trabalho numa estufa de flores; e como também faço limpezas, "passeio-me" por transportes públicos com o uniforme de serviço - que tem umas calças iguais às dos condutores do bus, mas azuis). OS dedos sujos de óleo, tinta ou terra são lavados a preceito em casa. Tudo isso é normal, porque nós viemos do trabalho. Ninguém olha ninguém de lado.
Claro que um condutor de autocarro anda limpo e penteado, sem mãos imundas. Claro que os suíços ainda têm roupa de Domingo, coisa que se vê cada vez menos em Portugal. Claro que até para uma festinha de firma eles se esmeram, com maquilhagem, brincos, camisas em vez de t-shirts...
O importante aqui é a circusntância e como as pessoas se adaptam a cada uma.
Tem razão, as bandeiras de destino do 28 mudam-se, sim (esta minha mania de perder o eléctrico e não esperar pelo próximo...)
ResponderEliminarNão obstante, havemos de concordar que o gesto tal como o vê, de segurar o espelho para mudar a bandeira do carro, se perdeu.
Cumpts.
Não se perdeu. Vá à Rua da Alfândega aos dias de semana (aos fins-de-semana os eléctricos já lá não param) e verá os guardas-freio da 18 e da 25 fazerem este mesmo gesto.
ResponderEliminarA questão das fardas é mero folclore. Prefiro um serviço eficiente prestado por malta vestida de calças de ganga que engravatados a fazerem um serviço que só afasta clientela.
Havemos de concordar que os uniformes de quem atende o público identificam o pessoal perante os passgeiros e apresentam uma imagem das empresas. Claro que não definem o profissionalismo de cada um e indumentária de calções e chinelos no pessoal dos transportes é uma questão de (bom) gosto. Tal como o tronco nu, brincos ou tatuagens. Nem vale a pena discutí-lo.
ResponderEliminarCumpts.
Bom, pelo visto estou enganado. Continua mesmo a mudar-se a bandeira deste modo? Fico contente.
ResponderEliminarCumpts.
Das questões específicas da identificação do percurso ou nº da carreira, e seus rituais de mudança, não me devo pronunciar. Nem como profissional nem como amador atento do tema, por não ser nem uma nem outra coisa, tenho autoridade ou conhecimento que mo permitam.
ResponderEliminarDa questão da farda, nem oito nem oitenta. Rogo-vos o favor de aceitarem que nem um extremo nem outro se poderiam de boa fé inferir do que escrevi. Serei o primeiro a aceitar que num clima como o de Lisboa, dado a estiagens prolongadas e severas, o uso permanente de um casaco, uma gravata e um boné (pelo menos), representaria, nas condições presumidas do exercício da profissão, um tirânico excesso de formalismo. Algo nos nossos dias menos aceitável. Sei disso, mais não seja, porque me ocorre ser forçado a usá-los. E precisamente a título da farda, não de qualquer vaidade exibicionista.
Sei também, e é consagradíssima verdade, que o hábito não faz o monge.
Mas admita-se que usar uma roupagem que de forma discreta, sem excessos ou desconforto, identifique o seu portador, em actvidades onde nem que por mera tradição assim usualmente seja, ou haja óbvia vantagem na pronta identificação de quem desempenha dada função (e "tradição" não é necessariamente algo de estéril ou velho, no sentido de anacrónico), nada tem de mal.
Confere a quem a envergue - deveria, pelo menos, se o conceito fosse levado a sério - alguma benévola autoridade, própria à função desempenhada, e quem sabe cultive, nem que apenas um pouco mais, algum brio profissional (que, note-se, não reputo de - e já adivinho a fuzilaria que aí poderá vir, por conta disto que escrevo - dependente da mera questão da farda).
Ou então, é mesmo uma questão de meu irredimível conservadorismo. É bem capaz disso.
Costa
Aí está outra boa questão: a fuzilaria que pressente por mera opinião sisuda sobre fardas e o seu expressivamente contido conservadorismo.
ResponderEliminarMais desconfortável que gravatas em motoristas.
Grato pelo seu comentário.
Eu acho que o uso de calções nos transportes públicos (ou noutros serviços) não é uma questão de bom gosto, é uma questão de aguentar temperaturas insuportáveis durante horas seguidas. Eles usam os calções da farda, não vão com os calções de banho para o trabalho. Os "picas"´, por exemplo, andam quase sempre disfarçados (só em alguns tipos de comboio é que eu os vi de uniforme), nunca me apercebo que eles estão por perto. Às vezes estou noutro mundo e só no fim de eles me "espetarem" o cartão de identificação à frente do nariz é que eu percebo que só eu é que ainda não mostrei o meu bilhete.
ResponderEliminarQuanto às tatuagens, brincos e cabelos com cortes e/ou cores estranhas, as unhas de gel com um tamanho nada prático... É ver para crer.
Aqui o que conta é mesmo o profissionalismo, porque o gosto, esse, em qualquer parte do mundo, é extremamente subjectivo.
:) Cumpts.
ResponderEliminarNão há fuzilaria que a pólvora está cara. Inteiramente de acordo com o penúltimo parágrafo. O problema é que, na prática as coisas não funcionam de forma tão simples. E um dos busílis é precisamente a tradição. Em todo o caso devería ser dada às pessoas a possibilidade não de terem que envergar trajes de trabalho fora das horas de serviço.
ResponderEliminarEste é um tema complexo e nada pacífico, a ajuizar pelo número de comentários. Que até não serão muitos, se comparados com aqueles que os mais tradicionalistas farão ao vêr os actuais carteiros que, no cumprimento da sua missão, envergam calçôes e ténis.
A.v.o.
Também já reparou. Quer pior exemplo do que esses?
ResponderEliminarCumpts.
Há coisa de dois meses, vi mudar o destino da carreira 28 com o espelho.
ResponderEliminarCumprimentos
Na antiga carreira do 10, a malta que saia do Liceu Gil Vicente e que apanhava-o no Largo da Graça, entretinha-se em mudar a bandeira aquando sai em Sapadores. Coisa de garotos...
ResponderEliminarGesto não perdido. Confirma-se.
ResponderEliminarCumpts.
Outra seria a pendura.
ResponderEliminarCumpts. :)
A pendura era uma "instituição" aberta a todas as idades. Há-de haver por aí fotos do "carro operário" "à pinha", onde predominavam os graúdos.Já as penduras nas camionetas de carga, eram exclusivas da canalha.
ResponderEliminarA.v.o.
Socorro-me de quem tem melhor argumentação que a minha: vd. Ricardo Moreira, ùltimo parágrafo, dia 22.
ResponderEliminarA.v.o.
Donde se prova que serviço e fardamentos são assuntos distintos. Mas há-de reparar que eu aqui só argumento sobre fardas.
ResponderEliminarCumpts: :)
Há sim senhor. Só não sei se é carro operário.
ResponderEliminarhttp://biclaranja.blogs.sapo.pt/378117.html
Cumpts.