A matrafona do barrete frígio acha-se bastante popular; como este ano o aniversário é redondo vai ela de se colar às marchas pelo Santo António. – Depois deve ir à mama do tinto e das sardinhas para o arraial, a misturar-se com o povo...
Enfim! Isto não é nada ao pé da desgraçada colagem da Ouropa aos Jerónimos, que nos enegrece a alma para gáudio duns certos salvadores da pátria, afinal desiludidos... – Há pedaço andavam os das notícias grasnando o que disse o irmão do dr. Tertuliano sobre as cabeças de cherne que bóiam hoje por Bruxelas. Talvez tenha razão; no tempo em que ele rasurou Portugal na Europa havia mais cabeçudos. E até as cabeças por cá eram maiores: – haviam bem de ser de atum, começando pela sua, cuja liderou o cardume direitinho ao copejo. À armação de há 25 anos devemos progressos como o comboio do Tua arvorado em Metro de Mirandela e velhas estações transmontanas travestidas em Jean Monet e Jacques Delors. – Mas tomemos a coisa pela positiva: com cabeças de cherne, agora, talvez o deslumbramento ouropeu siga cego pelo luxo do Grande Vitesse e deixe o que resta do Portugal castiço passar despercebido.
Lagos, c. 1910 (in M.P.T.-Algarve).
(Texto revisto às 10h00 da noute.)
Sr. Bic,
ResponderEliminarcomo aqui há uns tempos vi um post seu relativo ao filme "Verdes Anos" deixo-lhe aqui nota que na próxima segunda feira dia 14 este filme vai ser apresentado na Cinemateca.
Grato pelo aviso. Muito obrigado!
ResponderEliminarSr Bic,
ResponderEliminarAproveito esta fotografia para manifestar a tristeza e revolta pelo desaparcimento da mais bela praça de Lagos e uma das mais bonitas do País. A suposta requalificação de parte da Avenida marginal (parcialmente necessária), traduziu-se na destruição da Praça do Infante, que era constituída por uma calçada portuguesa, desenho com padrão de ondas na qual estava centrada a estátua do Infante da autoria de Leopoldo de Almeida.
A Praça, que necessitaria de requalificação na sua parte posterior, ou básicamente que tivesse havido coragem de acabar com uma esplanada que descaracterizava a zona fronteira à Igreja, foi destruida.
Mau gosto, pretensiosismo, piroseira e ignorância, são insuficientes para descrever o que lá está hoje, mas talvez "obra de autarca" o descreva bem.
Estátua e calçada formavam uma peça única em plena harmonia com aquele lugar geográfico e urbano.
Em Lagos, rotundas com cadeiras, pêndulos ou fontes/caravelas mereceram da parte da autarquia maior destaque no espaço público do que, aquele que foi considerado há dois anos (não por nós), a segunda ou terceira figura mais conhecida da história da humanidade, agora com a sua escultura totalmente despercebida pela sky line da cidade.
Os responsaveis que o fizeram e autorizaram têm nome e tambem o ónus da nossa recordação pelo crime cometido contra o espaço público. Quem lucrou com o negócio tambem não os esquecerá!
Valeu a pena? tudo vale a pena com o dinheiro dos contribuintes!!!
Muito obrigado pela oportunidade e bem haja Sr. Bic
Agradeço-lhe o testemunho. Tristemente - é o que dá ideia - caminhamos para uma era de barbárie em que o gosto do harmonioso e do Belo se esfuma em patetices de ignorantões. Poucos se hão-de dar conta conta.
ResponderEliminarCumpts.