O infante D. Afonso, futuro rei Afonso IV, andou em moço muito bravo contra seu pai, el-rei D. Dinis, porque – assim reza a história – el-rei o preteria em favor dum filho bastardo, Afonso Sanches. Uma crónica antiga diz que foi posto a corrrer pelos que seguiam o infante revoltado (muitos eram homiziados fugidos à justiça real) o boato de que D. Dinis procurara ao Papa a legitimação de Afonso Sanches com o argumento que «o infante D. Afonso não era homem para ser rei porque não havia siso nem entendimento, que andava como sandeu desmemoriado, tirando às aranhas pelas paredes»...
Tirando às aranhas pelas paredes, como heis-de entender, é dizer em português moderno andar às aranhas, ou andar à toa - próprio, portanto, de quem não tem siso nem entendimento.
A falsa tirada argumentativa – que cuido ser da Crónica de Portugal de 1419 – é riquíssima de expressividade e sentido e diz muito mais sobre governantes do tempo presente do que, afinal, sobre D. Afonso IV, a quem historicamente se houvera de referir.
Não é curioso?
Bernardo de Vasconcelos e Sousa, D. Afonso IV, Lisboa, Círculo de Leitores, 2005.
quarta-feira, 10 de março de 2010
Tirando às aranhas pelas paredes
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
o mesmo Afonso IV que mandou matar Inês de Castro, recomendo o livro Inês de Portugal de João Aguiar que conta a vingança de D. Pedro I
ResponderEliminarRazões de Estado, segundo consta.
ResponderEliminarGrato pela inciação.
Cumpts.
de nada sempre as ordens
ResponderEliminar