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sábado, 16 de janeiro de 2010

Da virtual realidade

... dirigindo a reconstrução de Lisboa depois do terramoto



 Anteontem, num desses incontáveis programas onde se badala à tripa-forra sobre a bola, o penalty e o árbitro, destacavam em rodapé: Drama no Leixões: jogador haitiano Jean Sony sem notícias da família. É um drama, sim, para o jogador, para a família e, por extensão, para os desafortunados haitianos. Mas traduzir uma desgraça assim num título Drama no Leixões exprime uma noção muito particular da realidade que não ultrapassa um horizonte de recreio de colégio.
 Ia dizer que isto é mera coisa de jornalistas de jardim-escola, não fora este ilusório entendimento da realidade ser tão generalizado que o vejo irreflectidamente alardeado da baixa à alta vilanagem. Qualquer folhear dum jornal de ontem dá inúmeros exemplos sonantes, desde tegevês para surfistas, pandemias de vacinas, auto-estradas para lugares ermos, sardinha com certificação sustentável ou até as funções públicas de alto relevo do incubado dr. Pedro Lopes.
 Ainda assim estes exemplos, para lá do malbaratar absurdo de recursos por gente tão pouco escrupulosa quanto inteligente, podem aparentemente ser inócuos, mas atenção: a estupidez pode tornar-se criminosa. Pois agora imagino haver cá um terramoto a valer e ser esta gente de entendimento tolhido que há-de vir a organizar o socorro.

(Imagem do blogo do Tinoni.)

8 comentários:

  1. Às vezes pergunto-me se não serei demasiado exigente na crítica ao que leio, ao que vejo, ao que oiço, seja de um jornalista, de um político ou de um "comum mortal". Mas já estou a ver que não, não sou assim tão exigente. Se o fosse não iria encontrar um post como este.
    Sinto-me feliz e triste. Feliz porque encontro alguém que tem mais ou menos a mesma visão que eu das coisas, logo é uma espécie de prova que não sou completamente paranóica. E triste porque acabo por ter razão nas críticas que faço quando me dedico 5 minutos a qualquer coisa vinda dos "media", o que não é lá muito bom sinal para os ditos.

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  2. Bic Laranja17/1/10 12:10

    Admito que 1/3 das coisas ditas importantes são pura parvoíce; outro terço é penacho. Veja o que sobra. Os 'media' meramente reflectem os 2/3 de fantasia que nos rodeiam. Fazem escola, perpetuam a ilusão e não saímos disto.
    A exigência de que fala é desepero.
    Cumpts.

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  3. E O Tinoni agradece a sua referência, meu caro Bic:)
    Só me falta dizer ão, ão:)

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  4. Attenti al Gatti18/1/10 23:35

    Curiosamente, sobre a "epidemía das vacinas" já aquí se teceram comentários premonitórios do que agora se está a passar.
    A.v.o.

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  5. Já não há mesmo paciência!... :-x

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  6. Bic Laranja24/1/10 20:54

    Obrigado sou eu! Cumpts. :)

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  7. Bic Laranja24/1/10 20:56

    Estava bem à vista no que ia dar.
    Cumpts.

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  8. Bic Laranja24/1/10 20:58

    Não há. E quando descamba em negligência criminosa é revoltante...
    Cumpts.

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