
Decididamente esta espécie de civilização global não passa duma imensa venda de banha da cobra.
A E.M.E.L., essa sociedade comercial que manda nos arruamentos de Lisboa (a Câmara não se presta a fazer valer a jurisdição que lhe compete, embora encha o baú com um imposto automóvel, sem despesas de cobrança) – a E.M.E.L., dizia eu – vai começar a vender parquímetros de bolso que funcionam com cartão pré-pago. No seu dizer, "será muito benéfico para a empresa e para o utente, porque deixam de existir as situações em que o utente ou paga menos tempo do que fica estacionado ou paga a mais". O benéfico para a empresa é de gritos: vender ao automobilista por € 30,00 uma geringonça (agora parece que se diz gadget, não é?) para ele ter o extraordinário privilégio de poder pagar o estacionamento tal qual a tarifa corrente; e mais, com o pré-pago antecipa receita forçando o utente ao uso complementar dum cartão sem o qual a geringonça será inútil.
Já o benefício do utente é o logro de ser servido de pagar para... poder pagar adiantado. Ora como sabemos, neste mundo quem paga adiantado é mal servido. No caso, a dupla tributação a favor do município (I.M.V. e E.M.E.L.) é um roubo de estrada e um simulacro de res publica sem proveito para o cidadão. E este há-de sem remédio ter de continuar pagando cumulativamente o tributo aos bárbaros que de facto senhoreiam as ruas.
(Raspadinhas da E.M.E.L. em...)
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
Nova raspadinha E.M.E.L.
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