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segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Da insalubridade climática

Algarve Golf (Ed. com. Euro 2004, in Filatelia Portuguesa Digital)


 Esta coisa do ambiental do verde e do sustentável nem sei bem se é uma religião em si mesma se um catecismo (é catecismo por certo, para estimular o consumo, este sim, a verdadeira religião).

 Aqui há dias deram na TV um alegado despedido da Qimonda (se não faço confusão) que sublimou o infortúnio publicando um livro de catequese para isto do ambiental e do sustentável (deu nas notícias para não parecer publicidade). Uma prédica deste catecismo agora era todos enchermos baldes e baldes com água fria enquanto o esquentador não aquece o banho. Confesso que me senti cidadão capaz de despejar uns garrafões de água do Luso que guardo ali na despensa para poder aprovisionar toda a água desperdiçada na banheira. (Mais amigo do ambiente, ainda, seria... regar campos de golfe e poupar a água do autoclismo, mas é pouco curial, convenhamos.)

 Em tempos era eu mais incréu: certa vez que manifestei a minha descrença no aquecimento global, fundado em que fazia em Portugal um frio dos antigos, recebi réplica dalguém dizendo que - imagine-se - o aquecimento global desviava a corrente do Golfo de fluir para este lado deixando-nos cá sujeitos a um frio mais rijo que dantes. Estranho fenómeno: o aquecimento era global mas Portugal esfriava. - Estaria fora do globo?

 Cuido que foi depois disso que os paineleiros da O.N.U. deram pela falha da designação e logo adoptaram as alterações climáticas. Azada mudança: pouparam-nos em Portugal do trauma da exclusão e o ex-aquecimento global tornou-se mais democrático (como a indústria dos cosméticos quando inventou os metrossexuais): serve tanto quando aquece como quando arrefece...

 A mim é que já nem uma nem outra.



(Postal in
A Filatelia Portuguesa Digital, nº 122, 2004/05.)

8 comentários:

  1. Nem mais, Caro Bic. O dito «aquecimento global» (ou as «alterações climáticas») de origem antropogénica são uma treta das grandes. E um atestado de ignorância a todos os ditos «cientistas» que enfiem o barrete.

    Como engenheiro, toda esta fraude global me repugna pois, para começar, viola as leis da Física: o inofensivo (e imprescindível) CO2 é 1,5 vezes mais pesado que o ar, e por isso nunca poderá subir às altas camadas da atmosfera para fazer o tal «efeito de estufa». Limita-se a ficar junto ao solo, a ser reciclado na fotosíntese das plantas (sem ele não haveria flora) e o remanescente a diluir-se nas águas dos rios e oceanos.
    Também, se os gelos polares derretessem, um simples cálculo mostraria que a subida do nível dos oceanos seria apenas devida a gelo assente sobre placa continental, e não passaria de um ou dois centímetros. E para isso seria preciso que a Terra aquecesse mais de 50º C. Estaríamos assados antes disso.

    Assim, o festival de ignorância e má-fé que é o encontro de Copenhaga destina-se apenas a:

    1 - Impedir a industrialização do 3º Mundo, para que não faça concorrência às multinacionais do 1º e lhes continue a fornecer mão-de-obra quase escrava;

    2 - Lançar impostos extorsionários sobre as populações, com a desculpa estúpida (a todos os níveis) da «pegada climática»;

    3 - Abrir novos nichos de mercado para as energias ditas «renováveis», a maior parte das quais são um autêntico «bluff» para qualquer engenheiro ou físico que saiba analisar as coisas. Estas apenas se destinam a encher os bolsos das «corporations» dos amigos...

    E para que esta impostura pegue, criam uma «religião» de fanáticos, reconduzidos do «New Age», tão cegos e violentos quanto os extremistas xiitas ou os Torquemadas do Santo Ofício espanhol. É a religião do «Greening», como já foi apelidada e, como o meu Caro muito bem escreve, apenas serve o consumo, a favor dos grandes lobbies do «ambiente».

    Mas a Natureza está-se nas tintas para o «politicamente correcto» e para o «greening» (thank God!) e prepara-se para nos brindar com mais uma das suas glaciações cíclicas, com toda a força de que dispõe, perante a qual toda a influência humana (com sistemas HAARP, bobinas Tesla gigantes, pulverização de aerossóis) terá o peso de um grão de ervilha.

    Por isso, os trapaceiros da ONU e de Copenhaga alteraram a designação. De resto, a cassete é a mesma...

    Preparemos as nossas lareiras, Caro Amigo, e talvez desfrutemos de alguns Natais brancos...

    Cumprimentos

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  2. Aqui no Cais Sodré, o observatório da toxicodependência foi edificado bem Tejo a dentro. Tomarão drogas? Na Expo ninguém se preocupa em ficar com os pés molhados. Serão casas lacustres? E a sociedade Frente Tejo não se chateia da 'requalificação' que pariu para o Terreiro do Paço vir a ficar submersa.
    Só temo que no fim os contentores da Liscont/Mota-Engil se tornem submarinos...
    Grato pela explicação. Cumpts.

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  3. E nunca ninguém fala no facto de há 1000 anos (mais semana, menos semana)os vikings terem chegado a uma terra do outro lado do mar e à qual lhe deram o nome de Grønland (terra verde para os mais distraídos), a actualmente conhecida Gronelândia!

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  4. Nem mais, Caro Ricardo! Terra essa que foi abandonada cerca de um século depois por se ter tornado inabitável devido ao avanço do gelo. Entretanto, o navegador viking Leif Ericson já tinha chegado às costas da que ele chamou Vineland (possivelmente a Terra Nova ou as costas do continente norte-americano), fundando uma pequena colónia, em breve abandonada por motivos... não-ambientais.

    E, muito mais tarde, pelo Séc. XVII, tivemos na Europa um «ante-arremedo» do «big freeze», com a Pequena Glaciação, em que o rio Tamisa gelou todo o Inverno, e Portugal estava sob o jugo filipino, com Invernos tão frios que a fome grassava no interior.

    Cumprimentos.

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  5. Essa Pequena Glaciação durou até ao início da Revolução Industrial, pelo que há quem defenda que o aumento das temperaturas registado a partir de 1850 (mas antes já haveria registos fidedignos?) se deve não só à actividade humana, mas também (e nalgumas teses chega-se a dizer que apenas) a variações naturais.

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  6. Confesso que senti dificuldade em entender o objectivo deste artigo!

    Seja como for, algumas correcções (nada relevantes), o "alegado despedido", não foi despedido mas sim encontra-se em layoff.
    O "livro de catequese" não se debruça em assuntos relacionados com "isto do ambiental e do sustentável", mas está sim relacionado com a micro-poupança ou poupança doméstica.

    Dado que conheço pessoalmente o autor, que infelizmente se encontra numa situação profissional instável, achei por bem deixar aqui essas correcções.

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  7. Bic Laranja9/12/09 11:53

    Fez bem, obrigado!
    O louvável conselho de poupar água num livro sobre economia doméstica, empolado pelos arautos do Apocalipse dum qualquer jornal da tarde, ecoa logo como prédica para a Salvação, há-de concordar; é o livro aqui, portanto, um mero exemplo dum abominável estilo de noticiário doutrinário - tanto pior quando (e por analogia) se atapeta caladamente o país de campos de golfe sorvedores de rios de água (e daqui a imagem).
    Socorri-me da notícia do livro como exemplo da doutrinação que por aí vai para essa nova religião 'ecológica'. Contra o livro em si mesmo e o seu autor, nada me move, bem entendido.
    Cumpts.

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