A Av. Afonso Costa, em Lisboa, parte do Areeiro (lado nascente) em aterro sobre a velha estrada de Sacavém, rasga a encosta que do Casal Vistoso caía em suave declive sobre a Rua Barão de Sabrosa, e liga à Rotunda das Olaias novamente em aterro sobre o vale da Azinhaga da Fonte do Louro. Quem, porventura, nos anos 40 se chegasse à embocadura do que é hoje a Av. Afonso Costa, ao Areeiro, veria de alto a Rua Alves Torgo (a velha estrada de Sacavém) e adiante, no cimo duma colina, o Casal Vistoso.
Foi este Casal Vistoso, ou Quinta das Ameias, edificado no séc. XVII; pertenceu aos Abreus e Castro (1) e foi retiro de campo da condessa d' Edla (2) e de el-rei D. Fernando II.
Outrora era a silhueta desta quinta que dominava todas as vistas que deitássemos na direcção do Areeiro, antes da actual praça. Hoje em dia mal se vê da Av. Afonso Costa, que lhe morde os alicerces, tal é o volume edificado em seu redor.
Rua Alves Torgo e Quinta das Ameias ou do Casal Vistoso, Areeiro (Lisboa), 1947.
Eduardo Portugal, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..
(1) O Guia de Portugal designa a Quinta das Ameias como Casal Ventoso, o que é evidentemente uma gralha tipográfica. Diz o seguinte: "A estr. de Sacavém leva ao Areeiro, atravessando a linha férrea de cintura. Antes do apeadeiro, vê-se à dir. o palácio da Quinta das Ameias ou Casal Ventoso [sic], que data do séc. XVII e era dos Abreus e Castros" (vol. I, p. 269).
(2) J. F. do Alto do Pina, História da Freguesia.
Sempre achei curiosa a presença daquelas ruínas naquele local, só mais tarde e já durante "investigações" feitas à Estrada de Sacavém percebi do que se tratava. Nessa altura a curiosidade passou a perplexidade : o Casal Vistoso persistiu como sinal da dificuldade que foi urbanizar aquela zona da cidade, a escassos metros dos "Arranha-céus" da era Duarte Pacheco, onde tudo se fazia custasse o que custasse. A própria conclusão tardia da Avenida Afonso Costa é disso exemplo.
ResponderEliminarAnos e anos depois, e liberta a zona dos "obstáculos" de chapa e zinco, temos as melhores construções de subúrbio na periferia da Praça do Areeiro.
agora o que se ve da alves torgo do lado da gago coutinho é um beco
ResponderEliminarNão é preciso recuar aos anos 40. Em meados de 60 ainda se podia ver a quase totalidade do que mostra a foto. No prédio fronteiro, na entrada junto ao chafariz, existiu aquilo que presumo ter sido um lagar de azeite. Na outra porta, era uma taberna. Seguia-se a entrada para uma quinta, em tudo semelhante à entrada para a Quinta do dr. Lobo, um pouco mais à frente.
ResponderEliminarNão fazia ideia de ter tido o Casal Vistoso tão ilustres moradores. Mas lembro-me bem do quanto me impressionava a sua imagem, especialmente aquelas janelas no muro, que pareciam olhos vazados. Na minha mente infantil, não fazia sentido os muros terem janelas. Assim imaginava serem aquelas paredes restos de um palácio que tería ardido. Também me lembro de, há alguns anos atrás, um jornal ter entrevistado uma antiga moradora que dizia vêr-se dalí, nitidamente o castelo de Sintra. Talvez por isso, o casal real tenha escolhido esta habitação.
Hoje quase nada nada resta do Casal Vistoso. Acredito que só ainda não plantaram um marracho no seu lugar, porque o desaterro fica muito caro. Mas é uma questão de tempo. Fica-me a grande mágoa de não o ter fotografado enquanto ainda havia alguma coisa da sua antiga grandeza.
A.v.o.
Caro Bic,
ResponderEliminarMuito interessante a referência a uma casa de retiro da Condessa d'Edla e de D.Fernando no Casal Vistoso -casa que desconhecia, embora tendo publicado no "Rio das Maçãs", dois post sobre as casas onde viveu a Condessa:
http://riodasmacas.blogspot.com/2009/05/as-casas-da-condessa.html
http://riodasmacas.blogspot.com/2009/06/as-casas-da-condessa-ii.html
Há conhecimento de antes do casamento D.Fernando e a Condessa frequentarem um palacete no Dafundo, mas da casa referida pela Junta de Freguesia do alto Pina, nunca tinha ouvido qualquer referência - o que me vai obrigar a uma actualização no blogue.
Um abraço
Pedro Macieira
http://www.riodasmacas.blogspot.com
Fiz ontem este mesmo post no ruin'arte...obrigado pela ajuda...aqui fica o link http://ruinarte.blogspot.com/
ResponderEliminarTem razão. É terrível a boçalidade dos que admitem construção sem grandeza (apesar da altura) a par do Areeiro.
ResponderEliminarEssa casa amarela é da Câmara e está destinada ao Clube de Campismo de Lisboa. Na adaptação já adulteraram as janelas com caixalharia mais que duvidosa. Mas menos mal; temi a demolição há meses, estando a casa então devoluta.
Cumpts.
Pior. É qualquer coisa que nem sei explicar; o nível da rua dá pelo 1º andar das casas. Cumpts.
ResponderEliminarÉ natural que se visse a Pena do Casal Vistoso, mas nunca tal me ocorreu. Ocorreu-me sim ir lá espreitar a casa, desde que me lembro. Nunca o fiz, porém. Uma vez que me aproximei com material fotográfico emprestado optei por não arriscar; desde aí o lugar só piorou, tanto que desisti.
ResponderEliminarGrato pelo complemento da explicação da imagem.
Cumpts.
Obrigado pelas remissões que cá deixa. Infelizmente a pág. da junta do Alto do Pina não refere a fonte. Seria de interesse saber em que época a condessa ali viveu.
ResponderEliminarCumpts.
Obrigado. Vou agora lá ver. Cumpts.
ResponderEliminaré o mau ordenamento da construção em Lisboa é como o lugar onde era a antiga Auto Monumental do Areeiro que está feita um algomerado de predios sem rei nem roque
ResponderEliminarOnde houver um palmo de terreno não há-de sobrar nada.
ResponderEliminarBoas Festas!
E muitas vezes mal construido, boas festas para ti e para a tua família
ResponderEliminarTenho uma dúvida e a esperança de que me possa elucidar.
ResponderEliminarQuem vem na Avenida Afonso Costa no sentido Olaias-Areeiro, antes de chegar à rotunda do Areeiro quando vira à direita para atalhar em direcção à Avenida Almirante Gago Coutinho (Rua Alves Torgo), passa por uma casario antigo constituído predominantemente por casas térreas. Constitui esse pequeno troço um restício da antiga Estrada de Sacavém? Era por aí que ficava o antigo Retiro Perna de Pau? Sem outras questões por agora, desejo-lhe um feliz Natal.
O troço da Alves Torgo que diz era-o da antiga Estrada de Sacavém que continuava pelo que é hoje a Rua Agostinho Lourenço. O retiro da Perna de Pau era mais adiante, passado já o apeadeiro do Areeiro.
ResponderEliminarFeliz Natal!