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sábado, 21 de novembro de 2009

Raul Alves Fernandes

Alameda, Lisboa (J. Benoliel, ant. 1957)



 Há dias quando publiquei algo sobre a embaixada da R.D.A., ao Alto do Pina, alguns comentários parecia que davam o mote para algo mais aqui sobre o lugar e sobre o benemérito Raul Alves Fernandes, que ali morara e dali fundara a sua obra de caridade.
 Da sua residência 'rodeada de vegetação alta', como a descreveu o benévolo leitor Attenti, encontrei uma imagem no Arquivo Fotográfico da C.M.L. (acima), tomada dum dos prédios de esquina da Alameda com a Rua Actor Vale. Quem conheça o lugar reconhecerá certamente a casa no fim do corpo de edifícios mais baixos que se estende para a direita da torre da igreja . Esta igreja, dos Santos Doze Apóstolos - obra sua, juntamente com o asilo "A Caridade" (1928) e o preventório de São José (1957?) -, dá a fachada para a Rua Barão de Sabrosa. É dessa rua a imagem abaixo, em que se vê só parte da casa.
R. Barão de Sabrosa, Lisboa (J.H. Goulart, 1967) 

 Sobre Raul Alves Fernandes (1888-1961) não se acha grande informação na rede. O Geneall.net, dá elementos sumários da família; aí se pode ver que o benemérito foi avô materno da cravista Cremilde Rosado Fernandes e do prof. Raul Miguel Rosado Fernandes, como de resto, aliás, o amigo Fernando C. nos já informara. A página da freguesia do Alto do Pina, porém, desconhece-o. A sua obra de caridade marcou a história do lugar - mereceria algumas linhas na página da Junta, talvez...
 Um seu feito como comandante da marinha mercante durante a Grande Guerra que pude ler num artigo gentilmente enviado pelo prezado Fernando C., merece aqui, creio, mais estas poucas linhas a seguir:
 Em 1917 o navio que comandava (o vapor Tungue - diz que dos melhores da nossa marinha) foi atingido por um torpedo alemão. Com coragem e sangue frio, Raul Alves Fernandes conseguiu salvar todos os que tinha a bordo e salvar-se a si mai-los valiosos haveres que lhe haviam sido confiados. O feito mereceu-lhe honras da marinha francesa, inglesa, italiana e japonesa, que escoltavam o Tungue. De temperamento despojado, as altas condecorações que recebeu nunca as usou.
 Ficou sepultado no talhão dos Comabatentes [Combatentes] da Grande Guerra no Alto de S. João.
 




Fotografias: Judah Benoliel (ant. 1957) e João H. Goulart (1967), in Arquivo Fotográfico da C.M.L..
(Revisto às 10h15 da noite.)

8 comentários:

  1. Combatentes nãoé?
    Cumpts:)

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  2. Bic Laranja21/11/09 22:11

    É. Obrigado! :)

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  3. Um belo verbete que gostei muito de ler:)

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  4. Attenti al Gatti22/11/09 01:07

    Incrível! na segunda foto, o que me deu logo no "goto" foi o marco do correio, que me era tão familiar, que tantas vezes usei (não havia net) e que o tempo tinha apagado na minha memória. na primeira foto, aparentemente, ainda não tinha sido construído o edifício do S, José. Na empena do prédio da direita, cujas frentes davam para a Barão de Sabrosa e para a Calçada da Ladeira, que nesta altura já caía a pique sobre a Alamêda, podem-se vêr os vestígios das antigas casas do trôço da Rua do Garrido, que foi demolido para construção da Alamêda e ainda a chaminé da padaria, situada no gavêto desse prédio e, num penúltimo andar, do lado esquerdo, um objecto redondo, pendurado na parede, . que é uma banheira, daquelas de zinco, de outros tempos.
    Há ainda um vislumbre da vivenda de Raúl Fernandes numa outra foto da Barão de Sabrosa, existente no Arquivo Fotográfico da CML, que mostra, da esquerda para a direita, um Citoen 2CV, as "varandas", o prédio que falo acima e, a seguir, a vivenda. Com estas pistas, certamente dá com ela.
    A.v.o.

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  5. É verdade. O revolver das imagens antigas trás de volta pormenores tão familiares profundamente gravados. Depois a cidade muda e nem damos que ficaram arrumados no sótão das memórias. Mas estão vivos. Comigo dá-se o fenómeno com a vista essa velha vila das varandas, à Barão de Sabrosa, e com os velhos prédios seguir que sobressaíam no cimo da Alameda.
    Cumpts.

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  6. Mais uma vez, Bic, excelente escolha de fotografias e de verbete. E que diferença com a actualidade!...
    Se antes o disse, agora reforço: abaixo com os mamarrachos todos!

    Abraço

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  7. Ora aí está um bom programa. Mas vá lá dizer isso aos arquitectos e aos promotores imobiliários.
    Cumpts.

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