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segunda-feira, 14 de setembro de 2009

T.G.V. (Tudo Grande Vigarice)

« Só seis empresas de França, Reino Unido e Alemanha estão certificadas para vender carris, material eléctrico e electrónico, carruagens, etc. para o T.G.V.. A Espanha tem três empresas certificadas para as pontes e a infra-

-estrutura [...] Os três grandes da U.E. exportariam para Portugal 65 a 74% dos 5 mil milhões, a Espanha uns 20% e as nossas três mega-empresas 8 a 9%.»


Jack Soifer, «Alta Velocidade», Oje, 20 de Janeiro de 2009.




 A ser realmente assim (e não vejo razão para duvidar), a discussão sobre o T.G.V. anda fora dos carris há muito. Ultimamente chegam a fazer do caso uma contenda entre portugueses e espanhóis. Do que vejo os espanhóis estão a ser levados na intrujice tanto quanto os portugueses. De 2/3 a 3/4 do negócio revertem para um cartel de fornecedores anglo-franco-alemão (quem haveria de ser?). Por mais subsídios que chovam da U.E., logo percebemos aonde haverão de tornar. Em Portugal, o retorno do investimento parece-me mais que duvidoso - quem me desmentir pondere se algum português, tão cioso do seu belo carrinho, irá de T.G.V. de Lisboa ao Porto ou vice-versa, dispondo de duas auto-estradas, do Alfa (mais barato que o T.G.V., certamente) ou do avião (sempre mais rápido).

 Ora do que vejo e ouço destes fanfarrões eleiçoeiros de cá, acicatar os ânimos entre portugueses e espanhóis por causa duma negociata interesseira que aproveita a quem já vimos, não passa, claro, dum ardil de caça ao voto à conta da natureza própria (ultrapassada ou não) de portugueses e castelhanos. Aos do P.S.D. - não duvido - assim que ouçam a campainha do páre-escute-olhe, logo baixarão a cancela para o T.G.V. passar. É uma questão de oportunidade (quisessem resolver verdadeira questão com a Espanha ouvir-se-lhes-ia antes falar de Olivença). Tenho para mim, ao nível em que vai a discussão, que a irresponsabilidade desta espécie de gente chega a ser criminosa. Para melhor juízo disso aqui fica o recorte com a notícia completa.

 


Alfa-Pendular-light.jpg

(Via Caminhos de Ferro de Vale Fumaça.)

12 comentários:

  1. Dizer que um TGV é como um comboio tradicional mas com mais força, é como dizer que um Ferrari é um Fiat com um motor mais potente, ou que entre um Concorde e um Cessna só há de diferença a velocidade de cruzeiro.
    Já me esquecia: sou ferroviário!

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  2. Não o cntesto. Mas que dizer do cartel vendedor? Cumpts.

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  3. Bem, até hoje, eu estava convencido que um Ferrari era apenas um Fiat com um motor mais potente.
    Um TGV não me parece fazer sentido nenhum num país pequeno e periférico como o nosso.
    Entre Lisboa e Porto só faz sentido se não parar em Vila Franca de Xira, Santarém, Entroncamento, Pombal, Coimbra B, Pampilhosa, Aveiro, Estarreja, Ovar, Espinho e Gaia. E, não parando, não parece rentável. Logo, não faz sentido.
    Para a Europa, ninguém vai de TGV. Vai de avião.
    O TGV serve, quando muito, para ir de Lisboa a Madrid. Só. Para isso, parece investimento demasiado caro.
    O TGV só faz sentido em países grandes ou em países centrais. Não é por acaso que os países periféricos do Norte não têm TGV. Não têm, porque, como nós, não precisam dele e, ao contrário de nós, não costumam deitar dinheiro fora.
    Onde Portugal é central é em relação ao Atlântico. Por isso, o que parece fazer sentido é tornar os nossos portos competitivos e construir linhas para comboios de mercadorias que, partindo de Sines, da Figueira ou de Aveiro, escoem a preços imbatíveis os produtos provenientes da América com destino à Europa e vice-versa. No limite, o TGV poderá ser a contrapartida oferecida aos espanhóis, para eles alinharem na travessia do seu país por estes caminhos de ferro de mercadorias.

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  4. Ainda o contesto menos que ao anterior. Cumpts.

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  5. O autor deste artigo para contestar o comboio de alta velocidade em Portugal deveria ter pegado na ideia que o/a (peço desculpa) Funes, el memorioso apresenta e com a qual estou completamente de acordo. Linhas de 300 km não precisam de alta velocidade!
    Agora vir dizer que um comboio de alta velocidade é apenas um comboio com um motor mais potente que os outros é atirar areia para os olhos das pessoas. É caso para perguntar que se é só isso, o que andaram os franceses a fazer durante mais de 20 anos até terem posto em serviço comercial o primeiro comboio de alta velocidade.
    Com a alta velocidade tudo muda: a catenária não é igual, as fixações dos carris às travessas são diferentes, as cróximas das agulhas não podem apresentar descontinuidades no carril, os túneis não têm nada que ver com os tradicionais e da sinalização nem se fala - sim, numa linha de alta velocidade pura não existem, pura e simplesmente, sinais físicos ao lado da via!
    Será isto apenas um comboio com mais potência?
    Sejamos sérios. Este artigo parece mais uma peça por encomenda que outra coisa!

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  6. Bic Laranja15/9/09 10:24

    Grato pela explicação. Em todos os sentidos se percebe que este comboio é uma grande encomenda. Cumpts.

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  7. Attenti al Gatti16/9/09 01:26

    Quando o sr. Jack Soifer fala em buggy não quererá dizer boggie? Num outro tipo de material ferroviário, também há quem lhe chame truck. Espero que seja eu que esteja enganado. É que num artigo destes, tão especializado e tão técnico (pelo menos parece)um erro tão básico sería totalmente descredibilizante.
    Erros á parte, um mérito tem o artigo: confundir ainda mais o pacato cidadão, que de comboios só conhece o que em tempos apanhava para ir à Santa Terrina. Isto antes de ter pópó, é claro. Com tanto especialistas a debitarem prosas contraditórias sobre o tema, para onde há-de a gente virar-se?
    A.v.o.

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  8. Parece-me que tem razão sobre o bárbaro para dizer zorra. Buggyquem vende</b> o T.G.V.. Afinal foi o que mereceu menos contestação de quem aqui comentou. É um modo que temos de receber a realidade pela imprensa. Alguém já pôs a pergunta de qual a real necessidade de T.G.V. em Portugal? Isto seriamente, porque respostas 'é o progresso' é quanto se ouve.
    Já vê como a confusão se instala.
    Cumpts.

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  9. Attenti al Gatti16/9/09 23:50

    "Qual a real necessidade de um TGV em Portugal?" Essa é a "magna questio" que levanta muitas outras. Qual a real necessidade de um novo aeroporto para Lisboa? Qual a real necessidade de uma terceira travessia, Chelas-Barreiro? Qual a real necessidade de o Metropolitano ir ligar a Gare do Oriente a um aeroporto que irá desaperecer brevemente? Qual a real necessidade de mais uma auto-estrada (a terceira!!) a ligar Lisboa ao Porto? E depois instala-se a dúvida (bem explorada pelos partidos): é mesmo tudo necessário, mas o povinho não compreende porque é ignorante e retrógrado de condição, ou nada disto é necessário e apenas serve de cortina de fumo para disfarçar o papel de intermediário entre o dinheiro dos contribuintes e o bolso de amigos e correlegionários que os sucessivos governos andam a fazer? Se calhar o "É fartar vilanagem!" é um designo histórico, que havemos de fazer?!
    A.v.o.

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  10. Bic Laranja17/9/09 10:50

    O Estado: essa enormíssima central de compras!... Entretanto do T.G.V. fala-se em Porto-Vigo; em Faro-Huelva; em Elvas vai nascer-se a Espanha, tudo, talvez, para desarticular o país.
    Talvez afinal não seja só compras; talvez também seja vendas...
    Cumpts.

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  11. Attenti al Gatti18/9/09 00:34

    Central de vendas? Sem dúvida. De facto, há muita gente de olhos vendados.
    A.v.o.

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  12. E contudo sempre se percebe alguma coisa. Cumpts.

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