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domingo, 6 de setembro de 2009

Nortada

 A nortada não se sente, nem a música, cá no meu conceito, evoca Lisboa. Todavia os velhos pedaços do Cais do Sodré, da Ribeira e do Bairro Alto no teledisco deixam-me certa saudade. Naquele ponto do Cais do Sodré logo ao início, o ciclista palhaço era premonitório das ciclovias da moda. Curiosamente passeei por lá — pelo Cais do Sodré — ontem: as docas semi-abandonadas e o ambiente portuário, anda agora tudo asséptico e plastificado pelo marketing da devolução do Tejo a Lisboa, devolução devidamente concessionada à hotelaria. Dá-se o caso que pouca mais gente lá vi que no teledisco aqui; dá-me impressão que os lisboetas se borrifam para a devolução do rio. Apesar do marketing. Já com os domingos no Terreiro do Paço foi assim, porque será?!…
 Bom, mas dizia eu, a música aqui não me evoca, nunca me evocou, Lisboa; evoca-me caminhos ao Sul, curiosamente para lugares por norma abrigados da nortada.
 



Júlio Pereira, Nortada
(Cádoi, 1984)

6 comentários:

  1. A última vez que passei pelo Terreiro do Paço num desses Domingos que era das pessoas as únicas coisas que vi apenas tinham o condão de afugentar os incautos que, como eu, tiveram a triste ideia de por lá passar (ainda hoje tenho pesadelos quando me lembro do grupo de palermas enfileirados que nem um comboio, a andar de um lado para o outro da praça com apitos estridentes e a meterem-se com os poucos visitantes - se o fossem - que por ali passavam). Ainda quis ir ver a exposição que na altura estava no Páteo da Galé, mas, e apesar da porta estar escancarada e com um cartaz a convidar-nos a entrar, não cheguei a ver nada porque um segurança zeloso me pôs na rua dizendo que "isto já está fechado"! "Ai está? É que a porta está aberta e com um cartaz a apontar para aqui e a dizer exposição!"
    E quanto ao rio... Para ver obras sem fim (o Costa tem que rever aqueles cartazes que afirmam que as obras que nunca mais acabam já acabaram) acho que há sítios de mais fácil acesso que aquele, com aquela barreira ininterrupta de automóveis - "abençoada" ideia de deixar apenas uma faixa em cada sentido!
    Ir passear para ali? Para quê?

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  2. Também por lá passei ontem.
    Já há tempo que não andava pela Ribeira das Naus e pelo Cais do Sodré.
    Foi de fugida mas não fiquei nada bem impressionado.
    Abraço

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  3. É bem caso para isso. Cumpts.

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  4. Atrofiar a Ribeira das Naus só demonstra falta de sentido prático. Cabeças assim assim são só capazes de parir bizantinices. O mais simples problema que se ponha há-de sempre ficar mal resolvido.
    Cumpts.

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  5. Maravilhosas imagens!... Por este Cais do Sodré andei eu dezenas de vezes, precisamente nesta altura. Tive um namoradito que morava por ali e um amigo que apanhava todos os dias o barco no Cais.
    Que saudades!...

    A música realmente lembra paisagens mais a sul. Na rota dos barcos, se calhar… :-)

    Abraço

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  6. Na rota dos barcos e por aí adiante. Cumpts. :)

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