Na minha casa, talvez por um princípio de precedência hierárquica, a gasosa era comprada na mercearia das Bitas. A taberna do sr. João estava reservada para o fornecimento de tinto que, aos domingos era do "especial", avalizado pelos adeptos do Vitória que, nos dias em que o clube fazia jus ao nome, transportavam a taça, erguida, Capitão Roby acima, em horda ululante que desembocava no balcão onde o troféu era atestado com o conteúdo do pipo apropriado, rodando depois de mão em mão, a matar a sêde daquelas bocas que não tinham regateado gritos de incentivo ao seu clube nem impropérios ao árbitro. Estas libações eram, por vezes, acompanhadas por algum petisco, obra da D. Rosa, esposa do sr. João e era tal o júbilo que conseguía mesmo alegrar o olhar, usualmente triste, da filha do casal, que faleceu muito nova, por oposição a um garnisé que faleceu muito velho, depois de uma longa reforma passada num poleiro sobre o lavatório de canto, debaixo da vigilância do "Boby", um rafeiro que deve ter enviuvado muito cedo, pois sempre o conheci trajando luto carregado.
A.v.o.
Comentário de Attenti al Gatti em 24 de Setembro de 2009.
Desfile comemorativo da subida do V.C.L. à III Divisão Nacional de futebol, Picheleira, 1977.
[Ao centro a Cajoca mãe (sr.ª D.ª Eugénia, que Deus haja), ao lado o João Pingalim e atrás o Manuel Costa; o Ford Cortina verde azeitona era pertença do David Chitas.]
Cliché do sr. Vieira da Silva, in De Cabelos em Pé.
Esta foto - tal como o comentário - é todo um programa. As roupas, os carros, a celebração... :-)
ResponderEliminarMaravilhosa viagem no tempo!
Abraço
:) Cumpts.
ResponderEliminarCaramba!! A Queijoca mãe! Aliás, D. Eugénia, que Deus tenha (se na Sua infinita misericórdia lhe tiver perdoado aquelas coisas que ela chamava aos árbitros). Já não me admira que qualquer dia apareça por aí o Vinte Sete, a Pona ou o Mané-Mané. Ou outros, que a galería é extensa. E já que se fala nas vitória do Vitória, também convém lembrar que nas derrotas não era nada bom de assoar. Quando tal acontecia, os adeptos vitorianos saíam de mansinho antes de terminar o desafio e vinham postar-se no terreno frente à Escola Primária, onde os apoiantes do adversário tinham os autocarros estacionados. E era o lindo e o bonito quando eles lá chegavam. Numa das vezes, até o "Grila" (devía ser corruptela de "Gorila") andou a distribuir porrada com um cabide de pé alto. Havía ocasiões épicas em que nem os G.N.R. a cavalo davam conta do recado, originando a comparência do "Piquete" da P.S.P.,que se transportava nuns curiosos autocarros, assim a modos como os autocarros escolares dos filmes americanos, mas abertos dos lados e com bancos de madeira parecidos com os dos jardins. De capacête (vulgo "penico") na cabeça e Mauser 904 nas mãos, impunham, finalmente, a ordem, que o respeitinho era uma coisa muito bonita. O reabrir das portas do Zé da Esquina, indicava o fim do festival de tapona.
ResponderEliminarGrato, mais uma vez, pela sua amável referência.
A.v.o.
Bem... do que o Sr. Bic se foi lembrar!!
ResponderEliminarA Cajoca... a senhora que respondia ao cumprimento da equipa do Vitória que alinhada no campo antes do início dos jogos lhe direcionava, com um daqueles impropérios pouco próprios para uma senhora...hehehe
Só falta aqui a fotografia do roupeiro, conhecido por "olho peixe espada" ou o "olho"
Fantástico!!
Não me ocorreu que fosse Queijoca, pois sempre o percebi Cajoca. Parece-me mais certo, de feito.
ResponderEliminarLamento mas das restantes personagens não conheço referência fotográfica. Mas pode haver quem nas tenha...
Obrigado eu por mais esta história.
Cumpts.
Ou Olhinho... de goraz.
ResponderEliminarCumpts.
É uma obra de tomo, mas começa a tornar-se um imperativo histórico a divulgação dos apontamentos biográficos dos notáveis da Picheleira.
ResponderEliminarA.v.o.
Bom, vamos por partes. O "Olho" não era roupeiro era ajudante, hoje seria Auxiliar de Acção Educativa visto o VCL ser um clube de formação à época.
ResponderEliminarQuanto ao VCL, trata-se apenas do maior clube de Lisboa, tal como diz o meu pai, do Martim Moniz para cima porque daí para baixo é que há depois a sede do Sporting e do Benfica.
Ainda na noite das últimas eleições o ouvimos chamar,
"vitória, vitória, vitória..."
Abraço
... não descurando o mítico C.O.L.
ResponderEliminarDos campos daquela zona da cidade (Clube Operário de Lisboa, Vitória, Campo dos TLP ou campo dos telefones, campo de ragby do IST e o campo do Oriental, identifica-se um outro campo pelado a cerca de 450m para sul deste ultimo. Poderá Sr. Bic identificar-me qual é ou seria o clube?
ResponderEliminarobrigado
cumprimentos,
Obra de tomo, certamente. Cumpts.
ResponderEliminarMuito bem posto. Cumpts.
ResponderEliminarRefere-se ao Cô?
ResponderEliminarCumpts.
Talvez seja o F.C. do Rossão, da Quinta das Fontes, à Azinhaga dos Alfinetes. Referência aqui.
ResponderEliminarCumpts.
...apenas hierarquizava entre o Vitória Clube de Lisboa e o Oriental Clube de Lisboa.
ResponderEliminarCumpts
Desconhecia a existência daquele campo.
ResponderEliminarObrigado Sr. bic
... de facto tinha mais perfil de ajudante!
ResponderEliminarQue cabeça a minha. Não faça caso. Cumpts.
ResponderEliminarNão é lá grande perfil, mas enfim... Cumpts.
ResponderEliminarhehehe... de facto não!
ResponderEliminarCreio que o Futebol Clube do Rossão (ou Roussão) numca teve campo, pelo menos que se visse. Teve séde em edifício próprio, na rua Dinah Silveira de Queiróz, mas entre a constução e demolição do mesmo, deve ter mediado um par de anos. É vulgar este tipo de agremiações, que não serve para muito mais do que justificar uma tasca como sede e cuja produção desportiva, muitas vezes, se resume ao desacato.
ResponderEliminarO campo de futebol em causa deverá ser o recinto desportivo do Clube Ferroviário de Portugal. Fica na Azinhaga dos Alfinetes, encostado ao apeadeiro de Marvila, próximo do "Campo do Oriental", de seu nome próprio, Estádio Engº Carlos Salema. Tem um relvado com bom aspecto e é frequentemente usado.
A remissão para o "Meteorologista" foi muito proveitosa. Infelizmente o optimismo em relação ao futuro que aí se expressa, gorou-se por completo. Os tais "blocos verdes e amarelos" continuam a ser uma fonte de problemas, fora o resto.
A.v.o.
Grato pelo pertinente esclarecimento. Já me tinha suscitado a dúvida o Ferroviário, mas andava à cata de o confirmar. Fico assim com o trabalho feito. Cumpts.
ResponderEliminarCaro amigo obrigado desde já por me avivar a memória,
ResponderEliminarfui praticamente criado na Picheleira e ainda hoje aqui
vivo, e por sinal á dois dias vi a filha da Queijoca a
comer um belo de um cozido na Frei Fortunato defronte da Garagem do Horácio, é ela que está de óculos na foto.
Um abraço.
Grato pela informação e pelo melhor esclarecimento sobre a fotografia. Cumpts.
ResponderEliminarOs jogos nem poderiam começar sem a famosa saudação e respectiva resposta gritada das vancadas pela Cajoca!
ResponderEliminarSim de facto a alvunha era adequada
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