(Carta de Pero Vaz de Caminha, fl. 1, in Mª Clara Paixão de Sousa, Curso de Filologia Portuguesa, U.S.P. )
Um locutor da rádio referiu-se ao Brasil esta manhã, a propósito nem sei bem de quê, como um grande lugar de ‘consumidores de lusofonia’. O paradigma mercantil subjacente já nem me merece reparo, todo o linguarejar da imprensa afunila para aí. O idioma pátrio, bem parece, conta só como qualquer outra mercadoria, necessariamente fashion e orientada para o cliente, com que alguém se há-de encher.
Porém nesta agora, o facto mais notório (e o jornalista deve ser surdo) é que, em rigor, a fonia lusa é bem pouco ‘consumida’ no Brasil. Chega a ser ininteligível lá. Nos termos propostos (e dando barato que ‘consumir lusofonia’ valha por ‘falar português’ ) o que se lá mais se ‘consome’ é sotaque. Mas torna-se claro pelo crescente gorgolejar bárbaro temperado com algum crioulo de semântica levemente a propósito, lá e cá trabalha-se valentemente para dar sumiço ao idioma. Con‑sumidores, portanto.
sexta-feira, 5 de junho de 2009
"Consumidores de lusofonia"
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