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sexta-feira, 5 de junho de 2009

"Consumidores de lusofonia"

(Pero vaz de Caminha, fl. 1)

(Carta de Pero Vaz de Caminha, fl. 1, in Mª Clara Paixão de Sousa, Curso de Filologia Portuguesa, U.S.P. )



 Um locutor da rádio referiu-se ao Brasil esta manhã, a propósito nem sei bem de quê, como um grande lugar de ‘consumidores de lusofonia’. O paradigma mercantil subjacente já nem me merece reparo, todo o linguarejar da imprensa afunila para aí. O idioma pátrio, bem parece, conta só como qualquer outra mercadoria, necessariamente fashion e orientada para o cliente, com que alguém se há-de encher.

 Porém nesta agora, o facto mais notório (e o jornalista deve ser surdo) é que, em rigor, a fonia lusa é bem pouco ‘consumida’ no Brasil. Chega a ser ininteligível lá. Nos termos propostos (e dando barato que ‘consumir lusofonia’ valha por ‘falar português’ ) o que se lá mais se ‘consome’ é sotaque. Mas torna-se claro pelo crescente gorgolejar bárbaro temperado com algum crioulo de semântica levemente a propósito, lá e cá trabalha-se valentemente para dar sumiço ao idioma. Con‑sumidores, portanto.

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