Chegada a Lisboa de D. Estefânia em 18 de Maio de 1858, pelas 12:00 horas.
Amédée Lemaire de Ternante. 19.8 x 23.6 cm.
O Terreiro do Paço é uma praça de ostentação do Poder. Da arcaria monumental aos imponentes torreões; do majestoso rei Dom José a cavalo ao arco que triunfalmente o enquadra quando olho do cais das colunas, o Terreiro do Paço é toda uma alegoria ao Poder. Praça aberta ao rio, exibe esse Poder magnífico ao forasteiro que chega. Na arquitectura da primeira cidade do reino o Terreiro do Paço não se fez para mais que isto: a ostentação do Poder. Nesta medida, pois, cumpriu e cumpre a sua função. Ora vede vós as demonstrações: o Poder sumptuoso em desfiles e recepções reais; a anarquia, pois, no regicídio; o Poder férreo e orgulhoso nas aclamações e desfiles militares do Estado Novo; a solenidade do Poder executivo com o estabelecimento de ministérios. - Não foi à toa que o tomaram de assalto no 25 de Abril. - E ao depois da dita auspiciosa alvorada cá continua o Terreiro do Paço ostentando o Poder que nos rege: um ridículo Poder de polícias de giro à mangueirada a polícias em manifestação; um Poder folclórico de árvores de Natal publicitárias; um Poder miserável - isto custa - com mendigos dormindo em papelão debaixo das arcadas à porta de ministérios...
Chegados a esta desgraça, se ainda há Poder ele é patético: só assim concebo que o Estado haja abdicado da jurisdição do Terreiro do Paço a favor duma qualquer sociedade comercial para ela o vestir em padrão Burberry para os bem-aventurados 100 anos do barrete frígio.
Em continuação, segue-se, quiçá, o corridinho e o fandango de ranchos aventaleiros em padrão a condizer... Será mais uma ostentação do Poder. Para o bem ou para o mal, com ou sem farturas e churros ao domingo à tarde, o que o Terreiro do Paço mostrar, será a imagem do Poder que nos rege.
(Padrão Burberry onde se queira.)
(Texto revisto ás 9h00 da manhã e ajeitado à 1h00 da tarde.)
sábado, 27 de junho de 2009
A ostentação do Poder
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“Tecnicamente” o Terreiro é do Comércio…
ResponderEliminarDevem ter resolvido levar o “novo” nome à letra e "vender" o dito ao desbarato.
E porque não passar Lisboa já para a época de saldos?! :-x
Abraço
E coitada da D. Estefânia se cá voltasse!...
ResponderEliminarO nome pombalino foi uma concessão formal. Os comerciantes estabeleceram-se apenas nas ruas da baixa, à sombra do Terreiro do Paço. A ostentação do Poder que o Terreiro do Paço veicula foi-lhes vedada.
ResponderEliminarCumpts.
Admirar-se-ia, entre muitas coisas, com o hospital do seu nome orgulhosamente certificado.
ResponderEliminarCumpts.
Serão feitas as obras com "ajuda à produção" da Burberry, como dizem agora nas têvês?
ResponderEliminarAbraço
Caro Amigo, basta este parágrafo e compreende-se integralmente a natureza do Poder que nos desgoverna há tanto tempo... e a marca de um espírito colectivo em adiantado estado decadente.
ResponderEliminarAbr.
Dessa estranha linguagem ainda me não dei conta. Hei-de reparar. Do Terreiro do Paço nem sei mais que lhe diga.
ResponderEliminarCumpts.
Tem-se trabalhado com esse fito. Tanto que já há governantes sem pejo em confessarem-se iberistas convictos. Portugal é só uma ideia a que estamos habituados. Mas isto já acabou, essa é que é essa.
ResponderEliminarCumpts.
Vi agora no fecho das Escolhas de Marcelo. Realmente!... Cumpts. :)
ResponderEliminarO padrão que o arquitecto pretende é mais burllington (losângulos).
ResponderEliminarBurling...? Pode ser... uma nova expressão de burlar.
ResponderEliminarCumpts.