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quarta-feira, 11 de março de 2009

Lisboa no Passado e no Presente

Jorge Segurado (dir.), Lisboa no Passado e no Presente, Excelsior, Lisboa, imp. 1971


 O fascínio pela Lisboa doutras eras já me vem de moço. Da idade em que nem concebia uma vista do Tejo tirada do castelo, sem a ponte. Ou quando me pareciam irreais os eléctricos circulando o Areeiro, como naquele velho postal da sr.ª D.ª Raquel. Outras eras — também é bom que diga — é qualquer tempo da cidade antes de eu embarcar nela… — Aquele tempo que, pelo acaso do destino, me não foi dado testemunhar, afinal… Uma espécie de idade de ouro perdida.
 Na curiosidade olisipográfica andava a par com um amigo cuja afoiteza na busca do desconhecido era mais eficaz. Não sei já como foi, mas este meu sócio das primeiras andanças olisipográficas lá desencantou na biblioteca dos C.T.T. a Lisboa no Passado e no Presente, primeiro volume em fascículos duma monumental obra sobre Lisboa. Autores vários (com prefácIo do general França Borges e evocação de Jorge Segurado) contribuíram e compilaram para o 1.º vol. textos desde a Fundação e Nome de Lisboa, Lisboa Romana e Visigótica, Lisboa Árabe, mais Os Grandes Acontecimentos da História de Lisboa desde a sua tomada aos mouros até à trágica jornada de Tânger. Os volumes seguintes não chegaram a publicar-se e desconheço o plano da obra, que ficou assim incompleta. Bem ilustrado com gravuras antigas e fotografias modernas, mas já na época relativamente datadas — o que só valorizava — ali estava Lisboa como se já não via então; era tal qual nas imagens como tantos suspiramos por ela: arejada, desafogada, parece que mais luminosa.
 Fomos umas quantas vezes à biblioteca dos C.T.T. da Casal Ribeiro, à Estefânia (cuido que seja hoje uma agência imobiliária), para nos deliciarmos com a obra. Frustrante era não se terem publicado mais volumes. — E haviam de fazer-se? — bem perguntávamos ao bibliotecário por eles…
 Passado tempo — com uns dinheiros da Feira da Ladra suponho —, o meu amigo destas andanças  olisipográficas arrematou num alfarrabista uma colecção inteira de fascículos  por encadernar arrumando assim como que pelos dois a questão. Perdido o contacto fui-me esquecendo de Lisboa no Passado e no Presente (a obra, não o assunto), a ponto de lhe esquecer o título (cf. comentários nº 2 e 3). Isto até há quinze dias, quando por causa dum primeiro volume da Lisboa de Lés a Lés desci a Calçada do Combro…
 Ontem a sr.ª Dona T. publicou a fotografia que fecha o volume que esta longa história trata: a Praça do Duque de Saldanha, à noite. Fotografia de Victor Figueiredo, 1971, com toda a certeza. O cinema Monumental exibia os Vagabundos Selvagens. Parece que veio a perder-se por obra deles.

Saldanha à noite, Lisboa (V. Figueiredo, 1971)
Praça do Duque de Saldanha, à noite, Lisboa, [1971].
Fotografia a cores (dupla página) de Victor Figueiredo, in Lisboa no Passado e no Presente, Excelsior, Lisboa, imp. 1971.




Nota: ajeitado já tarde e outra vez anos ao despois.

19 comentários:

  1. mas explica-me, compraste também para ti, foi?

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  2. Eu hei-de encontrar mais fascículos:)As fotografias são espantosas!

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  3. Sim. É o que se vê aí.
    Chegaste a encadernar os teus?
    Abraço.

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  4. Ao fundo da Calçada do Combro (passe a publicidade) vi uma colecção inteira e alguns desgarrados.
    Cumpts.

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  5. Mas esse não é aquele muito careiro?

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  6. E se precisar de encadernador descobri através duma amiga um que é fantástico.

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  7. Parecem-me todos...
    Se se refere ao das Jornadas não é o mesmo. O livro aqui custou € 50,00. Pelos fascículos por encadernar pedia o alfarrábio € 30,00.
    Cumpts.

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  8. O que acho mais careiro é a Nova Ecléctica.

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  9. Pois! Frequento-os pouco, como tenho dito e como não tenho feitio para regatear...
    O preço disto aqui pareceu-me razoável.
    Cumpts.

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  10. Eu também para regatear sou uma desgraça.Mas esse não foi caro.

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  11. Folgo em saber (estava com dúvidas). Cumpts.

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  12. O Monumental perdeu-se também pelo abandono do povo. Pela falta de amor e reconhecimento dos “lisboetas”. Pela falta de sangue alfacinha.
    Só quando já parte do Monumental estava deitada a baixo é que os supostos lisboetas se lembraram de fazer uma manifestação contra a sua demolição. Os mesmos “lisboetas” que há “séculos” não punham os pés lá dentro...
    São esses mesmos “lisboetas” que agora deixam morrer os mercados, as lojas tradicionais, os produtos portugueses, que nunca escolhem em detrimento das normalizações vindas de fora.
    Tudo o que é genuinamente português acaba por perder-se, de uma forma ou de outra, pela ingratidão do povo.

    E não há memória ou encadernação que salve a vergonhosa história do abandono tipicamente português! :-(

    Abraço

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  13. E o prédio do anjo, diante dele, mais esquecido ficou.
    Cumpts.

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  14. É verdade! Agora no seu lugar está um estranhíssimo mamarracho, que parece uma mancha branca, de frente para a mancha preta do “Monumental”!
    São o dia e a noite do sinistro presente de Lisboa!...

    Abraço


    PS- ainda assim, guardo algumas boas memórias do "novo Monumental".



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  15. Attenti al Gatti15/3/09 01:07

    Conservo um exemplar do programa da última passagem de ano no falecido Monumental e na qual estive, sem saber que sería a derradeira. Se a memória não me falha tería sido de 1985 para 86. Não posso confirmar porque o dito programa anda por aí perdido no meio das minhas papeladas velhas.
    Também me caíram os olhos nos automóveis que estão em primeiro plano da esquerda para a direita: um Triumph, um Hillman Imp e um Opel Kadett, versão station. O do meio, o Hillman foi um percursor dos modernos "três portas", pois o vidro traseiro abria para cima, não obstante ter o motor atrás. Na foto pode ver-se o respectivo puxador.
    Foi-se o Monumental e o respectivo café, foi-se o "prédio do anjo" e o do "Val do Rio"(ficava mais ou menos no ponto de onde foi tirada a foto) e, a ajuizar pelo estado de degradação de alguns dos que restam a "mortandade" não deve ficar por aquí.
    A.v.o.

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  16. O Atrium, com as vidraças verdes e a volumetria dilui completamente a estátua no centro da praça. Não sei se o arquitecto era esperto saloio, se estúpido.
    Cumpts.

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  17. Se as duas coisas... :-)

    Abraço

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