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quarta-feira, 25 de março de 2009

Linha do Corgo

" Da Regoa saimos com rasoavel atraso, e não está nos habitos d'este caminho de ferro compensar os atrazos pelas velocidades. A anedota conta-se em Hespanha, mas tem um sabor tão nosso que bem a podemos nacionalisar. Um passeante encontra-se n'uma gare á chegada d'um comboio de passageiros. Olha o relogio e verifica que chegou precisamente á hora. Muito admirado, dirige-se ao chefe da Estação, faz-lhe notar o facto, e apresenta-lhe, por tal motivo as suas felicitações. O chefe, agradecendo com reverencia, homem sério, não querendo deixar o outro lamentavelmente iludido, por muito que isso lisongeasse a sua vaidade de funcionario: - Pues el tren que llega es... el de ayer!
  A verdade é que vamos atrazados [...] "


in Brito Camacho, Jornadas, (Agosto de 1915).


  A verdade é que já não vamos... senão de autocarro.

Outros/Linha do Corgo
Linha do Corgo, Vila Real, 2005.
Fotografia de Pedro Flora.

5 comentários:

  1. Entristece-me imenso a morte das nossas históricas estações e ligações ferroviárias... Principalmente se ainda são úteis - e até prioritárias - para muita gente.
    Mais uma vez aqui reina o desrespeito e a ingratidão…

    A “dica” do alfarrabista é muito boa, até para os que só não enfiam as carapuças devidas, porque o tamanho das suas cabeças não permite! :-x

    http://coisapouca-07.blogspot.com/2008/06/memrias-ferrovirias-um-patrimnio-por.html

    Abraço

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  2. Attenti al Gatti26/3/09 01:36

    Isto é apenas mais uma história em que entram os maus do costume, os que armam em bonzinhos e, por último, os "lixados" que geralmente estão caladinhos. Por exemplo: quantos dos que vociferam pelo fecho das Linhas do Tua ou do Corgo viajaram nelas? Quantas vezes? Há quantos anos? A manifestação a que reporta o "link" parece que não juntou mais de 40. Não será pouco? Por outro lado, não me parece aceitável que o contribuinte esteja a pagar uma "pipa de massa" para manter em circulação comboios sistemáticamente vazios.
    Não vale a pena esconder o Sol com a peneira. O automóvel tomou conta das vidas. Por isso mesmo todos temos um - pelo menos. Ninguém anda de comboio (e nos transportes públicos em geral) se puder andar de automóvel. Resta a exploração turística. Só que os nossos empresários estão mais vocacionados para mamar na têta do Estado, que mesmo poucochinha é certa, do que para se abalançarem a uma empresa dessas. Os Descobrimentos só foram o que foram porque eram um empreendimento da Corôa. Se ficasse ao cuidado dos particulares, nunca teríam passado a barra do Tejo. Veja-se o "Combóio Histórico" da Linha do Douro. É um êxito. Mas teve que ser a C.P. a organiza-lo.
    Não tenhamos dúvidas, a Linhas do Corgo e do Tua vão mesmo fechar. Por azar esta última vai ficar submersa o que, para além da perda da paisagem, inviabiliza o seu uso para caminhadas ou ciclovia. É uma perda total.
    Em 20 anos fecharam-se mais de 700Km de ferrovia. Para quem quizer aproveitar os despojos, aconselho a leitura de "Pelas Linhas da Nostalgia - Passeios a pé nas vias férreas abandonadas", de Rui Cardoso e Mafalda C. Machado. Ed. Afrontamento, 2008.
    A.v.o.

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  3. Gente na província não econòmicamente viável. Eis o limite da compreensão dos cérebros de ervilha, não é verdade? Cumpts.

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  4. Não deixa de ter razão. No entanto penso que, sendo as coisas bem feitas, haveria muito elefante branco a ser “desmantelado”, antes de chegarem às históricas ligações ferroviárias. E tudo a bem da nação e para a segurança do povo…
    E porque será que não existe sempre tão grande prontidão?

    Abraço

    PS- É curioso que refira o automóvel… Eu por acaso não tenho. E ainda hoje fiz duas viagens de comboio (e sem ser por obrigação)! Não que nisso esteja implícita qualquer lição… :-)

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  5. Se eram 40 é porque o 'ordenamento do território' (nome pomposo) faz serviço ao ermamento. Mas está certo. Não me venham é agora maçar com 'galpshares' (outro nome pomposo - em amaricano), que uma coisa é o 'ambiental' nos transportes públicos, outra é o ambiente do meu popó.
    De todo o modo sai mas barato subvencionar Corgos que tegevês para ganhar 20 minutos de Lisboa ao Porto. Mas dá-se também menos a ganhar às parcerias...
    Grato pela sugestão, enquanto não regularem o teor de sal nas saudades.
    Cumpts.

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