... e a data da Fotografia
A feitura do Metro (inaugurado em 29 de Dezembro de 59) levou à alteração de várias carreiras de eléctricos nos eixos periféricos de Benfica, Carnide e Lumiar. Algumas carreiras foram encurtadas para os limites da ligação ao Metro, outras foram desviadas para eixos transversais, como o 1 e o 13 que passaram a ligar Benfica e Carnide ao Chile.
O segundo passo desta restruturação [de 1960] foi a desactivação da linha da Avenida da Liberdade, que tinha ficado “decapitada” com a supressão das carreiras a norte da Alexandre Herculano. Foi finalmente construída a ligação entre a Alexandre Herculano e o Conde Redondo (a linha anterior vinda do Rato entroncava na Avenida sem a atravessar; a ligação ao Conde Redondo era feita por outra linha que subia pela Barata Salgueiro) e as quatro carreiras restantes (6 e 20, entretanto em regime de ida-e-volta com dois terminais muito próximos, e as circulações de S. Bento e da Estrela) restruturadas.
Cruz-Filipe, A minha página da Carris.
Ora se a linha da Alexandre Herculano, vinda do Rato, só passou a atravessar a Avenida com a restruturação dos eléctricos em 1960, então a fotografia da Avenida foi mal datada por mim. Na verdade baseei-me em dois aspectos para a circunstanciar entre 53 e 58: 1) a data da construção do prédio abaixo dos Restauradores, oposto ao Hotel Avenida Palace, que tenho ideia ser de 53; 2) a data do Metro, que cuidei ser 58 e afinal foi 59. O resultado foi tão grosseiro quanto eu fui descuidado.
A linha vê-se aqui bem neste recorte que destaquei da fotografia original (fi-lo na boa fé apenas de melhor ilustrar a ideia que exponho), que é então do ano de 60 ou posterior. Olhando, porém, mais atentamente também se vêem na imagem os estandartes da Ordem de Cristo engalanando a Avenida. Pois se são eles, como suponho, por motivo das Comemorações Henriquinas, arrisco então (esta mania já não leva emenda) datar a fotografia do próprio ano de 60.
Eléctricos atravessando a Avenida na Rua Alexandre Herculano, Lisboa, 1960.
Fotografia: Estúdio de Mário de Novaes (1933-1983), in Biblioteca de Arte da F.C.G..
Tenho saudades dos Eléctricos em Lisboa, mas como motociclista não gosto das linhas que ainda restam,ainda por cima sem Eléctricos.
ResponderEliminarO antecessor do tal prédio frente ao Avenida Palace terá começado a ser demolido em 1952 (Marina T. Dias, in "Lisboa Desaparecida" Quimera Ed., 1987). O actual terá começado a ser construído aí por volta de 1958 ou 59.
ResponderEliminarOutra curiosidade que a foto mostra: as "meias passadeiras" para os peões com os respectívos "pimenteiros" ao meio, extintos nos inícios de 80, por se terem tornado alvo privilégiado para os automóveis. A data da foto condiz com o modelo dos táxis, Mercedes 180D que, parece-me, é de 1960. E aquí levantam-se-me algumas dúvidas: se o "velho" DKW Auto-Union, de quem a Audi herdou as "argolas", é dos anos 50, já o "mini" e o que parece ser um Triumph (o carro branco) julgo serem de sessenta e tal. Talvez o Carlos Portugal possa esclarecer o caso. Também o local de onde foi tirada a foto suscita a minha curiosidade. Dá-me para pensar que terá sido do belo palacete onde esteve instalado o Banco Pinto & Sotto Mayor, tanto como outro já finados.
A.v.o.
Quando olhei a fotografia pela primeira vez achei estranha a data que lhe atribuia (entre 53 e 58). A razão era simples, se o carro branco que se v~e no cruzamento é um Triumph TR4 (e julgo que sim) então é impossivel a datação estar certa. O TR4 só inicia a produção em 61, pelo que devemos estar a falar de uma datação sempre posterior a 61. Concorda?
ResponderEliminarNão seriam meio de transporte sustentável. Já se se chamasse metro de superfície...
ResponderEliminarCuidado com as linhas.
Cumpts.
Concordo. Se for mesmo um Triumph TR4.
ResponderEliminarCumpts.
O prédio demolido em 52 albergou era o antigo Hotel de Inglaterra. Mas a data do sucessor é tão tardia? O Mini é de 59; os Mercedes são de 53. O carro branco não sei. Será um Triumph?
ResponderEliminarO ponto do fotógrafo parece-me ao nível dos verdes da Rotunda; um 7º andar...
Cumpts.
A respeito do tal prédio, o que posso dizer com conhecimento directo, é que por alturas de 1958 estive, pela mão do meu pai, nesse local, então um terreno vazio rodeado de tapumes, a apreciar uma maqueta que, presumo eu, sería a do actual edifício. A respeito dos Mercedes datei-os com base numa miniatura que possuo e no meu conhecimento do modelo anerior -cuja maior diferença era ter a traseira em declive- dos quais ainda circulavam alguns exemplares nos inícios de 60 e que, esses sim, presumo eu serem dos anos 50. Os "minis" começaram a circular em Portugal, gradualmente, a partir de 1960. Note-se que, naquela época, por questões que essencialmente se prendiam com o nosso atraso, debilidade económica e situação periférica, as novidades automóveis (entre outras) ainda levavam algum tempo a chegar ao nosso país. Daí o haver um hiato razoável entre a saída dos primeiros modelos e a sua comercialização entre nós. Mas, confesso, não tive tempo suficiente para efectuar pesquisas, de modo a fundamentar-me em factos concretos.
ResponderEliminarDe concreto mesmo só sei que a foto não foi tirada do tal palacete onde estiveram serviços do Banco Pinto & Sotto Mayor, pois este está no canto inferior direito da foto não ampliada, onde se vêm os motivos decorativos que ostentava na platibanda.
A.v.o.
Grato pela informação do prédio da 1º de Dezembro.
ResponderEliminarOs Mercedes: baseei-me em.... Mas não sei quando passou a haver táxis.
Cumpts. :)