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quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Abertura da Rua Nova da Palma


« Abertura da Rua Nova da Palma. - No século XVI possuía o Convento de S. Vicente-de-Fora uma grande horta intramuros, com assentamento de casas, poço, nora e chão de sequeiro dentro dos muros debaixo da porta de S. Vicente [depois mudada em Arco do Marquês do Alegrete] junto ao mosteiro de S. Domingos, no sítio das Ruas dos Canos e da Palma, onde havia 18 moradas de casas, que o Convento aforou em 1524 a um Fernão Dias e sua mulher, avós de Francisca Coelha, casada com um João de Palma, cavaleiro fidalgo da Casa de El-Rei, que em 1554 estavam senhores da horta.
 O Mosteiro de S. Vicente, querendo tirar proveito da horta, e fazer nela mais 30 casas, modificou em 10 de Outubro de 1554 o seu contrato com o enfiteuta, modificação também aceite pela mulher em 30 do mesmo mês, pelo que estes ficaram obrigados, sob certas condições, a fazer uma rua pelo meio da horta com 15p. (3m,3) de largura, desde o Mosteiro de S. Domingos até à rua que passava entre o muro da cidade e as casas que eles aí tinham [*], rua representada actualmente [1948] pelo começo inferior da Travessa da Palma.
 Foi pois nos terrenos dessa horta do Mosteiro de S. Vicente que, pelos meados do século XVI se rasgou, paralelamente à Rua dos Canos, intramuros, a rua de que é representante a Rua da Palma, entre as traseiras da Igreja de S. Domingos e o actual [1948] Largo do Martim Moniz.»


A. Vieira da Silva, A Cerca Fernandina de Lisboa, v. I, 2.ª ed., Lisboa, [C.M.L.], 1987.



Rua da Palma, Mouraria (E.Portugal, 1949)




 
 A fotografia mostra o troço inferior da Rua da Palma em 1949 (Eduardo Portugal, Arquivo Fotográfico da C.M.L.). Ao fundo, as traseiras de S. Domingos. A cerca fernandina cruzava a Rua da Palma por onde vai aquele eléctrico a descer; abria-se aí a porta da Rua da Palma.
 A Rua dos Canos [ou Rua Silva e Albuquerque], que circunscrevia a Nascente a ancestral horta do Mosteiro de S. Vicente, descia paralela à Rua da Palma;  ficava para onde davam frente as casas que se percebem já demolidas nas traseiras primeiro prédio à esquerda.
 O largo donde surgem o automóvel e o eléctrico aqui em primeiro plano tomou o nome de Martim Moniz, que era o nome da rua que vinha das Escadinhas da Saúde e seguia até à Calçada do Jogo da Péla. No lado Sul desta rua, no seu troço oriental houve o palácio do Marquês do Alegrete antes de ser demolido em 1946. Assim nasceu o Largo do Martim Moniz, essa chaga no meio de Lisboa.




[*] Mosteiro de S. Vicente, Livro B, arm. 48, n.º 37, fls. 15 a 23v. — Ao nosso amigo Gustavo de Matos Sequeira agradecemos a amabilidade de nos haver indicado a fonte das informações relativas à horta onde se rasgou a Rua Nova da Palma. [Nota do autor.]



 

20 comentários:

  1. Muito linda a foto. Um saludo de Italia. O teu blog è de verdade muito interessante. Eu sou italiano, gosto muito de fado e he visitado com interese o blog para aprender noticias sobre Lisboa Antiga e em particular sobre a "velha" Mouraria . Uma pregunta tu sabes se estaba de verdade uma taberna de Friagem na Travessa da Palha?

    Ciao
    Roberto

    peresio@hotmail.com

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  2. Meu Caro Bic,
    agora percebo o nome concedido ao largo, entalado como nos revela. Os entalanços estéticos foram posteriores, creio.
    Abraço

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  3. Atribuí a este blogue o prémio "Brilhante Weblog", como poderá constatar no último post do "Opera per Tutti".

    Peço-lhe que indique agora 7 blogues que julgue merecedores do prémio.

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  4. Obrigado pela visita!
    Creio que o fado 'Foi da Travessa da Palha' era cantado pela Lucília do Carmo.
    Fico desolado mas não conheço nenhuma Travessa da Palha. Não sei se houve alguma ou alguma taberna Friagem. Se descobrir algo logo lhe conto.
    Cumpts.

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  5. O nome consagrou-se por via popular a partir da rua onde começaram as demolições. Acresce que na dita rua, o nome de Martim Moniz se sobrepôs ao mais vetusto de São Vicente à Guia.
    Cumpts.

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  6. Obrigado! É maior a sua simpatia que o meu brilhantismo.
    Cumpts.
    :)

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  7. Creio que Travessa da Palha è Rua de Correeiros...

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  8. Mira aqui
    A Revolução Portugueza: O 5 de Outubro (Lisboa 1910)
    Abreu, Francisco Jorge de, 1878-1932

    http://www.gutenberg.org/ebooks/26777
    Fala da Travessa da Palha

    Ciao

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  9. Sim senhor! Obrigado pela pista. Deixe-me cá estudar o assunto a ver o que lhe consigo dizer.
    Cumpts.

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  10. Em todo caso lhe digo que as Páginas Amarelas dão nota dum restaurante Friagem na Rua dos Correeiros.
    Cumpts.

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  11. Atentti al gatti25/10/08 01:00

    Uma chaga, com efeito, provocada por uma amputação e que nunca há-de ter cura porque nunca foi devidamente tratada pelas sucessivas vereações.
    A.v.o.

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  12. Aquilo foi como estar sucessivamente à beira do abismo e dar sucessivos passos em frente.
    Cumpts.

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  13. Atentti al gatti26/10/08 01:25

    por causa das atrocidades cometidas nesta zona da cidade, já não posso visitar a igreja onde fui baptizado - a igreja do Socorro. Foi substituída pela igreja da Av. de Berna. Mais uma vez foi o povinho que ficou a perder.
    A.v.o.

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  14. Creio que foi a de S. João de Deus que foi construída com a indemnização paga ao patriarcado pela demolição da paroquial do Socorro ( http://www.paroquia-sjoaodeus.pt/historico.html ).
    O topónimo Socorro extinguiu-se. Ou não?!...
    Cumpts.

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  15. Meu caro amigo

    Vc comigo acerta em cheio, Veja só meu avÔ materno tinha uma tasca e uma carvoaria (não era galego, ma beirão) na Rua dos Canos.

    Vivi ai na rua do Socorro em tempo que me não lembro logo que nasci, mas voltei a viver lá entre os 8 e os 9 anos, no prédio de esquina da rua do Socorro. Fazia o meu percurso a pé para a escola primária na Praça da Figueira (por cima do Hospital das bonecas, recorda-se ?).

    Há uma coisa inesquecível dessa zona o cheiro a iscas que andava no ar saído das imensas tascas que por aí existiam.

    Cheiros vc não consegue publicar pois não ?

    Um abraço

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  16. Ah! Ah! Não. Felizmente, para a maior parte dos casos.
    Cumpts.

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  17. Roberto Peresio26/12/08 18:31

    Rua dos Canos.. iscas .... tascas.. Mouraria

    Me faz lembrar um fado pouco conocido de Julio Veitas:

    LUTO NAS GUITARRAS

    Quem se recorda já
    Dessa Rua dos Canos
    Logo das iscas
    Perfumadas quentinhas
    Da Adega do Saloio
    Já morto há tantos anos
    Da pescada com todos
    No velho Campainhas

    Vai se indo a pouco e pouco
    Ó velha Mouraria
    Ontem foi o Socorro
    Hoje a Rua da Palma
    Já não há camareiras
    Nem sombras de rufia
    Tornaram-te burguesa
    Mas roubaram-te a alma


    e tambem outro fado de Teresa Silva Carvalho

    FADISTA LOUCO

    Contaram-me ainda há pouco
    Que à noite, p’la Mouraria,
    Andava um fadista louco
    Sem saber o que dizia.

    Falava na Amendoeira,
    Na Guia, no Capelão,
    Na Rosário Camiseira
    E na Tasca do Gingão.


    Amigo Luís Maia, tu puedes talvez aiudarme a procurar noticias e foto sobre
    Adega do Saloio, o Campainhas que estaban na rua dos Canos e a Rosário Camiseira, a Tasca do Gingão tambem na Mouraria antes da demoliçao.

    Obrigado
    Roberto Peresio
    Italia

    peresio@hotmail.com



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  18. Mau caro Roberto

    Lamento informa-lo que não tenho qualquer hipótese de o elucidar sobre a matéria que me pergunta.

    Esse meu avô morreu eu tinha 1 ou 2 anos e dos 6 irmãos da minha mãe, ninguém quis continuar o negócio, pelo que penso tenham passado a outrem, e não registo mais nenhuma informação sobre isso.

    O meu regresso ao bairro, foi para a casa da família na rua do socorre, mas já sem ligações ao dito negócio. Por volta do final dos anos 50, tudo isso foi abaixo e uma tia que habitava essa referida casa, fui morar para o Caramão da Ajuda.

    Esse nome de Campainhas, não me é estranho, mas noutro local da Mouraria, provavelmente ter-se-á mudado, quando da demolição, para a esquina duma rua que não recordo agora o nome e que vinha do Intendente.

    Percebo pela grafia, que o Roberto é galego, nossos irmãos como gosto de vos considerar e deve ter raízes familiares, por esse locais.

    Não admira havia muitas famílias galegas em Lisboa, normalmente com o mesmo negócio, taberna e carvoaria. Fugidas da guerra civil da fome e privações subsequentes. Isto apesar de nos escrever de Itália.

    Um abraço

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  19. Roberto Peresio28/12/08 13:09

    Obrigado, amigo Luis!
    Mas eu nao sou galego. Sou italiano. Gosto muito do fado e de investigar sobre os textos das cançoes. Creio que na Mouraria existia uma Taberna do Saloio donde cantava Fernando Mauricio.

    http://lisboanoguiness.blogs.sapo.pt/tag/hist%C3%B3risa+do+fado+por+luis+de+castro

    Ciao
    Roberto

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  20. Caro Roberto

    Nos últimos anos da vida do Fernando, contactei bastante com ele, teria sido fácil perguntar-lhe, mas eu julgo que ficava n lado oposto ao que estamos a falar. Zona da Rua do capelão ou do Salão Lisboa.

    Se gosta de fado visite o meu blogue

    http://bocaslindas.blogspot.com/

    e nas referència a outros blogues escolha o

    Fado dos fados

    verá lá uma quantidade enorme de letras.

    Se me mandar o seu mail, envio-lhe fados do Maurício

    Um abraço e as minhas desculpas pela troca da nacionalidade



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