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sexta-feira, 25 de julho de 2008

Esta vida de turista, hem!

Bilhete postal (6/VII/2008)


 Já não há o hábito de escrever postais nas férias, agora com a rede da Internete e o correio electrónico... Nas férias não uso computador, evito-o. E muitas vezes recupero o velho hábito de enviar postais. Hoje comprei um para mandar a não sei quem. Que hei-de escrever? Que nós cá bem, obrigado, e vós aí todos com saúde, esperamos? Que quando chegámos o tempo estava quente e a praia esplêndida, mas que de terça para cá se levantou vento e o calor abrandou? Que descreio do aquecimento global que impingem por aí nos noticiários, pois que desde há uns anos noto o Verão assim, meio frescote, e o caldinho da água no Algarve já não é o que era, enfim?!...
 Ontem, sábado, passámos a tarde com os tios; almoçámos uma sardinhada e jantámos umas gambas que eles ofereceram. Agora vamos todos a Pêra ver as esculturas de areia. Ao depois contamos jantar no ..., o rei dos frangos, na Guia, que calha em caminho. Nesta vez pago eu.


 ..., o rei dos frangos


 Meia hora é quanto o empregado nos diz que leva a haver mesa.
 Não sei se o franguinho no ..., o rei dos frangos é melhor que no do costume. O meu paladar para galináceos da Guia não distingue esses detalhes. Todos me sabem bem, especialmente com fome. O que sei é que o ..., o rei dos frangos tira a freguesia toda às outras casas de pasto daquela freguesia. Enquanto espero comparo a imagem dum aviário com todos aqueles frangainhos sempre de roda da farinha na engorda industrial, com as carradas de bípedes sem penas que se apinham gulosos no ..., o rei dos frangos. Duas espécies de bípedes e duas espécies de aviário.


Na praia (7/VII/2008)


 Há sempre gente caminhando na praia; uns para cá outros para lá. Alguns deles ao depois voltam, como o vendedor das bolas de Berlim a quem comprámos duas há bocado. Ele bem olha a ver se queremos mais. Não era má ideia mas melhor é estar quieto. Daqui nada é hora de almoço.
 Uma horda de germânicos chegou agora e assenta arraial aqui ao lado. Começam a montar uns paus de tenda. Outro bando de nórdicos que chega abanca mais para lá, sem tendas; um enche um colchão a sopro; os outros nem tiram a roupa. É quase uma da tarde; dá-me ideia que estes bárbaros seguem o hábito de vir para a praia mal acordam. Aproveitam a praia para acabar de dormir. E aproveitam a noite para se deitarem tarde, aposto.
 O vento sopra inconstante. Pior quando chegámos de manhãzinha. O calor aumenta agora um tanto mas à sombra, debaixo do chapéu, faz fresco. A senhora queixa-se.
 Os veraneantes continuam a ir e vir. Há pouco passaram dois velhotes de camisa, conversando: um mais forte; outro mais magro. O mais forte fazia lembrar o tio Júlio com aquele panamá na cabeça. Talvez falassem da bola. Cuido que os já vi no ano passado, mas então eram três.


Algarve, 2007.
 Subo os olhos da linha do horizonte e vejo nuvens distantes. A atmosfera está límpida, porém. Entre o cabo de Santa Maria e a ponta do Castelo mar calmo; hoje não há sinal de ondas gigantes. Há pouca ondulação mas a água está gelada que se farta.
 - Quantas folhas te sobram no bloco? 
 - Quatro - respondo.
 - Óptimo! Fecha isso e vamos embora.

13 comentários:

  1. sabes quem foi o construtor da areia?

    vê lá se este nome (e cara) te diz alguma coisa?

    http://escultura.mira.googlepages.com/

    ainda não? e se eu acrescentar "restaurante lua nova - no meu 19º aniversário? ainda não?

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  2. fantásticos pedaços com um detalhe que me faz "ver" aquilo que por aí vê.
    Continuação de Boas Férias e .. compre outro bloco ande :)

    Bom fim-de-semana

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  3. Fantástico este diário de férias:)
    Acho que hoje à noite vou ali aos bolos quentes, resgatar uma bola de berlim!
    Cumprimentos:)

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  4. Não poderia estar mais de acordo consigo, relativamente a Poirot. Esta é, sem dúvida, uma das séries mais geniais realizadas até hoje. A recriação de época é absolutamente soberba!
    Os meus pais, a minha casa e o meu bairro nasceram todos nos anos 30. Salvas as devidas diferenças geográficas e culturais, eu reencontro constantemente em Poirot a exactidão das suas referências. E aqui por casa todos os tectos, paredes e portas são “à Poirot”…

    Eu sou uma espécie de Poirot-dependente! :-). Em miúda li todos os livros, durante as minhas temporadas veraneantes na praia e campo. Não perdi um episódio quando a série passou pelos nossos ecrãs (num último fôlego dos saudosos serões de qualidade - versus audiência). Assim que Poirot saiu em DVD comprei a série completa, e desde logo se reinventou como a minha eleita televisiva do final da noite. Por fim, hoje em dia, nem sequer consigo resistir a rever os episódios (para aí pela quinta vez!) quando passam na RTP memória. :-)

    Poirot tem, sem dúvida, das melhores “célulazinhas cinzentas” do mundo… :-)

    Abraço
    Luciana

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  5. nota: Este comentário refere-se ao seu texto de 22 de Julho. Engano meu... peço desculpa!

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  6. Eu também nunca perdi o hábito de enviar postais e de escrever blocos de notas. Os meus registos de férias são quase infinitos… O meu problema mesmo é depois – já de volta ao trabalho e à correria – arranjar tempo para os “trazer à luz” .
    Viver – ou sobreviver - e “voar” são actividades muito difíceis de gerir!... Se assim não fosse, bem que eu teria o meu blogue mais compostinho de “verve”! :-)

    Abraço
    Luciana

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  7. Obrigado, mas férias agora...
    Cumpts.

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  8. A sua opinião sobre a série é exactamente a minha. Pensei em dizer isso no blogo e assim a Luciana fez o trabalho por mim. A recriação de época é absolutamente soberba.
    Cumpts. :)

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  9. Também aqui de acordo. Escrever no caderninho enquanto no intervalo do quotidiano torna-se difícil, às vezes. Mas basta-me que fique no caderninho. Se alguém depois tiver interesse pode ir lá ver..
    Cumpts.

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  10. Obrigado!
    E então? Sempre foi?
    Cumpts.

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