Bilhete postal (6/VII/2008)
Já não há o hábito de escrever postais nas férias, agora com a rede da Internete e o correio electrónico... Nas férias não uso computador, evito-o. E muitas vezes recupero o velho hábito de enviar postais. Hoje comprei um para mandar a não sei quem. Que hei-de escrever? Que nós cá bem, obrigado, e vós aí todos com saúde, esperamos? Que quando chegámos o tempo estava quente e a praia esplêndida, mas que de terça para cá se levantou vento e o calor abrandou? Que descreio do aquecimento global que impingem por aí nos noticiários, pois que desde há uns anos noto o Verão assim, meio frescote, e o caldinho da água no Algarve já não é o que era, enfim?!...
Ontem, sábado, passámos a tarde com os tios; almoçámos uma sardinhada e jantámos umas gambas que eles ofereceram. Agora vamos todos a Pêra ver as esculturas de areia. Ao depois contamos jantar no ..., o rei dos frangos, na Guia, que calha em caminho. Nesta vez pago eu.
..., o rei dos frangos
Meia hora é quanto o empregado nos diz que leva a haver mesa.
Não sei se o franguinho no ..., o rei dos frangos é melhor que no do costume. O meu paladar para galináceos da Guia não distingue esses detalhes. Todos me sabem bem, especialmente com fome. O que sei é que o ..., o rei dos frangos tira a freguesia toda às outras casas de pasto daquela freguesia. Enquanto espero comparo a imagem dum aviário com todos aqueles frangainhos sempre de roda da farinha na engorda industrial, com as carradas de bípedes sem penas que se apinham gulosos no ..., o rei dos frangos. Duas espécies de bípedes e duas espécies de aviário.
Na praia (7/VII/2008)
Há sempre gente caminhando na praia; uns para cá outros para lá. Alguns deles ao depois voltam, como o vendedor das bolas de Berlim a quem comprámos duas há bocado. Ele bem olha a ver se queremos mais. Não era má ideia mas melhor é estar quieto. Daqui nada é hora de almoço.
Uma horda de germânicos chegou agora e assenta arraial aqui ao lado. Começam a montar uns paus de tenda. Outro bando de nórdicos que chega abanca mais para lá, sem tendas; um enche um colchão a sopro; os outros nem tiram a roupa. É quase uma da tarde; dá-me ideia que estes bárbaros seguem o hábito de vir para a praia mal acordam. Aproveitam a praia para acabar de dormir. E aproveitam a noite para se deitarem tarde, aposto.
O vento sopra inconstante. Pior quando chegámos de manhãzinha. O calor aumenta agora um tanto mas à sombra, debaixo do chapéu, faz fresco. A senhora queixa-se.
Os veraneantes continuam a ir e vir. Há pouco passaram dois velhotes de camisa, conversando: um mais forte; outro mais magro. O mais forte fazia lembrar o tio Júlio com aquele panamá na cabeça. Talvez falassem da bola. Cuido que os já vi no ano passado, mas então eram três.
Subo os olhos da linha do horizonte e vejo nuvens distantes. A atmosfera está límpida, porém. Entre o cabo de Santa Maria e a ponta do Castelo mar calmo; hoje não há sinal de ondas gigantes. Há pouca ondulação mas a água está gelada que se farta.
- Quantas folhas te sobram no bloco?
- Quatro - respondo.
- Óptimo! Fecha isso e vamos embora.
sabes quem foi o construtor da areia?
ResponderEliminarvê lá se este nome (e cara) te diz alguma coisa?
http://escultura.mira.googlepages.com/
ainda não? e se eu acrescentar "restaurante lua nova - no meu 19º aniversário? ainda não?
fantásticos pedaços com um detalhe que me faz "ver" aquilo que por aí vê.
ResponderEliminarContinuação de Boas Férias e .. compre outro bloco ande :)
Bom fim-de-semana
Fantástico este diário de férias:)
ResponderEliminarAcho que hoje à noite vou ali aos bolos quentes, resgatar uma bola de berlim!
Cumprimentos:)
Não poderia estar mais de acordo consigo, relativamente a Poirot. Esta é, sem dúvida, uma das séries mais geniais realizadas até hoje. A recriação de época é absolutamente soberba!
ResponderEliminarOs meus pais, a minha casa e o meu bairro nasceram todos nos anos 30. Salvas as devidas diferenças geográficas e culturais, eu reencontro constantemente em Poirot a exactidão das suas referências. E aqui por casa todos os tectos, paredes e portas são “à Poirot”…
Eu sou uma espécie de Poirot-dependente! :-). Em miúda li todos os livros, durante as minhas temporadas veraneantes na praia e campo. Não perdi um episódio quando a série passou pelos nossos ecrãs (num último fôlego dos saudosos serões de qualidade - versus audiência). Assim que Poirot saiu em DVD comprei a série completa, e desde logo se reinventou como a minha eleita televisiva do final da noite. Por fim, hoje em dia, nem sequer consigo resistir a rever os episódios (para aí pela quinta vez!) quando passam na RTP memória. :-)
Poirot tem, sem dúvida, das melhores “célulazinhas cinzentas” do mundo… :-)
Abraço
Luciana
nota: Este comentário refere-se ao seu texto de 22 de Julho. Engano meu... peço desculpa!
ResponderEliminarEu também nunca perdi o hábito de enviar postais e de escrever blocos de notas. Os meus registos de férias são quase infinitos… O meu problema mesmo é depois – já de volta ao trabalho e à correria – arranjar tempo para os “trazer à luz” .
ResponderEliminarViver – ou sobreviver - e “voar” são actividades muito difíceis de gerir!... Se assim não fosse, bem que eu teria o meu blogue mais compostinho de “verve”! :-)
Abraço
Luciana
Desculpa!...
ResponderEliminar[Glup]
ResponderEliminarObrigado, mas férias agora...
ResponderEliminarCumpts.
A sua opinião sobre a série é exactamente a minha. Pensei em dizer isso no blogo e assim a Luciana fez o trabalho por mim. A recriação de época é absolutamente soberba.
ResponderEliminarCumpts. :)
Ora essa!
ResponderEliminarTambém aqui de acordo. Escrever no caderninho enquanto no intervalo do quotidiano torna-se difícil, às vezes. Mas basta-me que fique no caderninho. Se alguém depois tiver interesse pode ir lá ver..
ResponderEliminarCumpts.
Obrigado!
ResponderEliminarE então? Sempre foi?
Cumpts.