Andam os escritos que aqui deixo dispersos por caminhos, estradas, azinhagas e carreiros arrabaldinos. O pendor deste blogo não é para Lisboa, como pode parecer, mas para o seu termo. Este pendor centrífugo em relação ao bulício da cidade é sonhador, tal qual eram bucólicos e românticos os caminhos arrabaldinos de Lisboa serpenteando pelo meio de quintas, hortas, arvoredos, casais... Mas a dinâmica urbana galga os caminhos de fuga. A ideia de uma cidade com menor densidade de construção e entremetida de quintas e hortejos é hoje tão irreal quanto as prateleiras dos supermercados porem ovos. E no entanto as prateleiras põem-nos. No mesmo modo, em sendo mugidas (as ditas prateleiras do super) não deixam de dar leite em pacotes. É tudo questão de querer ou poder pagar. Talvez por isto (ou pelo seu contrário) os arrabaldes alfacinhas e as suas antigas quintas onde se ia ao leite e aos ovos se hajam atrofiado em capoeiras de betão, quando não degenerado mesmo em estrumeiras.
 Fotografia aérea do cemitério do Alto de S. João [i.é, Picheleira, quintas a S e O, e parte do cemitério], Lisboa, c. 1955/56. Fotografia de Mário de Oliveira, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..
A fotografia que aqui fica parece-me sugestiva; as quintas rodeiam o bairro: quinta de S João de Baixo, quinta do Pinheiro, quinta Nova, &c.. O arquivista datou-a da década de 50. Tenho a impressão que é de 55 ou 56. Havemos de ver... A nesga do cemitério que se vê justifica[va em parte] a legenda [em 2008], mas a imagem não mostra a parada do Alto de S. João, como catalogou [originalmente] o arquivista. [A actual legenda Beato, Olaias e cemitério do Alto de São João é anacrónica: as Olaias são dos anos 80 e não são o mesmo que a Picheleira, que é o que se vê em primeiro plano.]
(Revisto em 11/III/23.)
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(sabes muito bem porque digo isto) que foto do catano!
ResponderEliminarOlho vivo! Parabéns!
ResponderEliminarPara a minha, precisava de abranger mais abaixo:)
ResponderEliminarCaro Bic Laranja, embora seja uma assídua visitante, não comento nada porque... olhe, por uma daquelas razões filosóficas que se resumem a um "porque não!"
ResponderEliminarEsclarecido este ponto, adianto a razão da quebra do silêncio de hoje.
Tendo-me sido solicitado que listasse sete blogs que considerasse muito bons, tomei a liberdade de o listar no meu post de ontem.
Como não é nenhuma questão de preço nem morte de homem, espero que o aceite como uma referência positiva que não lhe perturba o sossego.
Cumprimentos (e já que é a primeira vez que me "apresento", parabéns pelo blog que é um dos mais interessantes que conheço)
Eva
Um tanto mais, Dona T.; mas já vi vistas sobre a sua lá no Dias. E possivelmente haverá mais por descobrir. // Seja bem-vinda Eva! Muito obrigado pela preferência e pela distinção. Apenas me temo que a afixação de mais um louvor passe por excesso de vaidade, já que ultimamente a maré tem sido favorável. // Cumpts.
ResponderEliminarEspectáculo. 6, 7, 8, vivá escola 28. O prédio "amaricano". Se aumentarmos a imagem ainda vemos o Diniz a sair da loja para ir a casa;-)
ResponderEliminarJá se sabe que a morte da cidade é coisa para esconder, porém o Bic Laranja põe-a a nu. Abraço
ResponderEliminarO seu blog, é dos que vejo quase todos os dias,
ResponderEliminarquererá dizer que gosto bastante. Sou um curioso dos de outros tempos da cidade e não só!
Gostaria de saber, porque estpu curioso que zona de quintas eram estas? Quinta dos Peixinhos? e os prédios, que ruas eram?
Obrigado.
Pedro: O sr. Diniz em 1955 já tinha a confecção ali? // Réprobo: Ah! Mas é tudo evolução, progresso. É o que me dizem... // A quinta dos Peixinhos julgo que era um pouco mais a norte. Isto é na Picheleira. Amanhã ou depois publicarei um verbete que tenho no prelo com detalhes sobre a imagem. // Cumpts.
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