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quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Portas do Sol


 As Portas do Sol aquando das Peregrinações (vol. III) do Norberto de Araújo.
 Tinha este largo um ar cansado mas prestava-se a maior pitoresco. O eléctrico enfiava-se em via única na acanhada Rua do Infante Dom Henrique, como o 28 hoje nas Escolas Gerais. — Aposto que havia ali também raquetas de pingue-pongue a fazer de semáforo na porta dalguma taberna ou à janela dalgum vizinho. Outra vez: como o 28 hoje nas Escolas Gerais.
 O eléctrico da Rua da Conceição para a Graça — a carreira nº 10 — é de Julho de 1906, o que limita a data duma outra fotografia deste lugar que já aqui pus.
 As casas lá adiante cujas traseiras dão para cá são na Rua de São Tomé e sobre elas espreita a torre da igreja de Santa Cruz do Castelo. Todas elas foram demolidas para desafogo do sítio.


Largo das Portas do Sol, Lisboa, 1939.
Eduardo Portugal in Arquivo Fotográfico da C.M.L.

 Entre o muro e a casa das janelas de guilhotina ao centro em cima metia-se o beco de Santa Helena. Apenas dali ou das traseiras da fábrica de licores de Francisco Dias — um barraccão, no dizer de Norberto de Araújo —- se desfrutava o admirável panorama por sobre o casario para São Vicente de Fora que hoje, com o largo mais desafogado, vós conheceis.


Beco de Santa Helena, entrada das Portas do Sol, Lisboa, 1939.
Idem.


10 comentários:

  1. Não contes a ninguém, mas aprendi a dirigir automóvel num parecido àquele ali à direita da primeira foto. Abração.

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  2. Bic Laranja17/1/08 12:10

    Eh! Eh! Um condutor veterano. Imagino que não fosse fácil, sem as comodidades que agora há. Cumpts.

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  3. De repente recuo à infância e parece que estou a ver o "Senhor da bengala de ferro", como chamava ao agulheiro, que já nessa altura estava em fim de carreira.
    Belas memórias.
    Cumprimentos

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  4. Fantástico!

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  5. Bic Laranja17/1/08 23:14

    JRD: Agulheiros? tenho uma vaga ideia. Tenho mais viva a memória do guarda-freio descer com o pé-de-cabra para mudar a agulha. // Anónimo: Obrigado! // Cumpts.

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  6. Era muito novinho e se calhar estou a misturar as memórias, mas penso que o agulheiro era simultâneamente o homem das raquetas.

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  7. Je Maintiendrai18/1/08 22:39

    O fantástico! era meu e é extensível aos posts de arriba!

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  8. Bic Laranja19/1/08 13:36

    JRD: Faz sentido. // Obrigado mais uma vez, caro confrade! // Cumpts.

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  9. Je Maintiendrai19/1/08 14:41

    Não era bem um pé-de-cabra, era uma espécie de cunha, em feitio de ponta de chave de parafuso... E as maletas de coiro brilhante para o dinheiro? e o cordão também de coiro puído para a campaínhada da paragem? E a mudança da peça metálica do timão, quando o eléctrico chegava ao fim da linha e havia de mudar de sentido?

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  10. Bic Laranja19/1/08 19:09

    Isso! Isso! E o trolley que também virava no término? Mai-los bancos dos passageiros. E as janelas que se abriam por inteiro, ora para cima, ora descendo, deixando apanhar o vento fresco? E as cortinas de lona para qubrar o sol...? Plim Plim! :)

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