A Rua de Arroios, quem lá passe hoje, parece que encolheu. Este desafogo todo há perto de setenta anos mostra que não fazia concorrência à Av. Almirante Reis. Uma carroça pouco acima do prédio de esquina, no sítio onde foi a fábrica da Cerveja Leão - anteriormente tinha sido ali o palácio do Conde de São Miguel - e umas poucas pessoas fazem todo o movimento da rua. O ar de arrabalde industrial é notório: à esquerda, em segundo plano, a fábrica dos Lanifícios de Arroios, onde foi outro palácio: o dos Condes de Mesquitela. Acho-lhe mais graça assim. Sempre gostei dos arrabaldes industriais de Lisboa com reminiscências de velhos solares e palacetes fidalgos.
 Rua de Arroios, Lisboa, c. 1940. Eduardo Portugal in Arquivo Fotográfico da C.M.L..
Palácio dos condes de São Miguel (Quinta de Arroios)
 Ruínas do Palácio dos condes de São Miguel, Lisboa, 1940 c. 1900. Espólio de Eduardo Portugal (?) in Arquivo Fotográfico da C.M.L.. Em fins do séc. XVI o fidalgo Diogo Botelho, descendente dos alcaides de Almeida (séc. XV) que estivera com el-rei D. Sebastião em Alcácer Quibir, levantou nestes terrenos as casas e a quinta de Arroios. Foi este Diogo Botelho partidário de D. António, Prior do Crato, em 1580, tendo-lhe dado aposentadoria nestas suas casas antes de ele enfrentar o duque de Alba na batalha de Alcântara. O título de conde de S. Miguel, porém, só foi criado em 1633 por Filipe III a favor de D. Francisco Nuno Álvares Botelho, neto de Diogo Botelho, que veio a herdar estes terrenos e granjeios, os quais passaram ao depois para a Casa dos Condes dos Arcos. Posteriormente (não consegui apurar quando) a fábrica das Cervejas Leão, que perdurou até 1916, ocupou o lugar da antiga quinta; tinha um grande pátio que se estendia para os terrenos onde eram as casas - certamente já em ruínas - dos Condes de S. Miguel. Quando o Norbetrto de Araújo por aqui peregrinou em 1939 (vol. IV, pp. 79 e ss.) era uma serração de madeiras que havia ali no lugar do nº 48, logo acima da esquina com a nova Rua Francisco Foreiro.
Nota: revisão do verbete com introdução de texto em 16 de Dezembro às 11h da noite.
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Belo postal:)
ResponderEliminarPor acaso precisava de lhe perguntar uma coisa.
Onde está no nosso precioso arquivo a casa onde morou o Alves dos Reis, o tal palacete do brasileiro, na Rua Luís Fernandes, ou Travessa de S. Marçal anteriormente. Isto está arabalhoado mas tenho um cozido à espera:)
Cumpts
Obrigado! Não sei. Posso procurar, mas não sei. :) Cumpts.
ResponderEliminarA rua não encolheu...os automóveis estacionados, alguns em segunda fila, é que a apertam.
ResponderEliminarOs automóveis 'encolheram' a rua, portanto. Cumpts.
ResponderEliminarAgradeço a visita e a opinião manifestada, com a qual tendo a concordar, ainda que me custe aceitar tanta cedência à ortografia brasileira, eles, que não cumpriram o Acordo que assinaram em 1945 e que desrespeitam larga e desportivamente a noção de Norma Linguística e de Norma Gramatical, com o que não se estabiliza o idioma, corrompendo-o, desfeando-o aceleradamente.
ResponderEliminarTorna-se, de facto, difícil estabelecer acordos com este espírito presente do outro lado da negociação. Mas é preciso fazer um esforço de entendimento, procurando travar insanidades e atenuar divergências, algumas seguramente ultrapassáveis, com ciência e, sobretudo, muita paciência...
Felicito-o também pelas fotografias e textos explicativos que aqui publica para nossa comum ilustração.
AV_16-12-2007
Obrigado sou eu pela sua visita. Sobre a ortografia é inútil ceder ao Brasil. Seja como for que o Português evolua em Portugal será sempre Português. Toda e qualquer evolução do Português do Brasil que se afaste da nossa será inevitavelmente um crioulo. Cumpts.
ResponderEliminarE pode encontrar se faz favor? :)
ResponderEliminarCumprimentos
Boa tarde,
ResponderEliminarVerifiquei que utilizou um trabalho meu no seu blog (caricatura de Cristiano Ronaldo), de facto não é muito agradavel deparar-me com uma situação deste género. O sr. teve o cuidado de colocar o meu nome, mas num caso destes, deveria ter me contactado antes de utilizar material com direitos de autor.
Todos os trabalhos que exponho no meu site e no meu blog são registados e muitos deles já propriedade de outras pessoas que não gostariam de ver obras pelas quais pagaram serem utilizados gratuitamente.
Apelo entao, à sua atenção
Com os melhores cumprimentos
Rui Duarte
Sr. Rui Duarte: a pequena imagem de meio corpo que serve de apresentação à sua caricatura foi retirada do blogo. Cumpts.
ResponderEliminarMeu Caro Bic,
ResponderEliminardeu trabalho, mas creio que consegui encotrar a data da inauguração da Cervejaria Leão. Coloquei lá no antro, porque acompanhada de duas fotos. Abraço
"Quando foi a cerveja" já está. // Dona T.: olhe que não sei; olhe que não sei. // Cumpts.
ResponderEliminarE ficou muito bem. Abraço
ResponderEliminarBoa noite apenas para chamar a tenção de dois pequenos aspectos, sem bem que um me deixe algumas dúvidas.
ResponderEliminarO primeiro é apenas para realçar, por detrás do palácio, as águas furtadas dos prédios da Almirante Reis, ainda em construção.
O outro, que me deixa dúvidas, é precisamente por cima dessas águas furtadas, o edifício que lá se encontra é a Igreja de Nossa Senhora da Penha de França ou será algum palacete existente na Rua da Penha de França, afastada que está a hipótese de ser na zona da actual Escola D. Luisa de GUsmão, que estaria sempre à direita da foto?
Muito certo sobre as casas que se levantam na Av. Almirante Reis (ou Dona Amélia, que me parece mais provável). Lá no alto é a igreja da Penha. A zona do Monte Agudo fica fora da imagem, como bem diz. Cumpts.
ResponderEliminarOla Bic Laranja
ResponderEliminarDe ha muito que leio o seu blog sobre Lisboa, e que adoro tanto a informacao como o seu estilo, embora nunca lhe tenha escrito. Ha' 45 anos que vivo no estrangeiro e as saudades sao bastantes embore visite regularmente, mas tudo mudou e gosto de ler sobre "coisas antigas". Interessou-me particularmente este e o da Igreja de Arroios para mais que eu morava perto, na R. Antonio Pedro.
Devido aos seus conhecimentos, gostava de lhe perguntar se nao havera' fotografias da capela de St.a Rosa de Lima que pertencia ao palacio dos Senhores de Murca/Mesquitela. Segundo consta, era ai' que funcionava a paroquia de S. Jorge de Arroios enquanto construiam a igreja no Largo, durante a decada de 1820. 'E que um bisavo meu foi la' baptisado e ficava-lhe muito lhe agradecia se, por acaso, conseguisse uma foto da dita Capela.
Um Bom Ano de 2012 com muita saude, alegria e .... mais blogs!
Obrigado pelas suas gentis palavras e pelo apreço. Votos de bom ano também para si e todos os seus.
ResponderEliminarDa capela de Santa Rosa de Lima desconheço imagens. Mas gostava de conhecer. Aqui, em 39, já o palácio Mesquitela dera em fábrica de lanifícios. Não sei agora ao certo quando foi que o palácio deu lugar à tecelagem. Tenho ideia duma fotografia de à roda de 1900 que já mostra a tecelagem onde há-de ter sido o palácio Mesquitela. Sei que Luiz Gonzaga Pereira Nos deixou desenhos e descrições de igrejas reportadas ao ano de 1833. Pode ser que tenha nos tenha deixado algo sobre esta capela.
Feliz ano novo.
Agradeco a sua resposta e a sugestao Luis Gonzaga Pereira, que irei investigar. Se encontrar alguma coisa nao deixarei de o avisar.
ResponderEliminarSo como curiosidade, encontrei um artigo (se calhar ja conhece!) http://geo.cm-lisboa.pt/fileadmin/GEO/Imagens/GEO/Livro_do_mes/Vieira_da_Silva/Dispersos/MON_69-P_PART_03.pdf com a historia da freguesia de S. Jorge de Arroios (pag. 233)e onde diz que o palacio ficava mesmo em frente 'a Rua Marques da Silva, o que confirma a sua fotografia. Contudo, encontrei tambem esta foto
http://www.flickr.com/photos/azfred/2311626391/
onde, o que dizem ser o edificio da fabrica, 'e um pouco mais adiante!
A fotografia que eu referia e justamente a que me indica.
ResponderEliminarÉ importante o que diz sobre o lugar exacto do palácio Mesquitela. O atlas de Filipe Folque de 1858 parece situá-lo nos terrenos imediatamente a S da embocadura do Caracol da Penha, no lado ocidental da Rua de Arroios. Guio-me por um jardim de buxo nas traseiras dessas casas no desenho do «Atlas». Nos terrenos que eram adjacentes pelo N não assinalam construções em 1858. O palácio ficaria pelos n.ºs 87-89 da Rua de Arroios. Arrisco a capela mais para o 87.
Tem um fragmento do mapa na Quinta da Imagem.
Cumpts.
Não conhecia o artigo. Falta-me justamente esse volume dos «Dispersos».
ResponderEliminarObrigado!
Primeira forma!
ResponderEliminarGuio-me agora pelo Mestre Castilho que nos legou uma planta com os palácios da Rua de Arroios («Lisboa Antiga. Bairros Orientais, v. IX, p. 119). Indica o palácio do Conde de Mesquitela no lugar exacto do assentamento do viaduto da Rua Pascoal de Melo, em gaveto com a velha Travessa da Cruz do Tabuado (hoje Rua Aquiles Monteverde). As casinhas velhas que ainda existem hoje a Sul do dito viaduto eram contíguas ao palácio e cuido que são as mesmas que vêm assinaladas no Atlas de Filipe Folque. Imagino que os terrenos e as casas que mencionei acima ficassem nos domínios do conde de Mesquitela, pois foi no seu lugar que se veio a instalar ao depois a tecelagem. As casinhas que permanecem seriam porventura do pessoal da quinta; algumas arrendadas, quiçá...
Cumpts.
Interessantissimo o artigo sobre a Quinta da Imagem! Quantos dos seus blogs ainda me falta ler.....
ResponderEliminarRealmente faz sentido que aquele elegante jardim fizesse parte do palacio e esta' no sitio correcto de acordo com o artigo que enviei.
Posso estar a dizer uma asneira mas eu interpreto a sua foto aqui acima desta forma: A 1a. casa 'a esquerda, so de 2 andares, com varandas e em frente da rua Caracol da Penha/Marques da Silva, seria o antigo palacio e mais adiante o edificio de 3 andares (o da tal outra foto) seria uma construccao mais nova nos tais campos ao lado do jardim.
Claro que posso estar errada mas 'e o que me parece.
Enfim, o ter conseguido localizar o sitio, mesmo que seja com uma distancia de metros, ja foi um grande exito!
Estou a fazer uns apontamentos sobre a "historia da familia" para deixar a minha filha e netos e gosto de por algumas informacoes sobre os locais por onde andaram. Os seus escritos tem sido valiosissimos para mim.
Estavamos a escrever ao mesmo tempo!
ResponderEliminarMais uma vez o meu muito obrigada pela informacao adicional e a sua atencao ao meu caso. Estou descobrindo coisas que nunca imaginei sobre a zona onde vivi os meus primeiros 21 anos!
Com os melhores cumprimentos.
Na verdade são na Rua António Pedro.
ResponderEliminarNão sabia que houve fabrica de cerveja Leão , temos que dar valor á nossa Lisboa antiga . Dei por ela ao pesqizar se nesta rua exestia a foto - Avila onde meu pai tirou a foto para o cartão de sapateiros e correeiros e não consegui saber se existe a tal loja de fotografias ( em peliquas " nigativos de vidro e por curiosidade quiz daber desta casa onde meu pai tirou muitas fotos , bem haja á equipa da gougle pelos trabalhos bem feitos , bem sei é o pussivel , parabens .
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